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O outro lado da última semana do MBA

Toda história tem dois lados. Um dos lados da última semana está neste post. Agora vou escrever um pouco sobre o outro.

Desde o início do IMEx sabíamos que esta seria a última atividade do MBA. Por um lado estávamos todos querendo finalizar o IMEx e concluir de uma vez por todas o MBA; por outro lado, estávamos todos um tanto tristes com isto.

A Fê diz que estávamos todos um pouco melancólicos. Não sei se descreveria assim, mas ela tinha a neutralidade de um observador externo, portanto acredito que seja uma descrição acurada.

O fato é que eu achava um pouco exagerado quando diziam que um MBA é uma life-changing experience. Mas depois de passar um ano tão intenso, com tanta gente de perfis e culturas tão diferentes, passando todo o dia junto, trabalhando nos vários projetos até muito depois das aulas, saindo para se divertir, indo viajar, discutindo nossos objetivos e ambições… Agora não acho isto um exagero tão grande. Especialmente em um MBA em que colaboração é uma palavra de ordem, como o da Vlerick: se você não consegue confiar que seus teammates farão a parte deles (e às vezes ajudá-los nisto) você está simplesmente perdido, porque não terá tempo de fazer tudo. Os laços de companheirismo e amizade se tornam muito fortes neste processo. Acho que algumas pessoas com tendências control-freak não conseguiram entender isto e foram meio que se isolando ao longo do ano, tanto que no final eram quase que estranhas em meio a grandes amigos.

Ao mesmo tempo em que era difícil ignorar que nosso período de convivência estava chegando ao fim, todos nós evitávamos o assunto. “É difícil acreditar que acabou” era o comentário mais comum. Mas isto não reflete o alívio de se livrar de algo ruim; muito ao contrário, reflete meio que a paralisia de chegar ao fim de um dos melhores anos de nossas vidas. E olha que não foi nada parecido com um mar de rosas: aulas das 09h00 às 17h30, grupos até às 20h00, 21h00, estudos até a hora que você aguentar 🙂 (a partir de janeiro era normal ficar até 01h00 estudando ou trabalhando em algum assignment). Se você quiser, irá expor todos os pontos que precisa desenvolver; mas também terá a chance e o apoio para desenvolvê-los numa velocidade que não imaginaria possível. Isto sem falar nos imprevistos: vulcão na Islândia que deixa um monte de gente “presa” em diferentes países, fogo no studio de um amigo, patos a serem salvos (posts 1, 2 e 3), terremoto no Chile (tínhamos 4 chilenos no nosso grupo), ajuda para mudar as coisas dos nossos amigos de um lugar para o outro, 3 horas debaixo de neve em um dos exercícios do Social Skills Seminar, aventuras envolvendo bicicletas e algumas garrafas de Duvel, o nascimento de duas crianças – e mais uma chegando… Com tudo isto, o in-company project pareceu quase que férias 😛

Algumas pessoas já seguiram seu caminho, como o Patrick, que voltou para a Nigéria, ou o Cem, que já se mudou para a Eslováquia. Outros estão indo antes da cerimônica de graduação, daqui a 15 dias. E outros já tem a viagem marcada para logo depois. Rússia, Estados Unidos, Inglaterra, Índia, China, Nova Zelândia, Chile e muitos outros países.

Mas todos continuaremos conectados por uma amizade que você só desenvolve em algumas situações. “É quase como estar no exército”, disse o Reggie, grande amigo norte-americano. Indeed Reggie, indeed…

Com este olhar recebemos a nova turma em um karaokê que marcou meio que uma despedida para nós… Toda a nossa turma estava tão elétrica, tão animada que foi impossível para eles não se deixarem contagiar. Inclusive para meu novo colega brasileiro, o Lourival: bem-vindo a Leuven, espero sinceramente que aproveite muito seu ano na Vlerick.

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A última semana do MBA

Como neste post escrevi sobre a nossa primeira semana do MBA , nada mais justo do que também escrever sobre a última semana.
Antes de mais nada, é correto dizer que esta foi uma das semanas mais exigentes e diferentes de todo o curso. Foi toda uma combinação de coisas, mas vamos por partes.
Na programação para a semana estava o IMEx, um business game que tem como objetivo integrar as várias disciplinas que tivemos durante o curso. Seis dias nos quais tínhamos que tomar decisões relativas a produção, finanças, RH, marketing, purchasing, logística, produtos e investimentos para 12 períodos, representando 3 anos de operação. Isto sem contar as negociações com fornecedores, sindicato, banco e board e os documentos que tínhamos que preparar.
Acontece que o IMEx estava programado para depois dos in-company e Giving Something Back projects. Ou seja, estávamos há quase 4 meses sem ter aula nem compromissos na Vlerick e alguns colegas haviam literalmente acabado de voltar do país onde estiveram para o GSB. Nem preciso dizer que todo mundo estava um pouco devagar, para dizer o mínimo…
Depois de uma breve explicação sobre o jogo e seu software, lá fomos nós, cada grupo em uma sala, para as primeiras decisões. Poucas variáveis ainda, só para nos acostumarmos com a dinâmica do jogo e a interface do sistema. Sai o resultado… Eba, nosso grupo fica em segundo lugar, empatado com um terceiro grupo! Nos animamos e decidimos ser mais agressivos no segundo período, até que descobrimos que cometemos um erro simples em um detalhe que fez a gente ter um prejuízo monstro e queimar quatro vezes o cash disponível…. Continuamos em segundo, mas desta vez contando a partir do último :(. Temos que negociar com o banco, adotar ações para nos recuperarmos, encontrar formas de gerar mais caixa… Vamos melhorando nossos resultados mas nossas ações não reagem na mesma velocidade… Vamos ficando para trás, para trás… Mas ainda em segundo último :P. No sexto período cometemos outro engano que breca um pouco a nossa melhora. Sétimo período: logo após definirmos uma mudança de estratégia, um colega de outro grupo chega todo contente na nossa sala, “Press release…”. A gente fica p*** da vida: uma oferta hostil para comprar “nossa” empresa e outras duas; decidimos que aquilo merecia uma resposta e 15 minutos depois é a nossa vez de “publicar” um press release, que basicamente dizia que a gente ia lutar contra a oferta. Inserimos os parâmetros no sistema e… vamos para casa, porque só no dia seguinte teríamos os resultados. No dia seguinte estávamos ansiosos para saber o que aconteceu… Sai o resultado, e nossas ações sobem 93%! Achamos que estávamos fora da zona de perigo mas o resultado da oferta ainda não está definido. Voltamos a trabalhar (e aguardar os resultados seguintes). Mais 64% no período 8! A gente fica super-animado, confiante de que a outra empresa não terá como concluir a oferta hostil… e é isto mesmo que acontece: ela consegue comprar as outras duas empresas, mas continuamos no comando da “nossa” empresa. Resolvemos contra-atacar: fizemos o que nenhum outro grupo fez para montar uma “engenharia financeira” que nos daria caixa suficiente para fazer uma oferta hostil pelas ações da empresa que queria nos comprar. Ah, como é bom quando você ri por último :D. Acontece o que prevemos e a empresa que adquiriu as outras começa a despencar… Neste momento estamos em terceiro, muito perto do segundo (do segundo verdadeiro, não do segundo último!). Todos os nossos “sistemas” de decisões estão redondinhos; todo mundo está agindo de forma coerente e se divertindo com o jogo! Assumimos o segundo lugar, decidimos não comprar a outra empresa (quem quer comprar porcaria? :P) e já é quase 22h00 quando estamos fazendo os arranjos finais para outra “engenharia financeira” que daria um empurrãozinho nas nossas ações no final do jogo. O time que comprou as outras duas empresas cometeu váááários enganos e no último período definiu sua estratégia para as 3 empresas assim: “Agora é cada um por si…” 🙂 O detalhe é que uma das empresas estava tecnicamente falida 😛 No último dia ligamos para a Olivia, uma das nossas teammates que estava atrasada para falar que a “jogada” financeira não deu certo e que caímos bastante… Quando ela chega a gente só consegue manter a brincadeira por uns minutos: na verdade subimos mais 78%! Terminamos em segundo, numa recuperação espetacular depois do que aconteceu no segundo período. Hora de escrever um relatório com as lições aprendidas e preparar uma apresentação final.
A verdade é que nos divertimos muito durante o jogo. Mas ele também foi super intenso: era difícil “desligar” depois de chegar em casa. Ainda ficava pensando em novas ferramentas ou estratégias para o período seguinte. Afinal, só dependia de nós definir como tomaríamos as decisões… Podíamos estruturar um ótimo sistema ou ficar na base do “chutômetro”.
No final o esforço valeu a pena: não só tivemos um ótimo resultado como todos achavam que nós merecíamos vencer o jogo; nosso professor apontou que fomos o time mais forte em business intelligence (além de finanças, é claro 😛 ).
Para a semana acabar só faltava a apresentação do Giving Back Project, concluída na sexta-feira de manhã.

Talvez o melhor time em que trabalhei durante o MBA: eu :), Olivia (Indonésia), Tomek (Polônia), Ana (Portugal), Raed (Jordânia) e Sandeep (Índia).

Não podia pedir um desfecho melhor para o MBA!

PS: é claro que também ficamos muito contentes com a Vlerick sendo listada pela BusinessWeek entre as top business schools européias.

Férias, finalmente!

Depois de 3 meses e meio de muito trabalho, finalmente teremos duas semanas de merecidas férias. Estamos indo viajar, mas a Fernanda vai escrever sobre isto depois.

E como é importante pararmos às vezes para comemorar o que alcançamos, resolvi dar uma olhada em algumas coisas que fiz durante este primeiro termo do meu MBA:

  • 17 eventos, entre o programa de mentorship, career fairs, palestras, apresentações de empresas e outros
  • 15 cursos, de Business and Law a Decision Sciences
  • trabalhei em cerca de 22 grupos diferentes (na verdade foi muito mais do que isto, porque em vários momentos nos dividimos em grupos apenas para uma atividade específica)
  • discutimos cerca de 23 cases (de novo foi mais, pois também discutimos cases mais curtos)
  • completados 15 assignments que terão uma avaliação formal (e um número muito maior durante as aulas)
  • recebemos 9 livros (e eu peguei mais um punhado na biblioteca)
  • nós, alunos, preparamos 5 palestras para o Finance Club que organizamos (inclusive a que preparei sobre o Brasil)
  • comecei a estudar francês
  • consegui tempo para escrever 28 posts (12 no meu blog e mais 16 aqui no Cacau com Lúpulo)
  • conhecemos Amsterdam e Bruges
  • experimentei várias cervejas excelentes 🙂
  • 6 festas com a participação da maioria dos alunos 🙂
  • conheci gente do mundo inteiro e alguns amigos para o resto da vida 😀

É isto; estes meses passaram voando, e tenho certeza de que os próximos passarão ainda mais rápido. Afinal, além de todos os outros cursos, ainda teremos a viagem para a China, o projeto que faremos em uma empresa, o Giving Something Back Project (em uma ONG), a apresentação do nosso Business Plan, a semana do business game e muitas outras surpresas. Assim, vou aproveitar ao máximo estas duas semanas e recarregar as baterias para o próximo ano!

Um Feliz Natal e um Ano Novo maravilhoso a todos!

Top 10!

ranking_economistHoje recebemos uma notícia muito legal: o MBA full time da Vlerick apareceu na décima posição do ranking mundial da Economist. Na Europa apenas o IESE, o IMD e a London Business School estão melhor colocados (e pesos-pesadíssimos como Cambridge, Instituto de Empresa, MIT, Columbia, Insead e Yale aparecem depois da Vlerick).

É claro que estes rankings tem que ser vistos com algum cuidado, mas não deixa de ser um bom sinal o progresso da escola nos últimos anos, especialmente considerando que sua internacionalização é muito mais recente do que a das escolas que mencionei. E é muito fácil reconher que eles estão fazendo um ótimo trabalho, sabendo alavancar os pontos fortes da escola e dos alunos.

Agora temos que trabalhar ainda mais para – no mínimo – manter a Vlerick nesta posição!

Outros blogs sobre meu MBA

Por enquanto eu resolvi não escrever muito sobre o MBA, mas dois colegas meus estão com seus próprios blogs:

Naturalmente os dois são em inglês (sou o único brasileiro nas duas turmas, mas na minha ainda há dois portugueses), mas trazem muita informação para quem quer saber um pouco mais sobre a vida de um aluno de MBA.

Ufa! A primeira semana do MBA acabou…

Patos à parte, hoje terminou a primeira semana real do meu MBA. Digo isto porque a maior parte da semana passada foi gasta com sessões informativas e encontros extra-curriculares à noite, e apenas na sexta-feira tivemos nossas primeiras aulas (aliás, fizemos a análise de um caso aparentemente simples com o próprio reitor da escola, e foi impressionante não só a riqueza da avaliação dele como a velocidade com que ele conduziu a discussão… Imagino que quem ainda não tem um background em negócios teve dificuldade em acompanhar tudo o que foi discutido).

Bom, devo dizer que não lembro de ter tido uma semana tão cansativa quanto esta… Não é apenas o volume de material – que realmente é enorme – é todo um conjunto de coisas: aulas das 09h00 às 17h300 (com vários dias indo até um pouco mais tarde), se comunicar em uma segunda língua, ao invés da sua língua nativa, entender sotaques muito diferentes (só nesta semana tive aulas com um sul-africano, um neo-zelandês, uma americana e um holandês), todo dia preparar os casos que serão discutidos no dia seguinte, manter-se engajado na discussão – que por vezes se torna super acelerada -, trabalhar em grupos com backgrounds, culturas e formas de solucionar problemas diferentes; tudo isto demanda uma grande dose de energia mental, muito acima do que normalmente usamos em nosso dia-a-dia “normal”. Na quarta-feira já estava à beira de um curto-circuito; como outros também estavam assim, apenas li os cases que seriam discutidos na quinta e fomos para um bar tomar uma cerveja e dar risada (todo ex-aluno enfatiza que as amizades que você desenvolve ao longo do curso é uma das mais importantes e melhores coisas que você leva de um MBA…).

Agora o outro lado: o primeiro curso que finalizamos, Managing Across Cultures, foi simplesmente excelente…  Tanto pelo professor; dinâmico, desafiador, com uma enorme bagagem acadêmica, nas situações descritas e no ensino através de cases; quanto pelo que pudemos aprender e pela possibilidade de aplicar imediatamente isto. Afinal, não dá para imaginar o que é trabalhar num grupo com uma grande diversidade cultural antes de se encontrar no meio de uma situação como esta (e quem me conhece sabe que eu não ia exagerar!)… Este curso realmente melhorou muito a nossa chance de fazer o grupo funcionar bem (uma das coisas que aprendemos é que não há meio-termo; um grupo culturalmente diverso terá uma performance muito melhor ou muito pior do que um grupo homogêneo; e não é “por acaso” que a primeira alternativa acontecerá). Só pra dar uma ideia, o gráfico abaixo mostra o perfil dos países das pessoas do meu grupo, de acordo com as dimensões definidas por Hofstede, um dos pioneiros neste campo. Quando você estuda melhor as peculiaridades da cultura de cada país, o cenário se torna muito, muito mais complexo – e é estimulante poder vivenciar isto!

Untitled

Pra concluir, difícil imaginar uma escolha mais acertada para o início do programa… Certamente vamos precisar do que aprendemos, porque na próxima semana estamos designados para trabalhar em outros dois grupos diferentes, além do grupo que temos em Managing Across Cultures (ainda temos assignments para concluir…).

Felizmente, este final de semana deve ser um pouco mais tranquilo, pois tenho menos pré-leituras para a segunda-feira. Vou aproveitar para adiantar algumas coisas que tenho que fazer para microeconomia, gestão de carreira, Cultures… Ah, e não posso esquecer que nosso grupo tem reunião domingo, às 17h00! (afinal, não é à toa que temos acesso 24×7 ao prédio da escola 🙂 ).

O primeiro dia do MBA!

Pois é, hoje foi o primeiro dia do meu MBA e acho que seria legal contar algumas coisas interessantes ou engraçadas que aconteceram.

Como era de se esperar, o foco foi em fazer todos se conhecerem um pouco melhor; conversamos em grupos pequenos, de 5 pessoas, para depois nos apresentarmos (da forma como preferíssemos) para todo o grupo. No meu grupo havia um indiano, um norte-americano, outro da Moldávia (não tenho ideia de como dizer sua nacionalidade) e um japonês. O pitoresco é que o americano viveu 6 meses no Rio de Janeiro e o japonês, 2 anos na Rússia. Ao todo, somos em 90; na prática, estaremos em 2 grupos independentes de 45 pessoas cada. Há 41 nacionalidades diferentes no grupo; sou o único brasileiro, mas há vários outros latino-americanos (não contei) e 2 portugueses.

Durante as apresentações alguns comentários ótimos apareceram; estes são os que lembro:

  • “Apenas para esclarecer, a Polônia não fica ao norte da Bélgica, mas a leste da Alemanha.”
  • “Sou de um país pequeno e humilde, que quase não tenta impor sua vontade aos outros países.” – Adivinhe qual é!
  • “Sou de um país que acha que ainda é importante.” – OK, esta vou responder porque talvez haja uns 2 ou 3 que se encaixem aqui: França
  • “Como temos tantas nacionalidades no grupo, teremos a chance de desafiar cada um dos nossos preconceitos – e de confirmar a maioria.” 🙂
  • “Como sou indiano e estava em Seattle, as pessoas não me perguntavam onde eu trabalhava – perguntavam em que setor da Microsoft eu trabalhava. Só que sou engenheiro mecânico!”
  • “Como é proibido beber na Indonésia, vocês terão que se virar com chá ou café. Sorry!”
  • “Ele é indiano mas pode comer carne.”

É engraçado ver quantas pessoas de diferentes partes do mundo gostam de futebol (um deles torce para 4 times); como eu não gosto, quase todo mundo fica surpreso. Assim, já virei o “único brasileiro do mundo que não gosta de futebol”.

Abaixo algumas fotos de uma abertura “não-oficial” do MBA; um encontro marcado para todos na noite de ontem, véspera da abertura oficial (clique para aumentar).

abertura_nao_oficial