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Mais sobre Shanghai – parte 5

Todo mundo diz que Shanghai e Beijing são duas cidades completamente diferentes e isto não é exagero. Até por conta de sua história, Shanghai é muito mais ocidentalizada do que Beijing, mas isto não é suficiente para explicar a diferença. O fato é que Beijing – talvez por ser a sede do governo – ainda parece carregar por todos os lados sinais de uma China “antiga”, talvez anterior à abertura da economia, ao mesmo tempo em que tem uma certa “atmosfera” política. Shanghai, por outro lado, deixa muito clara sua vocação para negócios – algo que imagino ser natural em toda cidade que é um centro financeiro importante. Um dos nossos colegas norte-americanos disse que Beijing é como Los Angeles, enquanto Shanghai se parece mais com Nova Iorque.

De modo geral, Shanghai é uma cidade muito mais “compacta” do que Beijing, já que as duas tem aproximadamente a mesma população mas a primeira só tem 40% da área da segunda. As regiões da cidade também estão muito melhor delimitadas do que em Beijing – o centro financeiro (onde está a TV Tower) transmite sofisticação e modernidade – nem poderia ser diferente, pois há apenas 30 anos atrás toda esta área era basicamente habitada por pescadores e outras pessoas ligadas à economia local. Quando você se afasta de lá acaba encontrando áreas com residências e hábitos muito mais ligados ao passado. À noite a cidade se enche de luzes, diferentes a cada dia, como que reafirmando sua opulência. Aliás, prédios com arquitetura arrojada é o que não falta e isto mais ou menos se tornou uma marca registrada da cidade. A área para caminhada à margem do rio Huangpu – o Bund – dá um charme especial à cidade, também graças aos edifícios construídos na avenida beira-mar em diferentes períodos usando diferentes estilos, resultado do estado de semi-colonialismo que a cidade viveu durante vários anos. Visitar o museu que conta a história da cidade (fica na TV Tower) foi interessante, pois é muito claro como este passado ainda está presente – um dos palestrantes colocou que a China sente um certo “ressentimento” (talvez esta não seja a melhor palavra) do Ocidente por não reconhecer o quanto ela progrediu nas últimas décadas, uma leitura que me parece muito correta.

A face moderna de Shanghai:

As mesmas observações a respeito da infra-estrutura de Beijing valem para Shanghai – excelente, moderna e funcional. O metrô, apenas como exemplo, tem estações enormes, muito bem organizadas, limpas e modernas. Alguns detalhes são muito legais – o ticket é um cartão plástico magnético, que é usado na entrada mas também recolhido na saída, para ser reaproveitado. Há várias máquinas automáticas para a venda dos bilhetes, com opção de mostrar os nomes das estações em inglês (aliás, se precisar se localizar, use uma destas máquinas que é muito mais fácil). E apenas para efeito de comparação, ele tem 12 linhas, 264 estações e 420 Km de extensão. Deixo para os leitores mais curiosos a tarefa de comparar estes dados com os do metrô de São Paulo. Outra coisa que chama a atenção é a quantidade de viadutos e vias elevadas – em alguns pontos há uma confluência delas e podemos ver 5, 6 diferentes vias, algumas muito, muito altas.

A face antiga de Shanghai:

A mesma sensação de segurança está presente, mas desta vez o policiamento é visível – em certo momento estávamos indo para um dos nossos jantares “oficiais” e passamos por um homem desacordado que havia sido algemado e estava cercado por policiais. Mas esta foi outra semana sem ouvir uma só sirene, mesmo tendo percorrido uma boa distância na cidade. O trânsito também é caótico, mas de forma um pouco diferente, pois há muito menos bicicletas, riquixás e motos adaptadas. O número de pedestres, em compensação, é enorme.

Em resumo, acho que nossos colegas do MBA da Universidade de Peking estavam certos: São Paulo tem ainda mais a cara de Shanghai, mas Shanghai é uma versão mais moderna, sofisticada e em alguns aspectos melhorada de São Paulo.

O Bund:

Um pouco mais sobre Beijing – parte 3

Hoje deixamos Beijing e fomos para Shanghai, então acho que seria interessante falar um pouco mais sobre a cidade, antes que minhas percepções comecem a ficar misturadas.
Em vários aspectos Beijing lembra São Paulo – é uma cidade enorme, muita gente, congestionamentos frequentes, shopping centers por todos os lados, a qualidade do ar sofre principalmente em função do tráfego intenso (embora no passado fábricas muito poluidoras tenham contribuído bastante para isto), muitos novos edifícios sendo construídos. Como em São Paulo, um não-residente sente dificuldade para localizar-se bem na cidade. Se você tem dúvida, dê uma olhada nas fotos abaixo:

Porém, quando você começa a prestar atenção aos detalhes, vê enormes diferenças. Talvez seja possível resumir muitas destas diferenças em duas palavras. A primeira é planejamento. Enquanto São Paulo é simplesmente caótica, você vê um planejamento em muitos aspectos de Beijing – as avenidas são largas, o mesmo vale para as calçadas; o tamanho do metrô é simplesmente humilhante em relação ao metrô de São Paulo; há vários edifícios enormes, mas também bastante espaço entre eles, o que diminui a sensação claustrofóbica que algumas ruas de São Paulo criam. De modo geral, a infra-estrutura também dá de 10 a 0 na de São Paulo: as ruas são excelentes, meus colegas que andaram de metro disseram que ele também é muito bom (e com mensagens em inglês sobre as estações…), de modo geral a cidade é bastante limpa. Bejing também tem 6 anéis viários progressivamente mais afastados do centro, enquanto São Paulo ainda esta para completar seu primeiro anel… Isto sem falar na segurança: andando à noite você não se sente inseguro, não existe um policiamento ostensivo (a não ser na Praça da Paz Celestial) e em mais de uma semana que ficamos lá não ouvi sirenes uma única vez (e andamos bastante entre o hotel, universidade e empresas).
A segunda palavra é diversidade. Beijing é uma grande mistura: você vê um edifício comercial super moderno e ao lado dele um residencial bastante antigo e deteriorado; ruas paralelas às grandes avenidas que são estreitas, com restaurantes que vendem comida através de “janelas”; o mercado de comidas exóticas fica espremido entre prédios de um grande centro comercial; enormes terrenos vazios entre edifícios recem-construidos. Carros super modernos (BMWs e Audis são bastante populares aqui) disputam espaço com bicicletas, alguns riquixás e várias motocicletas transformadas em um pequeno “caminhão” (com uma caçamba) ou em uma espécie de mini-carro (na realidade, alguma coisa parecida com uma gaiola fechada de metal que deve ser uma verdadeira estufa no verão).

Talvez a explicação seja mais simples – tanto Beijing quanto São Paulo são cidades enormes, e toda cidade deste tamanho terá certas semelhanças. Vamos ver como será em Shanghai, especialmente porque todos dizem que as cidades são completamente diferentes – e conversando com algumas alunas do MBA da Universidade de Peking (curso “irmão” do da Vlerick, já que a Vlerick é responsável pelo conteúdo acadêmico), elas disseram que eu iria achar Shanghai mais parecida com São Paulo.

Semelhanças ou diferenças?

Organizando as fotos me deparei com duas fotos do mesmo lugar, mas em diferentes estações…

A magia das estações do ano…

Agora tenho que ficar esperta e tirar as mesmas fotos, mas na primavera! 😛

Boas não… Ótimas Festas!!!

Possivelmente não teremos tempo de escrever outros posts ainda esse ano… estamos saindo de férias… mas na volta conto tudo com detalhes! 😀

Dessa forma, desejamos um Natal muito especial. Que o Papai Noel venha com o saco bem cheio… cheio de alegria, paz, amor, desenvolvimento, crescimento e tudo de bom!

Que 2010 seja um ano ainda mais especial que 2009. Um ano em que possamos nos desenvolver e crescer em todos os sentidos de nossas vidas…

Que possamos aproveitar as nossas diferenças como um item indispensável e complementar para uma vida ainda mais temperada.

Até breve!