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Isto sim é que é loja!

Algum tempo atrás resolvi checar que cervejarias estão perto de casa – é um passeio normalmente interessante, com o bônus de te dar a chance de experimentar cervejas que não estão à venda em outros lugares.

Um link leva a outro e acabei descobrindo uma loja especializada em cervejas que todo mundo dizia ter uma variedade impressionante. Um dos comentários era hilário – “meu sonho de consumo é estacionar uma van na frente da loja e comprar com um cartão sem limite de crédito.” Smile

O problema é que esta loja fica na Bélgica, meio-que-bem-longe de casa. O negócio então foi esperar nosso estoque da máquina de lavar louça chegar a zero, aproveitar um dia cinza e chuvoso, encher-se de disposição e botar o pé na estrada. Ainda bem que as viagens de carro por aqui são tranquilas – e sem pedágio.

Difícil saber o que esperar de uma loja que lista em seu site mais de 1000 diferentes rótulos (não, não coloquei um zero a mais!), mas o resultado é um só: você fica totalmente perdido, olhando para todos aqueles rótulos desconhecidos e se perguntando quais vale a pena colocar no carrinho – afinal, será impossível comprar todas (a não ser que vá com o amigo da van ali de cima…).

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loja02Ainda bem que me planejei um pouco e estava com A lista das melhores cervejas belgas, de acordo com o Rate Beer e o Beer Advocate. Começou então uma caçada para encontrá-las, o que demandou muita concentração para resistir à tentação de ir pegando garrafas a esmo. Smile O resultado? 26 cervejas diferentes, sendo apenas 4 já conhecidas e só umas 6 fora da lista das melhores cervejas belgas (mas estas estão quase todas na minha lista de cervejas preferidas).

Dentre as 26, algumas da De Struise Brouwers, micro-cervejaria que emplacou um número assustador de posições na lista das melhores e já foi eleita melhor cervejaria da Bélgica e do mundo (!). Alguns rótulos tem produção limitadíssima e venda restrita a 4 garrafas por pessoa…:

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E um punhado da Mikkeller, cervejaria “cigana” (eles não tem uma linha de produção própria) eleita cervejaria do ano na Dinamarca, que tem como objetivo criar cervejas que “desafiam o limite do que conhecemos como cerveja” (quando eu descobrir o que isto quer dizer eu conto aqui…):

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Claro que a loja também tem muita coisa regularmente encontrada em supermercados: Leffe, Duvel, etc., etc. Mas pra que comprar ali o que você encontra em (quase) qualquer lugar? E às vezes o preço também não compensava – mais um motivo para se concentrar no que você só vai encontrar lá. Mas para ser justo, apesar da variedade incrível, não dá para dizer que eles tem tudo – a DeuS, por exemplo, não está na lista de cervejas à venda. Ainda bem que a minha ainda está guardadinha, esperando o momento certo de ser aberta. Winking smile

Se estiver na Bélgica, próximo de Gent, não deixe de visitar a Dranken Geers.

Agora com licença; nos próximos meses estarei ocupado experimentando o que a Bélgica tem de melhor a oferecer em termos de cerveja. Open-mouthed smile

Como um país pequeno e de pouca expressão acabou dominando o mundo da cerveja? Como?

brewedforceÉ o que a Economist tenta responder nesta matéria: Brewed force.

Apesar de falar muito da Stella e da Westvleteren e quase nada sobre todas as outras excelentes cervejas produzidas na Bélgica, a matéria é muito interessante ao explicar como o país conhecido pelos seus “mussels and chips” (pelo menos o autor não usou French fries Smile with tongue out) se tornou o paraíso para quem gosta de uma boa cerveja.

Finalmente um dos meus colegas tem uma explicação para a dúvida que o atormentou durante todo o MBA: “por que a Bélgica tem tantas cervejas diferentes?” Antes tarde do que nunca Smile

Minhas cervejas belgas favoritas

Faz quase um ano que publiquei a lista das minhas cervejas belgas favoritas, então acho que este é um bom momento para atualizá-la.

Na verdade eu vou apenas aumentar a lista anterior – bebi recentemente quase todas aquelas cervejas (as exceções são as Chimay e a Tongerlo bruin) e continuo achando todas elas deliciosas. Mas como agora temos mais tempo para procurar cervejas que não havíamos experimentado antes, era de se esperar que encontrássemos outras cervejas tão – ou mais – deliciosas quanto aquelas. E todas estão devidamente acondicionadas na nossa máquina de lavar louça 🙂

Eis minhas novas favoritas:

  • Gulden Draak: quem vê cara não vê coração e a estranha garrafa branca com um dragão dourado (????) esconde uma tripel escura deliciosa e totalmente diferente das outras tripel
  • Hoegaarden Grand Cru: a Hoegaarden normal é um horror, mas esta strong pale (clara e forte) não deve ser subestimada
  • Val-Dieu Tripel: a melhor entre uma pequena seleção de tripels que comprei para experimentar
  • Straffe Hendrik Brugse Tripel: bastou uma garrafa para garantir sua presença nesta lista. Descobri que também é produzida uma Straffe Hendrik Quadrupel; quer motivo melhor para uma segunda visita a Bruges?
  • Bush Beer: eu havia experimentado esta cerveja antes (post!), mas não lembrava que era tão boa. Esta talvez seja a mais “moderna” de todas: só começou a ser produzida em 1933 😛
E aqui a lista original:

  • Westvleteren: todas (mais detalhes neste post)
  • Rochefort: todas
  • Westmalle: dubbel e tripel
  • Chimay: rótulos vermelho e branco
  • Tongerlo bruin
  • Affligem tripel
  • St-Bernardus ABT 12
  • Karmeliet Tripel
  • Hopus

Onde comprar boa cerveja belga?

Quem já leu outros posts sabe que gostamos de experimentar diferentes cervejas – e que este é um verdadeiro trabalho de Sísifo na Bélgica (felizmente sem nada de tedioso!), graças à enorme variedade de cervejas produzidas neste pequeno país.

Se você está visitando o país, nada mais natural do que se perguntar onde achá-las. Supermercados normais em geral tem uma variedade muito boa, mas é claro que não dá pra competir com as lojas especializadas. Em Gent descobrimos uma loja muito legal, a Beer and Ginhouse. Ela fica um pouco fora do centro da cidade, em uma área muito bacana e que vale a visita.

Em Bruxelas há várias no entorno da Grand Place e em Brugge há outra bem bacana exatamente no centro (não tenho os endereços para indicar). É claro que esta não é uma lista extensiva, então fique atento ou pesquise antes de ir! Minha sugestão é dar uma olhada nas cervejas disponíveis em um supermercado antes de visitar uma destas lojas – elas serão mais baratas – e aproveitar a variedade delas para comprar aquelas cervejas menos comuns, não as que são facilmente encontradas.

Para terminar, se estiver na Holanda vale a pena dar uma olhada em uma Mitra (vários endereços). Eles tem uma boa variedade de cervejas belgas, holandesas, inglesas e alemãs e muitas vezes o preço é apenas um pouquinho mais caro do que em um supermercado na Bélgica. Infelizmente os supermercados daqui tem uma seleção muito limitada e sem-graça de cervejas belgas, então não se espante se ficar decepcionado.

Abadia combina com cerveja

Domingo passado aproveitamos o belo dia de sol depois do Queen’s Day (assunto para outro post!) e resolvemos visitar a abadia O.L.V. Koningshoeven. Esta é a única abadia na Holanda que produz cervejas trapistas – sob o rótulo La Trappe – e, para nossa sorte, fica a apenas 30 minutos  do nosso apartamento. Bem diferente da longa viagem que enfrentamos até chegar à Westvleteren (que contei neste post).

A abadia e o “Tasting Room” (devem ter achado uma má ideia chamá-lo de “bar”, estando dentro de uma abadia…) anexo são muito bonitos e deu para perceber que muita gente que estava lá mora pelas redondezas e aproveita o lugar para comer alguma coisa ou passar algumas horas com a família. E nossos lanches estavam bem saborosos – eu comi um sanduíche pretensamente italiano e a Fê uma salada de atum, ambos com pães produzidos na própria abadia.

Mas eu estava interessado mesmo é na cerveja, até porque é da La Trappe uma das minhas favoritas, a Quadrupel. Aguçava ainda mais a minha curiosidade o fato da abadia produzir muitas cervejas – nada menos do que 8 tipos em produção regular, quando a “tradição” das cervejarias trapistas é produzir 3 tipos e às vezes mais uma cerveja mais leve consumida pelos próprios monges.

E dá para entender o porquê de tantos tipos quando você está lá: tudo, tudo mesmo, é claramente organizado como um negócio. Depois descobri que a cervejaria da abadia é uma subsidiária de uma grande cervejaria holandesa (a Bavaria, não a Heineken J) e que, exatamente por isto, eles perderam o direito de usar o logo Authentic Trappist Product por 6 anos, até que os monges re-assumiram o controle de forma mais ativa. Isto também deve explicar porque ela é a maior em termos de volume produzido, embora a Chimay e a Westmalle não estejam muito atrás.

Voltando para a cerveja, eu estava especialmente curioso para experimentar aquelas que não dá para encontrar no supermercado. Curiosamente, são as mais leves: a Blond, a Witte, a Puur e a Bock (talvez esta se encontre no inverno, vamos ver no final do ano). A boa notícia: nenhuma delas desaponta. A má notícia: para o meu gosto, elas não são as melhores produzidas pela La Trappe, então não adicionaram muito.

Mas justiça seja feita: tanto a Blond quanto a Puur (seria esta a única cerveja ecologicamente correta do mundo?) são muito boas. São leves, mas tem estrutura e sabor – não lembram em nada aquelas pilsen praticamente iguais umas às outras. A Witte me surpreendeu –esta manteve a sensação refrescante que todas as white beers tem e minimizou o que não me agrada, a sensação de um sabor meio azedo no retrogosto que simplesmente detesto. Só a Bock me pareceu um pouco pesada e enjoativa, mas tenho que experimentá-la de novo no inverno, não em um dia quente e ensolarado.

A Quadrupel continua sendo minha favorita, disparada. Com uma fermentação que continua após ser engarrafada, cor âmbar densa, encorpada, com um toque adocicado muito leve, cheia de sabor, é muito diferente de outras trapistas. A Isid’or é a segunda na lista, com sua cor um pouco mais avermelhada e sabor um tanto mais adocicado. O interessante é que esta é produzida com um lúpulo cultivado no local. Por fim, a Dubbel e a Tripel também são muito boas, mas ficam ofuscadas diante das primeiras – sem contar que eu prefiro estes tipos de outras abadias, como a Rochefort ou a Westmalle.

O passeio meio-que-guiado na cervejaria também foi interessante. Meio-que-guiado porque estávamos com um grupo de holandeses, então o guia não podia fazer o tour em inglês. Mas nos deu uma “apostila” que explicava tudo o que ele contava, então deu para aproveitar. E o guia estava sempre querendo saber se a gente tinha perguntas, muito simpático. Na verdade, foi meio estranho conhecê-la por dentro; apesar do processo de fermentação ser todo informatizado, o local onde a cerveja é produzida parece muito simples, quase artesanal. Só a linha de engarrafamento tem uma cara mais moderna. Apesar desta cara “artesanal”, a quantidade de pallets com garrafas vazias indicava que os monges não estão lá para brincadeira e levam a produção da La Trappe muito a sério. Só espero que nunca haja um incêndio lá, porque não tinha jeito do caminhão de bombeiros sair de onde estava 😀

Estava quase esquecendo: eles também envelhecem a Quadrupel em barricas por 12 meses, para depois engarrafá-la em uma garrafa diferenciada. Você até consegue saber que tipo de barrica foi usada em cada lote, pois elas vão alterar o sabor da cerveja de forma diferente. Esta Quadrupel Oak Aged só está à  venda na própria abadia e é claro que não pude deixar de comprar uma garrafa (a 10 euros!!!), que está guardadinha na geladeira esperando o momento de ser degustada. Mas esta vai merecer um post dedicado só a ela 🙂

Ahhh, as cervejas belgas…

Nos últimos dias estava pensando nas cervejas belgas… Nas cervejas belgas que ainda não experimentei.

Mas eu tenho que ser honesto: eu experimentei muitas cervejas belgas. Alguns colegas escolheram logo de cara uma favorita e se agarraram a ela como um náufrago ao bote salva-vidas. Eu fui mais eclético; claro que tenho algumas favoritas, mas sempre que dava de cara com uma cerveja diferente eu experimentava. Então eu estava mais ou menos confortável de que já havia provado o que de melhor a Bélgica tem a oferecer em termos de cerveja.

Até que esta semana um dos nossos colegas enviou o site de uma beer fest em Bruxelas. Comecei a olhar a lista de cervejas e não fui “ticando” muitas… Segui em frente e “tiquei” menos cervejas ainda… Desespero total: onde eu estava que não vi estas cervejas????? Cheguei nas trapistas: ufa, quase 100% de aproveitamento 😀

A verdade é que é impossível experimentar todas. Primeiro porque tem algumas que você não topa de jeito nenhum (como as de fruta ou as brancas, no meu caso). Segundo porque outras são produzidas por cervejarias muito pequenas e acabam servindo apenas o mercado local. Então o lance é identificar o estilo que mais agrada e se concentrar nele – com visitas esporádicas aos outros estilos, é claro 🙂

Mas para ajudar os amigos que estão começando a descobrir estas cervejas maravilhosas, aqui estão as minhas favoritas (mas eu posso ter deixado alguma de fora):

  • Westvleteren: todas (mais detalhes neste post)
  • Rochefort: todas
  • Westmalle: dubbel e tripel
  • Chimay: rótulos vermelho e branco
  • Tongerlo bruin
  • Affligem tripel
  • St-Bernardus ABT 12
  • Karmeliet Tripel
  • Hopus

Cheers!

A melhor cerveja do mundo

Pois é, domingo passado tivemos a chance de experimentar a cerveja que aparece no primeiro lugar em vários sites especializados (Beeradvocate, ratebeer, BeerPal.com e outros, provavelmente). Mas não foi exatamente uma moleza…

Esta é uma cerveja trapista, e o objetivo dos monges de todas estas abadias ao produzir cerveja é financiar a vida monástica. Só que os monges da abadia Saint Sixtus de Westvleteren levam isto ao extremo: eles produzem apenas o que precisam para financiar a abadia e só vendem a cerveja na própria abadia ou no bar/restaurante que pertence a eles e que fica em frente à abadia (e a quantidade na loja é limitada: uma caixa de 24 garrafas por carro, por número de telefone, por mês! Reservas antecipadas, é lógico… No bar, nem isto: você tem que consumir lá mesmo…). Ou seja, se quiser experimentar, tem que ir na fonte. O problema é que a fonte fica a 170 km de Leuven, distância que nos levaria à França, Holanda ou Alemanha. Mas a viagem até que foi divertida, organizada por uma de nossas colegas belgas. Mas quando estávamos chegando… começou a cair uma baita chuva, e quando finalmente achamos o lugar tivemos que correr um pouco até chegarmos à entrada do bar/restaurante In De Vrede. Então, surpresa! O lugar é muito maior, muito mais bonito e muito mais cheio do que imaginava. Garanto que se ele estivesse em alguma esquina de São Paulo estaria lotado quase todo dia, independente da cerveja servida (a não ser que fosse Schin ou outra porcaria parecida, é lógico). Isto gerou alguma demora até que o primeiro copo de cerveja chegasse, mas aí tudo ganhou outra perspectiva!

São produzidos três tipos: a Blonde (clara), a 8 e a 12 (escuras). Mesmo a Blonde é muito diferente, ainda melhor do que as outras cervejas trapistas claras. É difícil explicar a diferença, é uma cerveja bastante encorpada mas ao mesmo tempo suave, macia e saborosa. Mas as melhores são mesmo a 8 e a 12. A 8 tem um sabor um pouco mais próximo do doce e é menos encorpada, enquanto a 12 é muito encorpada, muito macia e muito, muito saborosa. É curioso, mas o sabor da 12 também é super persistente, sensação quase idêntica à de alguns vinhos. As 3 ainda levam ao extremo uma característica de quase todas as cervejas belgas: você simplesmente não percebe o alto teor alcoólico delas (5,8%, 8% e 10,8%). É claro que desta vez tínhamos que experimentar todas, mas numa próxima oportunidade não preciso pensar duas vezes para concluir que o negócio é ficar com a 12. As três são um pouco mais caras do que as outras cervejas trapistas, mas não é uma diferença que assuste.

Quando estávamos indo embora ainda perguntamos na loja se não era possível comprar nem uma garrafinha sequer… Resposta negativa, então tivemos que nos contentar com um queijo :), também feito na abadia e também muito bom (mas eu o trocaria fácil por uma garrafa da 12 :D). E o mapa com a localização das cervejarias trapistas na Bélgica é interessante, porque mostra que cada uma fica num canto do país! OK, o país não é tão grande, mas tudo seria bem mais fácil se elas estivessem mais agrupadas :).

A volta já foi mais cansativa mas a viagem valeu a pena. Afinal, não é todo dia que você tem a chance de experimentar a melhor cerveja do mundo :).

O terceiro (e último) dia em Amsterdam :-(

Mais um belo café da manhã e nessa manhã não chovia 😉

Caminhamos em direção à estação central (já tirando um monte de fotos), pois íamos fazer um tour de graça. Na verdade não tem um preço definido. Você faz o tour de aproximadamente três horas e no final você paga o quanto você quer, pode ou julga valer. A empresa é a New Europe Tours e opera em outras cidades na Europa. Valeu muito à pena.

Acabamos escolhendo o guia que falava espanhol, já que o grupo era bem menor que os outros grupos com guia que falava inglês. Ele é bem divertido, o que deixou o passeio ainda mais interessante. Conhecemos os principais pontos no centro e suas histórias. As três principais entradas da cidade, a casa com a maior fachada e a casa com a menor fachada (simplesmente 1,8m de fachada), mas ela é bem bonitinha. Conhecemos a rua dos “judeus”, o bairro da Luz Vermelha, por lá fotos são proibidas, já que as mulheres ficam literalmente expostas em vitrines, e dizem que guardam garrafas com seu xixi caso alguém tire uma foto delas… então muito cuidado. Só pode olhar! Passamos pelas igrejas, a nova e a velha, e ainda tem uma bem no centro do bairro da Luz Vermelha. Passamos em frente à um dos coffeeshops mais famosos da cidade, onde o Brad Pitt, George Clooney, Robbie Coltrane e Matt Damon gravaram Doze homens e Outro Segredo. O cheiro de maconha você já sente desde a esquina. Fomos à casa da Anne Frank e terminamos nossa caminhada na beira de um canal, onde construíram três grandes triângulos no chão em referência à Anne Frank, aos homossexuais e aos judeus, já que esses são os símbolos históricos que representam, ou que fomentaram, a tolerância e o senso de liberdade nessa cidade.

Essa era a fachada da oficina do pai de Anne Frank.

anne_frank

Porta de entrada para o Begijnhof e ao lado as nove casas que dão fundo à praça, mas apenas uma porta! O Begijnhof é uma “vila” onde mulheres, que não fizeram voto, moram apenas para orar. Tem um em Brugge e em Leuven, mas no de Amsterdam atualmente só moram senhoras viúvas ou solteiras. Existe uma fila enorme de espera e pagasse-se muito para poder morar lá. É um lugar que inspira tranqüilidade.

Ah! Mais uma curiosidade: reparem que as casas são inclinadas para frente. Elas não estão entortando, não. Elas foram construídas propositalmente assim, pois como as escalas internas são muito íngremes e estreitas, móveis grandes eram içados por fora e, em a fachada sendo inclinada, não corriam o risco de raspar os móveis na fachada conforme os subiam. Dá para imaginar?begijnhof1

A única casa de madeira que ainda existe em Amsterdam é essa que fica no Begijnhof. Ao lado o Dú no pátio interno.begijnhof2

Outras perspectivas do pátio interno do Begijnhof.

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As casas pagavam imposto de acordo com o tamanho da sua fachada. Essa era a casa de maior fachada (a mais escura, atrás da árvore ;-)).maior_fachada

E essa a casa de menor fachada (pintada de vermelho… apenas 1,8m de fachada. Dá para imaginar. E ele disse que nessa casa vivem um casal com uma filha, o cachorro e as três bicicletas… ahahahmenor_fachada

Depois tomamos uma cerveja no Café de Prins, um dos bares tradicionais segundo o guia, mas mais uma vez não tivemos sucesso com as cervejas holandesas… as melhores cervejas servidas nessa terra ainda são as belgas 😉

cafe_de_prins

Voltamos ao bairro da Luz Vermelha, pois eu queria tirar foto de uma obra de arte de autor desconhecido que fica no chão. Segundo a história ela foi encontrada um dia e a retiraram de lá, depois de algum tempo, julgaram que não havia problema e voltaram com a obra para a rua. 😉 O guia sempre repetia: “Aqui nessa cidade, tudo se aproveita.” 😉

red_lights

Outra curiosidade: os coffeeshops surgiram em uma época em que Amsterdam tinha mais que 20.000 viciados em heroína, o que os levou a pensar em uma forma de diferenciar as drogas leves das pesadas, resultando assim em uma tolerância maior às drogas leves. Mas as coisas têm mudado. De 600 coffeeshops, hoje existem apenas 200 e todo o cuidado é pouco atualmente. A polícia está muito mais atenta e restritiva. Qualquer apologia à “maconha” é proibida, por isso o nome de coffeeshop.

Visitar Amsterdam e não conhecer um coffeeshop me parece quase impossível, então convenci o Dú! Voltamos ao Dampkring e… entramos! Às 12h00, quando passamos por lá com o guia vimos um senhor de cabelos e barba compridos e grisalhos e ao voltar, às 16h30 aproximadamente, ele permanecia por lá! 😉

Entramos e nos sentamos no balcão. Demos uma olhada no cardápio, queríamos só beber uma cerveja e iríamos embora, mas aí só vimos café, suco e refrigerante. Olhamos ao redor e todos bebiam café, suco e refrigerante. Olhamos no fundo e tinha outro balcão com várias gavetinhas com “ervas”. Perguntamos para a atendente se não tinha cerveja e a resposta foi: “Só é permitida a venda de uma droga por porta. Aqui não vendemos álcool.” Ah! Por isso o nome coffeeshop! heheheh

dampkring

Pedimos cada um um capuccino e logo depois chegaram os colegas do Dú, o indiano e o esloveno. Não sei se eles se surpreenderam mais em nos ver lá, ou se eles se sentiram surpreendidos por nós os vermos lá… hahaha

O ambiente é bem legal, descontraído, cada um fica na sua e ninguém invade o espaço de ninguém, mas realmente o cheiro, ou a “marola”, é bem forte. Quando acabamos nossos capuccinos fomos embora para evitar qualquer “reação” e para deixar os meninos à vontade, vai saber. eheheh. Valeu a experiência!

anoitecendoFotos durante o anoitecer, enquanto voltávamos para o Hotel.

À noite fomos jantar em um restaurante indonésio (achamos a referência no blog Amsterdamned, blog de uma australiana que vive em Amsterdam. Definitivamente essa é a melhor forma de planejar as viagens: pesquisar em blogs!) e os dois colegas do Dú foram conosco. Um restaurante agradabilíssimo, ótimo atendimento, a comida é divinal, definitivamente o melhor restaurante que comemos em Amsterdam. Recomendamos de olhos fechados. O restaurante é Kantjil & de Tijger. Comemos um Rames, um prato que vem com pequenas porções de diversos pratos típicos. Maravilhoso!

rames

Depois fomos conhecer um bar, que não está no roteiro turístico, mas descobrimos a dica em outro blog. O Ducs Amsterdam é um blog de um brasileiro que vive com sua esposa em Amsterdam, também tem várias dicas, sobre o que fazer, onde comer e onde beber boas cervejas holandesas… fomos conferir.

O bar é o t’Arendsnest. Um ambiente delicioso, pequeno e cheio de coisas nas paredes, bem poluído e super legal. O cardápio é enorme só com cervejas holandesas. São mais de 30 cervejas na pressão e mais de 100 cervejas na garrafa. É uma infinidade. Experimentamos duas diferentes, uma foi a La Trappe, única trapista holandesa, as outras 6 são belgas, e a outra foi uma Stout (como a Guinnes), muito boas as duas, mas quem vai comentar sobre elas de verdade é o Dú ;-).

t'Arendsnest1

Definitivamente devíamos ter conhecido essa bar na primeira noite, assim teríamos mais tempo para experimentar mais variedade de cervejas ;-). Fica para a próxima visita à Amsterdam.

no_tramNós no Tram voltando para o Hotel.

É isso aí pessoal. Esses foram os nosso três dias em Amsterdam. Deliciosos por sinal. Uma viagem que recomendo e, havendo a oportunidade, repetiremos!

Amanhã voltamos à Leuven!