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Um sapão educado

Sexta-feira, dia não oficial de trabalhar em casa na Holanda (ou pelo menos na Philips). O escritório fica meio vazio (ótimo para achar salas de reunião livres) e mais silencioso.

Estava eu numa destas sextas-feiras trabalhando sossegado, ninguém ao meu lado e apenas uma pessoa na minha frente, do outro lado da baia baixa. Como não quero alimentar estereótipos sobre diferentes culturas, vou dizer apenas que ele com certeza não é nem holandês nem brasileiro.

De repente um arroto. Não foi assim um arrotão escancarado, foi mais como um arroto controlado – mas ainda assim bem audível. “Ele deve estar meio mal do estômago”, pensei com otimismo com os meus botões. Algum tempo depois… outro arroto. Mesmo esquema: controlado, mas sem dúvida um arroto. E mais um. E outro. Bom, você pegou a ideia da situação.

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Só para variar, veio um espirro. “Sorry!”, eu ouço vindo do outro lado da baia.

Sapão, mas ninguém pode negar que era educado Winking smile

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Se o seu bolso furar…

Ainda na linha “francos e diretos“, outro dia estávamos caminhando até o supermercado, quando logo ao passarmos por dois senhores pela calçada, o Dú diminuiu o passo, olhou para baixo, parou, colocou a mão no bolso e disse: “Meu bolso está furado”.

Eu olhei para trás e os dois senhores, enquanto abriam a porta de casa, olhavam para nós curiosos, olhavam para o chão e riam.

Quando o Dú se abaixou para pegar uma moeda que tinha escorregado por entre a calça e a perna, presa ainda na parte de dentro da calça, a senhora apontando para nós se matava de rir e falava alguma coisa em alto e bom tom.

Eu ria e morria de curiosidade de saber o que a senhora dizia. hahaha

E o Dú, retirando as moedas restantes do bolso, ria e reclamava: “Fica tirando o sarro de mim, fica?!”

“Mas não fui eu, foi a tiazinha!” hahahaha

Francos e Diretos

Já falei sobre nossas primeiras impressões sobre os holandeses? Não, acho que ainda não.

Pois bem, são pessoas abertas, flexíveis, que adoram uma boa conversa, muito brincalhonas, francas e diretas, bem diretas. E se você tem alguma dúvida sobre essas duas últimas características, dê só uma olhada na placa na entrada da casa de um dos nossos vizinhos. 😀

E aí, precisa de mais alguma evidência sobre a objetividade desse povo?! 😛

Você consegue agachar assim?

Outro ponto forte da nossa viagem à China foram algumas curiosidades especialmente àquelas relativas a diferença cultural. Uma delas é a forma como as pessoas “descansam” as pernas. Adultos, idosos, homens, mulheres e crianças, em qualquer lugar, quando esperam por algo/alguém não lhes resta dúvida simplesmente agacham!

Como eles estão tão acostumados a agachar e permanecer nessa posição, em muitos lugares, especialmente nas bancas que vendem comida nas ruas, vimos as mesinhas e banquinhos também baixinhos.

Eu não consigo, o Dú consegue e você consegue agachar como os chineses??? Preciso me alongar mais… ui ui! 😛

O Bill até tentou, mas vejam só o calcanhar dele… Não chegou ao chão. 🙂

Os guardas/seguranças também dão uma agachadinha para relaxar… hehehe

E mais uma curiosidade: enquanto eu escrevia esse post, dei uma pesquisada para saber como melhor descrever como os chineses “descansam” as pernas e aí ao ler os sinônimos de agachar no dicionário achei a maior graça: abaixar, acaçapar, acachapar, acocar, acochar, acocorar, acocorinhar, alapar, alapardar-se, alavercar-se, baixar, curvar, encolher, enconchar. Adorei! 😉

Ufa! A primeira semana do MBA acabou…

Patos à parte, hoje terminou a primeira semana real do meu MBA. Digo isto porque a maior parte da semana passada foi gasta com sessões informativas e encontros extra-curriculares à noite, e apenas na sexta-feira tivemos nossas primeiras aulas (aliás, fizemos a análise de um caso aparentemente simples com o próprio reitor da escola, e foi impressionante não só a riqueza da avaliação dele como a velocidade com que ele conduziu a discussão… Imagino que quem ainda não tem um background em negócios teve dificuldade em acompanhar tudo o que foi discutido).

Bom, devo dizer que não lembro de ter tido uma semana tão cansativa quanto esta… Não é apenas o volume de material – que realmente é enorme – é todo um conjunto de coisas: aulas das 09h00 às 17h300 (com vários dias indo até um pouco mais tarde), se comunicar em uma segunda língua, ao invés da sua língua nativa, entender sotaques muito diferentes (só nesta semana tive aulas com um sul-africano, um neo-zelandês, uma americana e um holandês), todo dia preparar os casos que serão discutidos no dia seguinte, manter-se engajado na discussão – que por vezes se torna super acelerada -, trabalhar em grupos com backgrounds, culturas e formas de solucionar problemas diferentes; tudo isto demanda uma grande dose de energia mental, muito acima do que normalmente usamos em nosso dia-a-dia “normal”. Na quarta-feira já estava à beira de um curto-circuito; como outros também estavam assim, apenas li os cases que seriam discutidos na quinta e fomos para um bar tomar uma cerveja e dar risada (todo ex-aluno enfatiza que as amizades que você desenvolve ao longo do curso é uma das mais importantes e melhores coisas que você leva de um MBA…).

Agora o outro lado: o primeiro curso que finalizamos, Managing Across Cultures, foi simplesmente excelente…  Tanto pelo professor; dinâmico, desafiador, com uma enorme bagagem acadêmica, nas situações descritas e no ensino através de cases; quanto pelo que pudemos aprender e pela possibilidade de aplicar imediatamente isto. Afinal, não dá para imaginar o que é trabalhar num grupo com uma grande diversidade cultural antes de se encontrar no meio de uma situação como esta (e quem me conhece sabe que eu não ia exagerar!)… Este curso realmente melhorou muito a nossa chance de fazer o grupo funcionar bem (uma das coisas que aprendemos é que não há meio-termo; um grupo culturalmente diverso terá uma performance muito melhor ou muito pior do que um grupo homogêneo; e não é “por acaso” que a primeira alternativa acontecerá). Só pra dar uma ideia, o gráfico abaixo mostra o perfil dos países das pessoas do meu grupo, de acordo com as dimensões definidas por Hofstede, um dos pioneiros neste campo. Quando você estuda melhor as peculiaridades da cultura de cada país, o cenário se torna muito, muito mais complexo – e é estimulante poder vivenciar isto!

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Pra concluir, difícil imaginar uma escolha mais acertada para o início do programa… Certamente vamos precisar do que aprendemos, porque na próxima semana estamos designados para trabalhar em outros dois grupos diferentes, além do grupo que temos em Managing Across Cultures (ainda temos assignments para concluir…).

Felizmente, este final de semana deve ser um pouco mais tranquilo, pois tenho menos pré-leituras para a segunda-feira. Vou aproveitar para adiantar algumas coisas que tenho que fazer para microeconomia, gestão de carreira, Cultures… Ah, e não posso esquecer que nosso grupo tem reunião domingo, às 17h00! (afinal, não é à toa que temos acesso 24×7 ao prédio da escola 🙂 ).