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A melhor cervejaria da Holanda

Estamos na fase de encarar de frente a dura tarefa de procurar e experimentar as melhores cervejas que temos à disposição Smile – mês passado foram cervejas da Bélgica e agora da Holanda.

E no melhor espírito prático holandês, encontrá-las não foi tão complicado desta vez – a Brouwerij de Molen (Cervejaria O Moinho) abocanhou nada menos do que 36 posições das 50 melhores cervejas holandesas – de acordo com este ranking do site Rate Beer. Eles deixaram até mesmo uma das minhas cervejas preferidas, a La Trappe Quadrupel, amargando a nada honrosa (para a única trapista destas terras) 14. posição… Então a busca se resumiu a imprimir esta lista e colocar o endereço desta micro-cervejaria no GPS.

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Chegando lá vimos que ela está numa cidade pequena mas muito simpática; a cervejaria em si também está em um bonito e bem-conservado moinho. Perguntamos onde era a loja, para sermos conduzidos pelo meio do moinho até a pequena – mas muito bem sortida! – loja, onde nos aguardava um rapaz simpático e ávido para nos contar várias histórias sobre a cervejaria e sobre cerveja em geral.

Ele nos contou como a De Molen ficou famosa depois que uma de suas cervejas, a Rasputin, foi a primeira cerveja não-belga a vencer uma competição que acontece nos “países baixos” (Bélgica, Holanda e Luxemburgo). Nos contou a história de várias de suas cervejas, como a Fone50, cujo nome verdadeiro é V Years 20k e foi criada para um conhecido comemorar um evento organizado na própria De Molen! Ou a Vuur & Vlam (Fire & Flames), que continha uma pimenta fortíssima (!) na fórmula, para desespero dos incautos que a experimentavam nos tours – segundo ele, depois de um par de goles estavam todos vermelhos e suando… Também explicou que eles perderam posições no ranking das melhores micro-cervejarias do mundo depois que se mudaram para onde estão agora, pois não importa que as proporções estejam certas, o simples fato de estarem produzindo em volumes maiores altera o resultado final e ainda precisam se adaptar à nova escala. Ainda falou da surpresa que foi a Westvleteren12 ter perdido a primeira posição este ano – mas que o fato de isto ter acontecido por um tantinho, num ano em que todas as condições para a produção da agora campeã foram perfeitas, é quase que um elogio para a Westvleteren, pois eles tem produzido a melhor cerveja do mundo por décadas e apenas um ano perfeito consegue tirar dos monges da Sint-Sixtusabdij o primeiro lugar… Isto que é admiração Smile

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Bem, já dá para imaginar que a cada pergunta sobre uma cerveja específica vinha uma breve aula sobre o que esperar dela e o que ela tem de peculiar. Muito legal a atenção e a verdadeira paixão pela cerveja que eles fazem. O resultado final foi a escolha de 15 garrafas, sendo 14 diferentes cervejas. A única repetida é a de uma série especial que está em terceiro lugar no ranking (a primeira foi outra série especial que já não está mais à venda e a segunda é uma cerveja de produção regular – as três da De Molen).

É isso aí, nos próximos meses terei muito o que escrever sobre cerveja (depois de um período meio paradão…). Os primeiros posts já estão saindo do tanque de fermentação – aguardem!

Como um país pequeno e de pouca expressão acabou dominando o mundo da cerveja? Como?

brewedforceÉ o que a Economist tenta responder nesta matéria: Brewed force.

Apesar de falar muito da Stella e da Westvleteren e quase nada sobre todas as outras excelentes cervejas produzidas na Bélgica, a matéria é muito interessante ao explicar como o país conhecido pelos seus “mussels and chips” (pelo menos o autor não usou French fries Smile with tongue out) se tornou o paraíso para quem gosta de uma boa cerveja.

Finalmente um dos meus colegas tem uma explicação para a dúvida que o atormentou durante todo o MBA: “por que a Bélgica tem tantas cervejas diferentes?” Antes tarde do que nunca Smile

Depois da maior, a menor

Neste post contei que – por um golpe de sorte – a La Trappe, única cervejaria trapista da Holanda, fica a apenas meia hora de casa. Como às vezes a sorte bate duas vezes na mesma porta, a Achel, uma das cervejarias trapistas belgas, também fica a apenas meia hora de casa. Literalmente na fronteira da Bélgica com a Holanda.
O curioso é que estas são a maior e a menor cervejarias trapistas em termos de produção. A produção da La Trappe é 32 vezes maior do que a da Achel, que consegue produzir ainda menos do que Westvleteren. Mas a diferença não é só de tamanho; a La Trappe tem uma “sala de degustação” grande, moderna e bonita. O espaço ao ar livre é muito agradável e arborizado. Visitas guiadas acontecem 2 vezes ao dia e a lojinha sustenta a imagem moderna e sofisticada. A Achel é o oposto: você passa por um portão para ter acesso ao pátio interno onde o bar está localizado. Cadeiras e mesas de plástico; nenhum luxo ou sofisticação ao redor. O bar funciona meio como um “bandejão”: você passa por uma vitrine com doces e tortas (quer uma? abra a portinha e se sirva!), algumas bebidas não-alcoólicas, as duas torneiras que despejam a Blond e a Bruin 5% e, finalmente, o caixa.

Toda esta simplicidade está bem alinhada com o objetivo dos mosteiros trapistas ao produzir cerveja, que é o de financiar a vida monástica e suas obras sociais. Neste sentido a Achel é 100% autêntica ao ideais que assumiu. Mas o curioso é que, apesar de produzir menos do que a Westvleteren, não é tão difícil achar a Achel à venda em supermercados, bares ou restaurantes na Bélgica. Melhor para nós, já que não precisamos ir até a fonte.

Deixando a divagação de lado, vamos falar da cerveja: na Achel você encontra tanto a Blond quanto a Bruin nas “versões” 5% e 8%, de teor alcoólico mais alto (estas são servidas em garrafas, as mesmas disponíveis fora da abadia); além destas, uma extra um pouco mais forte, em garrafas grandes (750ml). Desta vez experimentei a Blond 5% e a Bruin 8%. A Blond 5% é uma cerveja leve, mas bastante aromática; é leve, mas tem boa estrutura e sabor. Já a Bruin 8% é bem mais o tipo de cerveja que gostamos – mais encorpada (mas não tanto a ponto de parecer “pesada” para quem não está tão acostumado com cervejas encorpadas), com uma bonita cor vermelha-amarronzada, aquele aroma levemente adocicado tão típico das trapistas e um sabor que confirma o aroma e permanece na boca apenas por tempo suficiente para ser apreciado. Em resumo, uma cerveja muito boa – não a ponto de desbancar a Westvleteren ou a Rochefort, mas no nível de outras das minhas cervejas preferidas, como a Westmalle.

Ahhh, as cervejas belgas…

Nos últimos dias estava pensando nas cervejas belgas… Nas cervejas belgas que ainda não experimentei.

Mas eu tenho que ser honesto: eu experimentei muitas cervejas belgas. Alguns colegas escolheram logo de cara uma favorita e se agarraram a ela como um náufrago ao bote salva-vidas. Eu fui mais eclético; claro que tenho algumas favoritas, mas sempre que dava de cara com uma cerveja diferente eu experimentava. Então eu estava mais ou menos confortável de que já havia provado o que de melhor a Bélgica tem a oferecer em termos de cerveja.

Até que esta semana um dos nossos colegas enviou o site de uma beer fest em Bruxelas. Comecei a olhar a lista de cervejas e não fui “ticando” muitas… Segui em frente e “tiquei” menos cervejas ainda… Desespero total: onde eu estava que não vi estas cervejas????? Cheguei nas trapistas: ufa, quase 100% de aproveitamento 😀

A verdade é que é impossível experimentar todas. Primeiro porque tem algumas que você não topa de jeito nenhum (como as de fruta ou as brancas, no meu caso). Segundo porque outras são produzidas por cervejarias muito pequenas e acabam servindo apenas o mercado local. Então o lance é identificar o estilo que mais agrada e se concentrar nele – com visitas esporádicas aos outros estilos, é claro 🙂

Mas para ajudar os amigos que estão começando a descobrir estas cervejas maravilhosas, aqui estão as minhas favoritas (mas eu posso ter deixado alguma de fora):

  • Westvleteren: todas (mais detalhes neste post)
  • Rochefort: todas
  • Westmalle: dubbel e tripel
  • Chimay: rótulos vermelho e branco
  • Tongerlo bruin
  • Affligem tripel
  • St-Bernardus ABT 12
  • Karmeliet Tripel
  • Hopus

Cheers!

A melhor cerveja do mundo

Pois é, domingo passado tivemos a chance de experimentar a cerveja que aparece no primeiro lugar em vários sites especializados (Beeradvocate, ratebeer, BeerPal.com e outros, provavelmente). Mas não foi exatamente uma moleza…

Esta é uma cerveja trapista, e o objetivo dos monges de todas estas abadias ao produzir cerveja é financiar a vida monástica. Só que os monges da abadia Saint Sixtus de Westvleteren levam isto ao extremo: eles produzem apenas o que precisam para financiar a abadia e só vendem a cerveja na própria abadia ou no bar/restaurante que pertence a eles e que fica em frente à abadia (e a quantidade na loja é limitada: uma caixa de 24 garrafas por carro, por número de telefone, por mês! Reservas antecipadas, é lógico… No bar, nem isto: você tem que consumir lá mesmo…). Ou seja, se quiser experimentar, tem que ir na fonte. O problema é que a fonte fica a 170 km de Leuven, distância que nos levaria à França, Holanda ou Alemanha. Mas a viagem até que foi divertida, organizada por uma de nossas colegas belgas. Mas quando estávamos chegando… começou a cair uma baita chuva, e quando finalmente achamos o lugar tivemos que correr um pouco até chegarmos à entrada do bar/restaurante In De Vrede. Então, surpresa! O lugar é muito maior, muito mais bonito e muito mais cheio do que imaginava. Garanto que se ele estivesse em alguma esquina de São Paulo estaria lotado quase todo dia, independente da cerveja servida (a não ser que fosse Schin ou outra porcaria parecida, é lógico). Isto gerou alguma demora até que o primeiro copo de cerveja chegasse, mas aí tudo ganhou outra perspectiva!

São produzidos três tipos: a Blonde (clara), a 8 e a 12 (escuras). Mesmo a Blonde é muito diferente, ainda melhor do que as outras cervejas trapistas claras. É difícil explicar a diferença, é uma cerveja bastante encorpada mas ao mesmo tempo suave, macia e saborosa. Mas as melhores são mesmo a 8 e a 12. A 8 tem um sabor um pouco mais próximo do doce e é menos encorpada, enquanto a 12 é muito encorpada, muito macia e muito, muito saborosa. É curioso, mas o sabor da 12 também é super persistente, sensação quase idêntica à de alguns vinhos. As 3 ainda levam ao extremo uma característica de quase todas as cervejas belgas: você simplesmente não percebe o alto teor alcoólico delas (5,8%, 8% e 10,8%). É claro que desta vez tínhamos que experimentar todas, mas numa próxima oportunidade não preciso pensar duas vezes para concluir que o negócio é ficar com a 12. As três são um pouco mais caras do que as outras cervejas trapistas, mas não é uma diferença que assuste.

Quando estávamos indo embora ainda perguntamos na loja se não era possível comprar nem uma garrafinha sequer… Resposta negativa, então tivemos que nos contentar com um queijo :), também feito na abadia e também muito bom (mas eu o trocaria fácil por uma garrafa da 12 :D). E o mapa com a localização das cervejarias trapistas na Bélgica é interessante, porque mostra que cada uma fica num canto do país! OK, o país não é tão grande, mas tudo seria bem mais fácil se elas estivessem mais agrupadas :).

A volta já foi mais cansativa mas a viagem valeu a pena. Afinal, não é todo dia que você tem a chance de experimentar a melhor cerveja do mundo :).