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Dando um tempo nas cervejas belgas

É claro que imaginei aproveitar nossa viagem para Amsterdam para experimentar algumas cervejas holandesas. Quando comentei com meu colega de classe holandês que foi difícil achar boas cervejas holandesas em Amsterdam, sua resposta não poderia ser mais autêntica: “É, eu imagino.”

Pode parecer incrível, mas não foi fácil achar boas cervejas holandesas na – surpresa! – Holanda. Não que eles não tenham boa cerveja, o problema é que a Heineken domina completamente o mercado; e se juntarmos a Grolsch e a Amstel, não sobra quase nada. O pior é que todas estas são pale lager – muito parecidas entre si (embora eu tenha achado a Heineken bem melhor do que a que temos no Brasil). Mas o mais engraçado é que em vários bares ou restaurantes as melhores cervejas eram belgas ou alemãs… A União Européia explica isto (embora países como a Alemanha tenham criado todo tipo de lei maluca para definir o que é uma cerveja “pura” como artifício para resguardar as cervejarias nacionais).

Então tive que ficar atento às oportunidades. Em um bar que, segundo nosso guia, “tinha todo tipo de cerveja holandesa”, nos deparamos com 3 cervejas holandesas e mais uma pequena relação de cervejas belgas. Meio contra a vontade acabei pedindo uma Wieckse Witte, a terceira tentativa com uma witbier. Digamos que continuo com a mesma opinião… Sugiro que você experimente qualquer uma só pra dizer que experimentou, e mude para algo melhor. Em outro restaurante pude pedir uma Dommelsch; esta é diferente, é uma pilsener com uma cor bem mais acobreada do que esperaria, mas a expectativa criada pela cor (de uma cerveja mais forte e encorpada) vai pelos ares no primeiro gole. É uma boa cerveja, mas nada, nada demais.

latrappeMas a Fernanda tinha descoberto em um blog um bar (t’Arendsnest) que seria “o bar” para experimentar cervejas belgas. Tivemos que andar um pouco para chegar lá – novidade – mas quando chegamos tudo valeu a pena! Eles tem 30 cervejas na pressão e outras 100 em garrafa, todas holandesas. Foi uma dificuldade escolher, mas no final a lógica venceu: La Trappe Quadrupel, da única cervejaria trapista fora da Bélgica. Tudo o que eu espero em uma cerveja deste tipo :): uma cerveja encorpada e forte, com um sabor muito diferente – elas não são amargas mas tem um sabor forte, muito, muito redondo. Algumas – como esta – também aparentam ter uma ligeira doçura. Depois dela a escolha ficou difícil; o cardápio com uma breve descrição de cada cerveja ajudou e pedimos uma Czaar Peter.  Esta foi uma surpresa: bem no estilo da Guinness, talvez um pouco mais leve, mas com um sabor tostado bem característico (uma delícia!). A empresa que a produz quer promover a produção de cervejas “alternativas”; segundo eles, cervejas que usam ingredientes ou métodos pouco usuais na Holanda. A Czaar Peter seria uma Russian Imperial Stout, o tipo de cerveja produzido em Londres no Séc. XVIII para ser exportado para a corte de Catarina II (uau, cerveja também é cultura…).

Agora a situação é a seguinte: já experimentei pelo menos uma cerveja de 5 das 7 cervejarias trapistas :). O pessoal do MBA está organizando uma viagem para a Westvleteren, a mais exclusiva de todas – e também considerada a melhor cerveja do mundo. Esta promete!

trapistas

Quase uma caixa de cervejas…

Bem, como nós almoçamos e jantamos quase todos os dias em restaurantes nas últimas duas semanas, eu acabei experimentando várias cervejas neste período. Como está muito devagar colocar uma a uma (e minhas aulas estão para começar…), resolvi fazer um “mega post” falando de 9 cervejas… (faltaram 3 para uma caixa 🙂 ) Lá vai:

Orval

Esta fica numa categoria parecida à da Westmalle; lembra bastante a Chimay, mas é menos encorpada. Como gosto de cervejas fortes e encorpadas, continuo preferindo a Chimay. Faz alguns dias que a bebi, então terei de experimentá-la novamente para colocar mais detalhes.

Estaminet

Finalmente vou falar de uma cerveja pilsen, categoria “premium”. Eu gosto de cervejas pilsen, mas acho chato elas dominarem o mercado brasileiro da forma como dominam; acho que por isto demorei um pouco mais para experimentar uma cerveja deste tipo. Voltando à Estaminet, ela tem cor clara e brilhante, muito límpida. No primeiro gole ela dá a sensação de ser super amarga, mas logo depois esta sensação desaparece e fica apenas um sabor muito agradável, de uma cerveja saborosa, macia e muito, muito boa.

Hoegaarden

Lembram da Brugs Witbier? Pois é, esta também é uma witbier, mas eu não sabia disto, esta informação fundamental não estava no cardápio e, como ela parece ser bem conhecida, nunca ia imaginar isto. O maior mérito dela é não ter o mesmo sabor pronunciado da Brugs, ser um pouco mais “aguada”. É mais ou menos como dizer que seu maior mérito é não ser tudo que deveria ser… Talvez o único motivo para experimentá-la de novo seja curiosidade, pois li que as witbier ficam praticamente brancas quando estão bem geladas (por isso também são chamadas de white beer). Talvez bem gelada ela seja um pouco mais palatável.

De Koninck (Bolleke)

O legal desta cerveja é que ela tem um “apelido”: Bolleke, que na verdade é o nome do copo em forma de bowl da De Koninck, a cervejaria que a produz. Agora falando da cerveja em si, eu não lembro muito bem dela 🙂 Só lembro que gostei, era uma boa cerveja, mas também nada de espetacularmente especial.

Westmalle Tripple e Leffe Tripple

Estas duas são muito boas mesmo. São cervejas claras, mas muito fortes (9% de álcool e acima). Elas são claras e apresentam-se um pouco turvas, mas nada tão exagerado quanto uma witbier. Apesar de serem assim tão fortes, tem um sabor muito suave, nenhum amargor exagerado nem presença marcante do álcool. A Westmalle é um pouquinho mais encorpada; eu gostei mais dela e a Fernanda, da Leffe. Mas qualquer uma delas me deixaria muito contente.

Kriek

Desta eu escapei 🙂 Um colega do curso a pediu para experimentar e seu comentário foi: “Hum, parece cereja. Hum, cheira como cereja. Hum, tem gosto de cereja! É, não dá para acertar todas…”. Acho que não preciso falar mais nada.

Brugge Tripel

Mesma categoria das Westmalle e Leffe Tripple descritas acima. Mas esta é um pouco mais sem-graça. Experimentei quando visitamos Brugge, já que era uma cerveja local.

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Outra cerveja que experimentei em Brugge. Como ela estava em destaque no cardápio imagino que não seja uma cerveja muito comum de se encontrar (também não lembro de tê-la visto em nenhum dos restaurantes/bares de Leuven). Ela é uma cerveja blond, mas tem uma coloração um pouco mais intensa, não é dourada. É muito saborosa e também não dá nem sinal de seus 7% de álcool.

Ufa, depois desta maratona acho que não tenho mais nenhuma na lista para escrever… A não ser a Stella Artois, que não é mais novidade aí no Brasil. Mas admito que é ótimo ter a opção de pedir uma Stella quando você não está a fim de pensar muito no que vai beber…

Brugs Witbier

BrugsBem, como nem tudo é perfeito, esta foi minha primeira decepção. No começo eu fiquei curioso – afinal, o que devia esperar de uma witbier? – mas a verdade nua e crua é que não gostei nem um pouco do que descobri. Esta é uma cerveja de trigo diferente das weissbier que conheci no Brasil (Erdinger e assemelhadas); no copo ela tem uma cor palha bem clarinha e é absolutamente turva, muito mais do que uma weissbier. Na boca foi uma batida de frente com o meu paladar; diria que ela é refrescante, mas ao mesmo tempo tem um certo azedume que não me agradou nada, nada. Na verdade, não sei se azedo é o melhor descritivo, mas o fato desta sensação ainda ser bastante pronunciada só tornava a situação ainda pior. Ainda bem que no mesmo dia eu experimentei a Westmalle Dubbel, que gostei muito 🙂

Guardem bem a “cara” dela para pensarem 2 vezes antes de comprar uma garrafa.