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Moinhos, moinhos e mais moinhos

Final de semana passado aproveitamos o solzinho gostoso da primavera e finalmente fomos visitar o Kinderdijk, um dos locais turísticos mais conhecidos da Holanda. E pensar que tudo começou  porque eles tiveram um monte de problemas com enchentes… Eu explico: o Kinderdijk é o local com a maior concentração de moinhos de toda a Holanda. […]

Abadia combina com cerveja

Domingo passado aproveitamos o belo dia de sol depois do Queen’s Day (assunto para outro post!) e resolvemos visitar a abadia O.L.V. Koningshoeven. Esta é a única abadia na Holanda que produz cervejas trapistas – sob o rótulo La Trappe – e, para nossa sorte, fica a apenas 30 minutos  do nosso apartamento. Bem diferente da longa viagem que enfrentamos até chegar à Westvleteren (que contei neste post).

A abadia e o “Tasting Room” (devem ter achado uma má ideia chamá-lo de “bar”, estando dentro de uma abadia…) anexo são muito bonitos e deu para perceber que muita gente que estava lá mora pelas redondezas e aproveita o lugar para comer alguma coisa ou passar algumas horas com a família. E nossos lanches estavam bem saborosos – eu comi um sanduíche pretensamente italiano e a Fê uma salada de atum, ambos com pães produzidos na própria abadia.

Mas eu estava interessado mesmo é na cerveja, até porque é da La Trappe uma das minhas favoritas, a Quadrupel. Aguçava ainda mais a minha curiosidade o fato da abadia produzir muitas cervejas – nada menos do que 8 tipos em produção regular, quando a “tradição” das cervejarias trapistas é produzir 3 tipos e às vezes mais uma cerveja mais leve consumida pelos próprios monges.

E dá para entender o porquê de tantos tipos quando você está lá: tudo, tudo mesmo, é claramente organizado como um negócio. Depois descobri que a cervejaria da abadia é uma subsidiária de uma grande cervejaria holandesa (a Bavaria, não a Heineken J) e que, exatamente por isto, eles perderam o direito de usar o logo Authentic Trappist Product por 6 anos, até que os monges re-assumiram o controle de forma mais ativa. Isto também deve explicar porque ela é a maior em termos de volume produzido, embora a Chimay e a Westmalle não estejam muito atrás.

Voltando para a cerveja, eu estava especialmente curioso para experimentar aquelas que não dá para encontrar no supermercado. Curiosamente, são as mais leves: a Blond, a Witte, a Puur e a Bock (talvez esta se encontre no inverno, vamos ver no final do ano). A boa notícia: nenhuma delas desaponta. A má notícia: para o meu gosto, elas não são as melhores produzidas pela La Trappe, então não adicionaram muito.

Mas justiça seja feita: tanto a Blond quanto a Puur (seria esta a única cerveja ecologicamente correta do mundo?) são muito boas. São leves, mas tem estrutura e sabor – não lembram em nada aquelas pilsen praticamente iguais umas às outras. A Witte me surpreendeu –esta manteve a sensação refrescante que todas as white beers tem e minimizou o que não me agrada, a sensação de um sabor meio azedo no retrogosto que simplesmente detesto. Só a Bock me pareceu um pouco pesada e enjoativa, mas tenho que experimentá-la de novo no inverno, não em um dia quente e ensolarado.

A Quadrupel continua sendo minha favorita, disparada. Com uma fermentação que continua após ser engarrafada, cor âmbar densa, encorpada, com um toque adocicado muito leve, cheia de sabor, é muito diferente de outras trapistas. A Isid’or é a segunda na lista, com sua cor um pouco mais avermelhada e sabor um tanto mais adocicado. O interessante é que esta é produzida com um lúpulo cultivado no local. Por fim, a Dubbel e a Tripel também são muito boas, mas ficam ofuscadas diante das primeiras – sem contar que eu prefiro estes tipos de outras abadias, como a Rochefort ou a Westmalle.

O passeio meio-que-guiado na cervejaria também foi interessante. Meio-que-guiado porque estávamos com um grupo de holandeses, então o guia não podia fazer o tour em inglês. Mas nos deu uma “apostila” que explicava tudo o que ele contava, então deu para aproveitar. E o guia estava sempre querendo saber se a gente tinha perguntas, muito simpático. Na verdade, foi meio estranho conhecê-la por dentro; apesar do processo de fermentação ser todo informatizado, o local onde a cerveja é produzida parece muito simples, quase artesanal. Só a linha de engarrafamento tem uma cara mais moderna. Apesar desta cara “artesanal”, a quantidade de pallets com garrafas vazias indicava que os monges não estão lá para brincadeira e levam a produção da La Trappe muito a sério. Só espero que nunca haja um incêndio lá, porque não tinha jeito do caminhão de bombeiros sair de onde estava 😀

Estava quase esquecendo: eles também envelhecem a Quadrupel em barricas por 12 meses, para depois engarrafá-la em uma garrafa diferenciada. Você até consegue saber que tipo de barrica foi usada em cada lote, pois elas vão alterar o sabor da cerveja de forma diferente. Esta Quadrupel Oak Aged só está à  venda na própria abadia e é claro que não pude deixar de comprar uma garrafa (a 10 euros!!!), que está guardadinha na geladeira esperando o momento de ser degustada. Mas esta vai merecer um post dedicado só a ela 🙂

Leiden

Depois de muito andarmos pelo Keukenhof, pegamos o ônibus de volta à Leiden e demos uma voltinha pela cidade. O dia estava lindo mesmo com o vento geladinho!

Mais uma cidade pequenina, mas muito charmosa. Paramos em um dos diversos bares na beira do canal e tomamos uma cervejinha, vinho rose e um camarão empanado delícia! Recebemos até uma visitinha inusitada. 🙂


O passeio também nos rendeu algumas fotos divertidas! 😛

Simplesmente Keukenhof

Nesse post me isento de palavras… As imagens, cores, contrastes, sutilezas e vibrações falam por si só.

😛

Delft, Holanda

Mais uma decisão no susto e… Vamos viajar!

Queria muito ir visitar o Keukenhof, famosa exposição de tulipas que anualmente ocorre na Holanda. Foi como o meu presente de aniversário. 😀

Tinha um ônibus que saia de Leuven às 7 da matina, fazia um percurso louco e chegava lá lá pela 1 da tarde, mas decidimos fazer outra coisa: Pegamos um trem com destino à Delft, a famosa cidade das porcelanas pintadas à mão em azul. Assim aproveitaríamos para conhecer Delft, depois em 30 minutos (de trem) iríamos para Leiden, também conheceríamos a cidade e em mais trinta minutos (de busão) chegaríamos no Keukenhof! Essa foi uma decisão mega boa! 😀

Chegamos por volta de 19hs em Delft e para nossa surpresa o hotel era um mega hotel (Hampshire)… hehehe… Deixamos as coisas e fomos bater pernas. Essa é uma das grandes vantagens da primavera/verão na Europa…Anoitece beeem tarde!

A cidade é muito lindinha. Super pequena, bem parecida com Amsterdam, canais por todo o lado e muito tranquila, talvez porque fosse dia de semana e véspera de feriado.

Paramos para jantar no Café Restaurant Royal. Comidinha boa, ambiente bem rústico (tinha até um quadro de uma vaca em cima da lareira 😉 ) e o mais legal é que parece que todos se conhecem. Todos que entravam cumprimentavam quase todo mundo que estava lá. O povo mudava de mesa para bater-papo e tinha alguns que entravam, cumprimentavam todo mundo, tomavam uma cervejinha do bar e iam embora… Coisas de cidade pequena. 😛

Tiramos algumas fotos da noite em Delft e fomos para o hotel descansar, pois no dia seguinte rumaríamos à Leiden/Keukenhof. Ao chegarmos ao hotel nos demos conta que esquecemos a pasta de dente… ai… pelo menos tínhamos um fio dental para quebrar o galho. 😆

Segundo dia foi dia de Keukenhof e Leiden, mas esse é um causo para outro post. 😉

Terceiro dia passeamos por Delft. Era um sábado e a cidade estava super movimenta e para a nossa sorte estava rolando uma feira de antiguidades, como aquelas da Benedito Calixto, à beira dos canais… Um charme!

Vimos também uma criança e um dos vendedores da feira usando o sapato de madeira tão característico da Holanda. Lindinhos!

Visitamos as igrejas Velha e Nova (Oude Kerk de 1246 e Nieuwe Kerk de 1351… e ainda a chamam de nova 🙂 ), lindas! E os órgãos então?! E como somos mega sortudos, enquanto visitávamos uma delas, começaram a tocar o órgão… Mágico! Senti como se as notas musicais fossem um belo e singelo bálsamo. Obrigada Deus!

Paramos para um almoço rápido e bem gostoso ao Sol. Ah! O Dú já contou sobre a cerveja que ele tomou nesse post aqui.

Logo depois fomos para a estação para voltarmos para Leuven, mas antes uma paradinha da padaria para comprarmos mais duas tortinhas de castanhas que havíamos experimentado quando voltávamos de Leiden no dia anterior. 😀 Prazeres da vida!

Ah! Mais uma curiosidade: Assim como em Leuven e Amsterdam as bicicletas estavam por todo lado. Encontramos até um guardador de bicicletas que parece um daqueles potes de pão de forma, manja?

A caminho de Amsterdam

Holanda tem um significado triplamente especial para mim:

1. Sempre ouvi muitas histórias contadas pelo meu sogro. Ele trabalhou em uma indústria holandesa e por muitos anos viajou por aquelas terras. Suas histórias são sempre muito ricas e cheias de emoção, o que dá um gosto ainda mais especial à sua narrativa.

2. Minha mãe, apesar de nunca ter visitado, tem uma fascinação incrível pela Holanda, as tulipas, os canais, o leite e etc. Cresci ouvindo que conhecer a Holanda era um sonho seu.

3. E Van Gogh. Sobre ele já contei um pouco no post Girassóis.

Pois bem. O Dú teve uma folguinha de alguns dias e planejamos nossa viagem para Amsterdam, Holanda. E o dia chegou… delícia!

Na sexta, 30 de outubro, acordamos preparamos nossa mala e fomos para a estação de trem arrastando nossa mala por 1,5 Km pelas ruas de Leuven… Pensaram que a saga das malas tinha terminado, não é? 😉

O trem saia às 11h48, chegamos uns 15 minutos antes e na fila para comprar os bilhetes só tinham três pessoas na nossa frente. Beleza! Beleza nada! O senhor que estava no caixa quando chegamos deve ter algum problema, ficou lá um tempão, empacado. Quando faltavam 4 minutos para o trem partir ele se resolveu. Os outros três foram rápidos e com 1 minuto corremos para a plataforma.

Podíamos ir por baixo, pelas escadas rolantes ou por cima, pelo elevador. Fomos por cima e quando chegamos à plataforma que deveríamos descer o elevador estava inoperante, pode?

Olhamos lá de cima o trem paradinho na estação, bateu o desespero. Descemos na plataforma seguinte, descemos pelas escalas, corremos pelo corredor e subimos na nossa plataforma, quando subimos o último degrau… o trem partiu! Vocês tinham que ver a cara do Dú, carregando a mala…. Mais uma para a saga das malas… hahah

Amsterdam 003Logo ele foi para o mural estudar os roteiros dos trens para não termos que ficar 1 hora ali morgando. Então 20 minutos depois pegamos o trem para Mechelen… Chegando lá, outra estudadinha nos roteiros dos trens, corremos para trocar de plataforma e pegamos o trem para Antuérpia. Chegamos em Antuérpia, ufa! Tínhamos uns 30 minutos até o nosso trem sair rumo à Amsterdam e aproveitamos para explorar a estação. Ela é LINDA!

Com toda essa mudança de trens ao invés de ficarmos parados esperando por uma hora, passando um super frio, ainda íamos ganhar uns trinta minutos no final das contas, mas…. logo que o trem de Antuérpia saiu, andamos uns 15 minutos e ficamos parados, por problemas técnicos, quase 1h30… Foi uma diversão ficar parados no trem ouvindo o Dú bufar. 😉

Pelo menos tínhamos nossos lanchinhos, água e ameixa para nos distrair… quando for viajar pela Europa, sempre tenha os seus lanchinhos, tudo no trem é muito caro e todo mundo faz isso!

Por volta das 18h30 finalmente chegamos à Amsterdam. Aí era só pegar o Tram (um bonde mega legal que circula toda a cidade) e nos esparramar no hotel. Na saída da estação já vimos os Trams e a muvuca de pessoas e bicicletas… começamos a sentir o clima da cidade. Em menos de 15 minutos chegamos ao hotel, ufa!

Amsterdam 027O hotel que ficamos foi o Nicolaas Witsen. Um hotel simples, mas simpático. Quarto e banheiro pequenos, mas limpinhos. Não tão perto do centro, mas o que também é uma vantagem, em função do barulho. Com um preço bem bom. O único problema era o colchão, meu Deus! Como eu sou pequena e, conseqüentemente, mais leve acabo não sofrendo tanto com colchões muito moles, mas o Dú…

Nos trocamos e fomos procurar um restaurante para jantar! Fomos para Leidseplein onde tem uma super concentração de restaurantes, bares e clubs. Já no caminho pudemos perceber a zona nas ruas, cada um por si. A escala de prioridade lá é Tram, carro, bicicleta e bem por último os pedestres. A maior muvuca. Você tem que ficar muito atento para não ser atropelado. Ninguém pára para pedestre, não! 😉

Como era época de Halloween, na frente dos clubs se via de tudo, tudo mesmo… Sentimos mais um pouco do clima da cidade.

Depois de percorrer quase todos os restaurantes escolhemos o Sherpa, um nepalês/tibetano e foi uma escolha bem acertada. Um restaurante pequeno e bem típico, decoração, música e garçons. Tudo muito gosto e não muito caro!

Voltamos para o hotel e fomos dormir, afinal tínhamos que estar bem dispostos na manhã seguinte para explorarmos Amsterdam, mas… no meio da noite acordo com o Dú se mexendo e caio na besteira de perguntar: “O que foi?”, e como já era de se esperar, ele meio dormindo resmunga: “Está tudo errado! Esse colchão é uma droga, o travesseiro é grande, eu estou com calor. Está tudo errado!”“Tá bom, Dú. Volta a dormir.” hahahaha