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Bumbunzinho exibido

Fraldas? Que nada! Na China, ou melhor, em Beijing, é muito, muito comum você ver bebês que não usam fraldas, mas que vestem uma calça que deixa o bumbum de fora ou até mesmo, vestem apenas um tipo de avental.

Logo de cara achei uma gracinha ver aqueles bumbunzinhos exibidos pelas ruas, metro, por toda a cidade. Mas depois que processei um pouco a informação… humm… Mas e na hora das necessidades? Não, não, não! Vamos manter a imagem do bumbunzinho do jeito que estava. 😀

Felizmente só nos deparamos com bumbunzinhos assim: exibidinhos! 😛

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Summer Palace

Depois de A Cidade Proibida vem o Summer Palace. Pois é, o Imperador não satisfeito com sua pequena residência (A Cidade Proibida) também tinha à sua disposição o Summer Palace, com um “modesto” lago, jardins, residências, entre outras “pequenas” mordomias. Mais uma vez minha cabecinha naïve entrou em parafuso. E atualmente o governo enche as burras de dinheiro, porque é tanta gente visitando, que só estando lá para entender!

Deixando as questões existenciais de lado, vamos aos fatos: Fomos em um dia de muito calor, o que nos trouxe uma paisagem ainda mais linda, mas trouxe também um pouco de dificuldade, já que a moleza era geral. 🙂
O lago de 2.2 km2 foi inteiramente construído pelas mãos dos homens no ano de 1750. Dá para imaginar o trabalho que eles tiveram, já que os recursos da construção civil não eram lá essas coisas?… Ou melhor, não existiam!

Fico sempre muito impressionada com essas proezas humanas, porque com tão pouco recurso (tecnológico) tanto era feito!
Cruzamos o lago de barco e caminhamos mais um pouco pela extensão dos jardins do palácio. Dessa vez a muvuca não era tão evidente já que a área é bastante grande, mas quando andávamos pelos corredores cobertos, nos escondendo um pouco do forte Sol do dia, podíamos perceber o amontoado de gente 😉

No Summer Palace foi a primeira vez que vimos mais turistas (não orientais) e outra coisa que nos chamou bastante a atenção foi o número de grupos escolares visitando o lugar! 😀

A vista do Palácio por diferentes pontos

Novamente os telhados apresentam os animais em sua extremidade… Sinal do poder! 🙂

Na antiguidade acreditava-se que um degrau na porta seria uma barreira para os maus espíritos. Ainda é muito comum encontrar o degrau na entrada das casas. Muito cuidado para não tropeçar, mesmo porque eles não são muito baixinhos.

Muitas das rampas nos monumentos históricos são como essas, com “degraus”… Na chuva dá mais segurança, mas pode ser perigosa aos desatentos. Infelizmente vimos uma turista caindo em uma das rampas da Cidade Proibida. 😦

Um dos corredores que nos protegia do sol e um dos grupos de estudantes

Um japa na China

Estou lendo o livro It must’ve been something I ate do crítico culinário da Vogue Magazine Jeffrey Steingarten. O livro é composto por artigos em que o autor discute, critica, descreve experiências, explica de tudo e mais um pouco, mas sempre sobre comida. Estou aprendendo um monte com esse cara que escreve de forma descontraída e muito agradável.

Logo no primeiro artigo do livro conheci um atum especial, o Bluefin Tuna, um atum muito grande e muito caro. Em especial a carne mais gorda a qual é chamada Toro.
O Bluefin é um dentre os 13 de sua espécie. É um dos maiores peixes do mar (816 Kg parece ser o record) e um dos mais velozes (é capaz de nadar a 90 Km/hora). E normalmente ele é encontrado em seu trajeto entre Japão e Califórnia.

O autor descreve sua experiência em alto mar quando resolveu pescar por ele próprio o Bluefin e no próprio barco preparou seus sashimis.
Depois de ler esse artigo e de ficar com água na boca somente pela descrição feita, fiquei com isso na cabeça e em todos os restaurantes que vamos “isso” é o que primeiro procuro no cardápio.

Felizmente, após visitar a Cidade Proibida, paramos em um dos muitos Shoppings de Beijing e resolvemos almoçar em um restaurante japonês e para a minha felicidade lá estava ele. 😛
Muito mais caro que os demais sushis/sashimis, mas vamos que vamos, não é sempre que temos a oportunidade de experimentar um Bluefin. O bom é que de toda a forma a comida aqui é bem mais barata, especialmente se compararmos com a Europa. 🙂

Definitivamente o melhor sushi que já comi em minha vida. A cor, a textura e o sabor não se parecem em nada com o tradicional atum que encontramos nos restaurantes convencionais. É uma carne tenra que parece derreter na boca com sabor ao mesmo tempo suave e marcante… DI-VI-NO!!!!!

Agora sim é que a minha neura em busca do Bluefin se instalou! 😀 Ooops! Diversão acabada. Acabamos de ler na Wikipedia que alguns dos Bluefins estão em extinção 😦 O que me faz evidentemente repensar e tentar amenizar ao máximo a minha fissura 😦

O Bluefin Tuna… Perfeição!!!

Tempurá de camarão

Sushi de enguia… Muito sabor!

Tempurá de ostras… Esse ficou a desejar. As ostras absorveram todo o óleo.

A Cidade Proibida

Um dos pontos turísticos obrigatórios em Beijing é a Cidade Proibida. Eu já havia visto as fotos que o Dú tirou quando da primeira vez que veio à China e mesmo o dia estando meio chuvoso e nublado as fotos eram lindas (veja aqui o que ele postou sobre sua primeira viagem).

Então lá fomos nós, eu pela primeira vez e o Dú pela segunda. 🙂
Dessa vez o dia não estava meio chuvoso, estava INTEIRO. Nossa, quanta chuva. Durante o caminho de ida já quase desisti, o Dú estava com o guarda-chuva do hotel e eu estava com um guarda-chuva de criança, já que no dia anterior eu havia trocado com o Bill (um americado de 2 metros de altura); não dava para ver aquele homenzarrão andando com aquele quarda-chuvinha 😛

Logo ao sair da estação de metro já vimos a maior muvuca. Por Deus, como tem gente nessa terra! E para potencializar um pouco mais a muvuca, a chuva estava forte e todos estavam com seus guarda-chuvas andando para lá e para cá ainda mais desgovernados. 🙂

Finalmente achamos a fila para comprar os tickets e depois de um tempão debaixo de muita chuva e de muitas guarda-chuvadas conseguimos comprar os danados.
Mas a tortura não termina aí; fomos em direção à entrada e… Mais muvuca! Era tanto guarda-chuva junto que mais parecia um mar, não fosse o meu mau-humor pelo o que eu já relatei acima, eu até acharia aquele mar colorido bonito. 🙂

Mais empurra-empurra e finalmente entramos. Minha primeira impressão foi: Legal! Mas nada demais. Mas aí, andamos, andamos, andamos, cruzamos um, dois, três páteos e as grandes e minimalistas construções são realmente de impressionar.

Ao mesmo tempo me questiono porque apenas uma pessoa/família precisaria de tudo isso sendo que havia uma nação inteira passando por privações (e ainda há)? E não me pergunto apenas pela Cidade Proibida, mas pelos tantos castelos e outras construções históricas e hoje turísticas que demonstram com grande facilidade o quanto o poder estava conectado ao tamanho de suas posses. Mas para a minha cabecinha naïve isso não é nada lógico ou muito menos justo. E mesmo as coisas tendo se desenvolvido tanto o poder ainda é demonstrado pelos nossos bens. Qual é o seu carro? Onde é o seu apartamento? Quantos metros tem? Em que Shopping você faz suas compras? Quais as suas marcas preferidas?

Não sou hipócrita, também gosto de conforto e qualidade, mas será mesmo o conforto e a qualidade que governam nossa tomada de decisão ao fazer compras?
Ui! Que filosofada brava!
Ok, ok! Encurtando a história toda, o negócio é que a Cidade Proibida é mesmo muito interessante e mesmo com toda a muvuca, vale super a pena visitá-la! :
Percebam as sutilezas das construções. O número de animas da ponta do telhado representa a importância que aquele prédio tinha.

Essa foto foi tirada quando saímos da Cidade Proibida… Lindo!

As primeiras impressões de Beijing

Logo que deixamos o aeroporto rumo ao hotel pensei que havia chegado em São Paulo. Muito cinza, muito carro pela rua, muito prédio grande em construção, mas logo notei algo que não é tão típico: a freqüência com que as buzinas são usadas… Meu Deus! Como é que eles aguentam ouvir tão repetidamente esse barulho ensurdecedor?

Depois de mais 30 minutos pelas ruas de Beijing analisando a dinânica do tráfego percebi o porque de tantas buzinas: eles não usam setas, viram para qualquer lado a qualquer hora, muita bicicleta, muita e-bike (bicicleta elétrica), muito riquixá e muito pedestre, todos competindo pelo mesmo espaço sem nenhuma regra ou lógica.

Mesmo quando o farol fecha os carros continuam passando e se alguém para é buzinada na certa! 😀

Não demorou nada para perceber que pedestre não tem vez, e não tem vez mesmo. Ou você fica bem esperto ou muitas buzinadas vão rolar! E não adiantar reclamar: “Mas o farol está verde para mim e eu estou atravessando a rua na faixa de pedestre!” Mesmo porque eles não entendem o seu idioma. 😛

Nosso hotel é bem no centro, bem no segundo ring. O rapaz que nos pegou no aeroporto é super atencioso e fala bem pouquinho inglês, mas deu para nos entender… Com muuita dificuldade, é verdade! 🙂 Ele fez as vezes no hotel, porque lá, uma das moças até tentava, mas mesmo com muito esforço não rolou entendimento algum.

Depois de muita conversa nos encaminharam para o nosso quarto… Ui! Ok, estamos na China e acho que é melhor baixarmos o nível de expectativa para não rolar muuuito estresse. E depois de tantas horas de vôo queríamos mesmo era um banho.

Depois de um bom banho e roupas limpas, saímos para caminhar um pouco para descobrir onde era o metro e ver o que tinha por perto. Achamos uma Seven Eleven, que salvou nossos cafés-da-manhã, e um café bem gostosinho, onde tomamos um Ice Coffee e um muito bem preparado Long Island Ice Tea.

E voltamos para o hotel porque tínhamos entendido que o rapaz que nos pegou no aeroporto passaria às 19hs para jantarmos juntos. 19hs em ponto batem na nossa porta com duas sacolas com muita comida… As trapalhadas da comunicação… hehehe

Comemos menos da metade e lá fui eu tentar explicar para a mocinha esforçada que não iríamos mais comer e que eles poderiam ficar com a comida. Depois de, sem brincadeira, 25 minutos de muita mímica as meninas ficaram muito contentes e agradeceram muito: Xie xie, obrigado em Chinês. 🙂

Fim de um longo dia com uma noite muito bem dormida! 🙂

Um Ice Coffee para recarregar as pilhas

Dú tomando um bem preparado Long Island Iced Tea enquanto estudava o mapa de Beijing

Adorei a latinha da Coca-Cola com o logo adaptado

Jantar surpresa

Um pouco da dinâmica do trânsito de Beijing

Dá para ter uma noção agora?

Histórias curtas da China – parte 8

Em toda viagem para outro país surgem histórias interessantes ou engraçadas; aqui estão algumas das que vivemos na China:

  • Um colega ofereceu 5 yuans para uma pedinte perto da Cidade Proibida e ela recusou – disse que só queria 1 yuan.
  • Um amigo queria comprar uma nova câmera digital. Chegamos ao shopping especializado em eletrônicos para descobrir que poucas lojas ainda estavam abertas, mas para sua sorte uma delas tinha a câmera que ele queira. Depois de uma longa negociação sobre o preço, ele descobriu que não conseguia sacar todo o valor no ATM. Novo golpe de sorte – somando todo o dinheiro que a gente tinha (estávamos em 4), dava o valor exato da câmera 🙂 Por último, faltava uma peça necessária para usar uma lente diferente da padrão – nova negociação, desta vez para acertar como a entrega seria feita. No final, a brincadeira levou 2 horas e acabamos tendo que jantar em um restaurante bem sem-graça em outro shopping center 😦
  • Depois deste jantar estávamos voltando para o hotel quando um dos nossos colegas comentou que não havia ficado exatamente satisfeito. “Tem um McDonald’s logo ali”, brinquei. Ele riu, mas não é que depois resolveu matar um cheeseburger? 🙂
  • Em todos os mercados informais ou lojas de rua você tem que negociar. Acho um saco, mas o preço inicial é quase sempre um absurdo. Eu estava interessado em uma lente, e o primeiro preço que a vendedora pediu foi 4.800 yuans. No final, eu levaria a lente por 2.000 yuans.
  • Outra história de compra – em Zhouzhuang fiquei interessado em uma pintura. Preço inicial: 360 yuans; final: 80 yuans :). Dei mais uma volta pela cidade e quando passei em frente à loja eles já tinham outra pintura no lugar da que comprei, igualzinha àquela 🙂
  • Falando em Zhouzhuang, esta é uma pequena vila construída ao redor de diferentes canais; é um destino turístico famoso e alguns dizem que seria a “Veneza do Oriente”. Bem, isto é claramente um exagero, mas a cidade tem seu encanto – especialmente a arquitetura antiga, o contraste entre um estilo de vida voltado para o turismo e outro voltado para costumes arraigados há muito tempo e o artesanato local. A cidade não é tão grande e não é preciso mais do que um dia para visitá-la (portanto, não se preocupe em hospedar-se por ali). Aqui estão algumas fotos de Zhouzhuang:

  • Um dia fui procurar um sorvete em um shopping center ao lado do hotel. Encontrei só uma doceria (Gino Café), que tinha tiramisú no cardápio – quem leu os posts sobre a Itália sabe que adoro este doce. Mas como o tiramisú já tinha acabado 😦 tive que me contentar com um cheesecake de morango – ainda bem que estava muito bom e caprichado 🙂
  • Segundo um dos nossos guias, só no Norte do país é costume comer carne de cachorro – se isto já não fosse suficientemente abominável, ele ainda explicou que não comem seus animais de estimação, mas só os criados em uma fazenda de cachorros 😦 Porém, uma amiga que fala mandarim disse que viu vários restaurantes próximos ao hotel em que estávamos hospedados em Shanghai anunciando carne de cachorro. Ainda bem que passei longe destes restaurantes…
  • No tópico comidas diferentes, experimentei enguia e água-viva. A primeira é uma delícia, enquanto a segunda é OK, mas meio sem-graça. Outros colegas mais curiosos experimentaram também língua de pato (foto abaixo) e escorpiões.

  • Enquanto ainda estávamos lá, um dos nossos colegas escreveu um artigo que foi publicado na Economist – Belgians in Beijing
  • É muito difícil encontrar um taxista que fale inglês. Então você se vira assim: pede para alguém escrever em mandarim o nome do lugar que você quer ir e mostra para o taxista. Os cartões dos hotéis também vêm com o nome / endereço em mandarim, para você fazer o mesmo. É interessante como isto é uma preocupação do governo quando há eventos internacionais: um motorista em Beijing contou que eles tiveram aulas de inglês na época das Olimpíadas (mas ele só lembrava de “hotel” 🙂 ) e em Shanghai, devido à World Expo, a maioria dos taxis tem um adesivo com um número que você pode ligar caso esteja tendo problemas de comunicação com o motorista.
  • Em Shanghai fomos a um bar que fica no 92. andar (!) do prédio mais alto do centro financeiro da cidade. O bar é muito bacana, mas a vista (pelo menos à noite) não é tão boa, em parte devido à arquitetura do prédio (você acaba ficando longe da janela). E neste bar pudemos matar a saudade de uma boa cerveja belga – eu bebi uma Chimay 🙂

  • Falando em cerveja, como era de se esperar a cerveja chinesa não tem nada de mais – muito leve, com teor alcoólico bem baixo, é quase a antítese das cervejas belgas. O interessante é que algumas tem um amargor bem acentuado – mas você só sente isto no primeiro gole, depois a leveza prevalece. A Tsingtao (a pronúncia certa é algo como “thín-táo”) é onipresente, enquanto a Suntory também é bastante comum em Shanghai.
  • Meu colega de quarto na viagem, o Patrick, é fanático por futebol. Vários dias ele acordou às 02h30 da manhã para assistir a algum jogo da Liga dos Campeões. É claro que eu continuei a dormir como se nada estivesse acontecendo 😀
  • Fomos a um centro comercial bem bacana em Beijing, praticamente em frente à Tian’anmen Square (Praça da Paz Celestial). Depois de passearmos um pouco e termos comprado algumas coisinhas, um casal jovem se aproximou e perguntou se eu e outro colega indiano tiraríamos uma foto com eles. OK, mas pedi para a Yanan perguntar por que eles queriam esta foto. A resposta: para mostrar aos seus amigos que tinham amigos estrangeiros 😀

  • E você tinha que prestar atenção para não fazer nada proibido neste centro comercial:

  • Vários dos nossos colegas “esticaram” sua estada na China para conhecer outras cidades e acabaram ficando “presos” lá por causa do vulcão na Islândia. Duas semanas depois ainda nem todos tinham voltado. Mas quem se deu muito bem com o fechamento do espaço aéreo foi meu colega argentino, o Nacho – ele estava lá na Argentina, com a esposa e filha, comendo carne todo dia 🙂
  • O número 8 é considerado um número de muita sorte na China – por isto este post, de número 8, encerra esta série sobre minha viagem para a China. Espero que tenham gostado 😉

Uma palavrinha sobre a comida na China – parte 7

Não dava para deixar de falar sobre a comida na China, certo? Afinal, vários dos meus colegas estavam apreensivos em relação a este ponto. Confesso que eu também estava um tanto quanto preocupado com a história de que na China comem carne de cachorro… Diferenças culturais à parte, acho isto uma barbárie (OK, os indianos devem achar a mesma coisa da gente comendo carne de vaca…).

Mas voltando ao assunto, não poderia estar mais enganado! A comida é deliciosa e muito, muito variada.

A Yanan nos levou a um restaurante fantástico em Beijing, o Dadong. Podemos dizer que ele representa uma “releitura” da cozinha chinesa – vários pratos tradicionais, como o pato de Peking (pato laqueado no Brasil), mas preparados com grande cuidado, apresentação primorosa e ambiente sofisticado. O cardápio já é um desafio – enorme, com uma variedade imensa e fotos de dar água na boca. O bom é que você escolhe quais dos vários pratos você quer, então dá para customizar bem seu “banquete”. Tudo estava absolutamente delicioso – inclusive a enguia. O pato de Peking é obrigatório, considerando que este restaurante foi premiado por vários anos como tendo o melhor Peking Duck de Beijing (melhor avaliado até do que o restaurante que inventou o prato, que fica em frente à Praça da Paz Celestial e está sempre lotado – além de custar uma fortuna). Definitivamente vale a visita!

Na terceira foto: eu, Dong, Yanan e Hjörtur

Também almoçamos em um restaurante que fica no campus da Universidade de Peking, o Yiyuan Restaurant (no 3° andar). Muito mais simples do que o Dadong, também tem uma comida deliciosa e bem elaborada. Vale a visita, mas talvez seja um pouco mais complicado achá-lo, pois o acesso de carros à universidade é restrito.

Encerramos nossa visita a Peking no A Fun Ti, um restaurante que representa a cozinha da minoria Uyghur, que vive na província de Xinjiang, noroeste da China. Este grupo étnico tem origem turca e vive em vários países da Ásia Central. A comida é completamente diferente, mas também muito saborosa, caprichosamente preparada e apresentada. Este restaurante também tem uns shows de música e dança e o pessoal que organizou nossa viagem ainda tinha uma surpresa para nós: em um determinado momento o restaurante virou quase que uma balada (é só dar uma olhada nas fotos abaixo para conferir!). Nós nos divertimos muito, mas acho que os chineses que tiveram a má-sorte de visitar o restaurante exatamente neste dia provavelmente não acharam isto tão engraçado 😀

O melhor restaurante de Shanghai foi sem dúvida o Tairyo, desta vez sugestão do Dong. Este era japonês, mas o esquema não poderia ser melhor: ficamos em uma sala separada, em uma mesa de teppan e com um cozinheiro só para nós. O jantar foi em um esquema rodízio, em que podíamos pedir o que quiséssemos, quantas vezes quiséssemos (claro que os pratos absurdamente caros, como o bife Kobe, não estavam incluídos). Tudo era de primeiríssima qualidade e estava uma delícia – como fazia tempo que não ia a um restaurante japonês, aproveitei para matar a vontade de sushi, sashimi e teppan – só faltou o tempurá 🙂 Tadinha da Fê, que gosta tanto mas ainda não se convenceu a experimentar os restaurantes japoneses de Leuven 😦

Nas fotos: Fatima, Dong, Chris e Meto / Olivia, Alex, Luuk, Tung, eu e Linh

Se estiver em uma destas cidades, não deixe de ir a estes restaurantes!

Reflexões sobre a China – parte 6

Como vocês devem ter percebido, nossa viagem para a China foi realmente uma ótima experiência; sem dúvida cansativa, mas muito, muito interessante e divertida. Mas não estávamos lá para passear, mas sim para estudar. E como comentei no primeiro post, a carga de trabalho não foi pequena – palestras, visitas a empresas, visitas culturais e um projeto (relatório mais apresentação) para concluir antes de embarcarmos no avião que nos traria de volta para a Europa.

Mas nada se compara a testemunhar em primeira mão duas coisas muito distintas, mas ao mesmo tempo inseparáveis. Primeiro, como a cultura chinesa influencia o comportamento de seu povo e sua forma de enxergar seu papel no mundo. Segundo, como pessoas de outras culturas se relacionam com isto. Confesso que a segunda foi algo inesperado para mim – antes da viagem eu estava concentrado em entender um pouco melhor o que acontece na China e como é o mundo dos negócios por ali. Porém, observar a forma como as pessoas – do meu grupo! – reagiram a este ambiente completamente estranho para muitos deles também foi uma oportunidade valiosa. Para não deixar ainda mais longo um post já exageradamente comprido, tentarei sintetizar ao máximo minhas observações.

Antes de entrar em detalhes, acho que algumas informações dos nossos palestrantes nos ajudam a entender melhor a China. Apesar de ter uma história muito antiga, sua história de abertura não tem mais de 60 anos. Sua história recente também é turbulenta: sofreu com a ocupação estrangeira, passou pela Revolução Cultural e depois pela abertura econômica iniciada por Deng Xiao Ping. O Confucionismo exerce uma influência poderosa, com seu foco no aspecto humano e crença em uma sociedade harmoniosa. A cultura do país é complexa e cheia de nuances – especialmente difícil para meus colegas vindos de países de cultura de baixo contexto, como EUA, Reino Unido e norte da Europa no geral. E a complexidade não pára por aí – enorme diversidade geográfica, enorme diversidade econômica, um governo complexo, um sistema econômico mais complexo ainda. Um palestrante colocou tudo no contexto certo: “Não sei se é um sistema melhor do que o capitalista. Mas que é um sistema impressionante, ah, isto é!”.

O fato é que você vê as pessoas dando o melhor de si, realmente se esforçando para atender da melhor forma possível seus clientes. Isto é claro em todo lugar: no bar / restaurante em que o garçom / garçonete se esforça para te entender mesmo sem falar inglês (mais: quando eles percebem que você está indo mais de uma vez, procuram aprender algumas palavras que ajudarão a “conversa”); nos alfaiates que fazem ternos sob medida que foram no hotel para que as pessoas fizessem a prova – sábado e domingo à noite; no pessoal de apoio da universidade que trabalhou muito para que tudo funcionasse como um relógio durante nossa estadia lá; nos representantes das empresas que visitamos, que invariavelmente nos receberam com atenção, cortesia e empenho. Nossos colegas chineses também não fizeram por menos – foi impressionante a dedicação da Yanan, do Dong e do Jiuzhou durante as duas semanas, dando atenção a quase 100 pessoas, nos levando para visitar os locais que mais gostavam, ajudando as pessoas a negociar com vendedores ou a fechar as passagens / hotéis que precisavam para suas viagens após as 2 semanas de curso. Um colega belga resumiu bem: “Eles não se aborrecem se algo sai errado, seguem em frente, continuam trabalhando. Na Bélgica, se algo sai errado todo mundo começa a reclamar…”. Esta é uma das memórias mais marcantes que tenho: as pessoas estão lá para dar o que tem de melhor, para aprender, para se desenvolver, sem medo de errar ou do que os outros vão pensar. Uma diferença enorme do que vemos em alguns outros países…

Hierarquia também faz parte do confucionismo, e a sociedade chinesa é sim bastante hierárquica. Mas há um detalhe interessante. Quanto mais alta sua posição, maior sua responsabilidade e melhor – como pessoa – você deve ser. E isto definitivamente parece guiar os altos governantes chineses: a clara impressão que tive é que eles estão comprometidos em fazer com que o país avance e seu povo viva melhor. Sem contar que eles não olham para a próxima eleição. Uma das nossas visitas foi em um parque tecnológico. Um dos gestores do parque disse que iria demorar talvez mais de uma geração para atingir seus objetivos, mas que eles estavam no caminho certo. Quantos governos você conhece que seguem um planejamento de tão longo prazo? É lógico que existe um componente de manutenção do status quo: a China simplesmente tem que crescer para que a qualidade de vida melhore e as pessoas estejam felizes com o governo. Enquanto a equação “bater”, a harmonia estará presente. Se a conta não “fechar”, provavelmente começará a surgir uma certa tensão social. E, com 1,4 bilhão de habitantes, qualquer governo teria medo deste cenário.

Vendo a dedicação das pessoas e o comprometimento do governo com o futuro do país, é difícil não desejar que o Brasil fosse um pouco mais como a China. Recentemente meu colega holandês começou uma discussão sobre o real valor [do modelo ocidental] da democracia. Nada mais natural depois do que vimos…

É claro que nem tudo é belo e a China enfrenta desafios e problemas tão grandes quanto o próprio país. Um desafio é avançar a economia para o Oeste, saindo das áreas costeiras. Isto deve aliviar as restrições à mobilidade que existem para as pessoas que vivem nas áreas rurais. A inigualdade está aumentando e a diferença entre pobres e ricos já está em um patamar bastante alto. Sexismo ainda existe e a política de uma criança por casal resulta no infanticídio de meninas – tanto que a população não é tão balanceada quanto em outros países. Um dos palestrantes enfatizou que não dá para confiar nas estatísticas do país. Existe corrupção – especialmente nos níveis mais baixos do governo – apesar da punição severa: pena capital (se valesse o mesmo no Brasil, a população de Brasília iria diminuir consideravelmente…). Poluição é um problema e muitos dos meus colegas reclamaram disto, especialmente em Beijing (mas acho que os paulistanos estão vacinados contra isto, porque confesso que não senti muita diferença…). Algumas cidades já enfrentam um problema de falta de água e isto certamente irá piorar no futuro. A economia do país é movida por investimentos e será um enorme desafio tornar a fatia do consumo mais importante na geração do PIB. Existe “censura” sim – alguns tópicos são considerados sensíveis e os meios de comunicação não podem tocar neles. Mas fora destes tópicos, há muita “liberdade”, inclusive para criticar membros do governo (desde que não pertençam à cúpula, é claro…). O China Daily, por exemplo, não é um típico jornal chapa-branca; você encontrará nele críticas e comentários próximos dos da imprensa ocidental. Por exemplo, li uma crítica a respeito da reduzida vida útil dos imóveis na China (25-30 anos) quando comparados com os na Europa/EUA (50-60 anos) e de todo o detrito que eles geram ao serem demolidos. Mas os jornais não podem nem pensar em mobilizar as pessoas, OK? Outros exemplos: nada de Facebook no país (mas eles tem suas próprias redes sociais) e também nada de WordPress – mandei os posts (de 1 a 4) por email para a Fê, que os publicou 🙂 O trânsito é terrível – até porque as pessoas dirigem mal – e nem todos são bem-educados.

O fato é que existe um gap entre como nós percebemos a China, como eles se percebem e como as coisas ocorrem lá. E é difícil destrinchar estes elementos. O caso da Google é um bom exemplo: eles nunca chegaram perto da liderança e seu modelo de receita parece não ser o mais adequado para o mercado chinês. Então podemos nos perguntar se o embate com o governo chinês a respeito dos resultados de buscas na Internet foi o motivo real de sua decisão de deixar o país ou apenas uma saída estratégica, com o bônus de uma imagem de bom-moço lutando contra o grande e controlador Governo. Aliás, eles estão saindo de Beijing e indo para Hong Kong…

Mas é impossível duvidar que a China ainda vai evoluir muito – e sua importância relativa no mapa geopolítico mundial sem dúvida continuará a aumentar. Segundo um palestrante, a China esteve na vanguarda da inovação e da economia mundiais por vários séculos – e agora está tentando retomar sua “posição de direito”.

Ufa! Fim do post mais longo da história do Cacau com Lúpulo :). Prometo que o próximo será sobre um assunto bem mais leve.

Mais sobre Shanghai – parte 5

Todo mundo diz que Shanghai e Beijing são duas cidades completamente diferentes e isto não é exagero. Até por conta de sua história, Shanghai é muito mais ocidentalizada do que Beijing, mas isto não é suficiente para explicar a diferença. O fato é que Beijing – talvez por ser a sede do governo – ainda parece carregar por todos os lados sinais de uma China “antiga”, talvez anterior à abertura da economia, ao mesmo tempo em que tem uma certa “atmosfera” política. Shanghai, por outro lado, deixa muito clara sua vocação para negócios – algo que imagino ser natural em toda cidade que é um centro financeiro importante. Um dos nossos colegas norte-americanos disse que Beijing é como Los Angeles, enquanto Shanghai se parece mais com Nova Iorque.

De modo geral, Shanghai é uma cidade muito mais “compacta” do que Beijing, já que as duas tem aproximadamente a mesma população mas a primeira só tem 40% da área da segunda. As regiões da cidade também estão muito melhor delimitadas do que em Beijing – o centro financeiro (onde está a TV Tower) transmite sofisticação e modernidade – nem poderia ser diferente, pois há apenas 30 anos atrás toda esta área era basicamente habitada por pescadores e outras pessoas ligadas à economia local. Quando você se afasta de lá acaba encontrando áreas com residências e hábitos muito mais ligados ao passado. À noite a cidade se enche de luzes, diferentes a cada dia, como que reafirmando sua opulência. Aliás, prédios com arquitetura arrojada é o que não falta e isto mais ou menos se tornou uma marca registrada da cidade. A área para caminhada à margem do rio Huangpu – o Bund – dá um charme especial à cidade, também graças aos edifícios construídos na avenida beira-mar em diferentes períodos usando diferentes estilos, resultado do estado de semi-colonialismo que a cidade viveu durante vários anos. Visitar o museu que conta a história da cidade (fica na TV Tower) foi interessante, pois é muito claro como este passado ainda está presente – um dos palestrantes colocou que a China sente um certo “ressentimento” (talvez esta não seja a melhor palavra) do Ocidente por não reconhecer o quanto ela progrediu nas últimas décadas, uma leitura que me parece muito correta.

A face moderna de Shanghai:

As mesmas observações a respeito da infra-estrutura de Beijing valem para Shanghai – excelente, moderna e funcional. O metrô, apenas como exemplo, tem estações enormes, muito bem organizadas, limpas e modernas. Alguns detalhes são muito legais – o ticket é um cartão plástico magnético, que é usado na entrada mas também recolhido na saída, para ser reaproveitado. Há várias máquinas automáticas para a venda dos bilhetes, com opção de mostrar os nomes das estações em inglês (aliás, se precisar se localizar, use uma destas máquinas que é muito mais fácil). E apenas para efeito de comparação, ele tem 12 linhas, 264 estações e 420 Km de extensão. Deixo para os leitores mais curiosos a tarefa de comparar estes dados com os do metrô de São Paulo. Outra coisa que chama a atenção é a quantidade de viadutos e vias elevadas – em alguns pontos há uma confluência delas e podemos ver 5, 6 diferentes vias, algumas muito, muito altas.

A face antiga de Shanghai:

A mesma sensação de segurança está presente, mas desta vez o policiamento é visível – em certo momento estávamos indo para um dos nossos jantares “oficiais” e passamos por um homem desacordado que havia sido algemado e estava cercado por policiais. Mas esta foi outra semana sem ouvir uma só sirene, mesmo tendo percorrido uma boa distância na cidade. O trânsito também é caótico, mas de forma um pouco diferente, pois há muito menos bicicletas, riquixás e motos adaptadas. O número de pedestres, em compensação, é enorme.

Em resumo, acho que nossos colegas do MBA da Universidade de Peking estavam certos: São Paulo tem ainda mais a cara de Shanghai, mas Shanghai é uma versão mais moderna, sofisticada e em alguns aspectos melhorada de São Paulo.

O Bund:

Um snapshot de Shanghai – parte 4

Chegamos em Shanghai e a cidade é muito mais interessante – e impressionante – do que Beijing. Depois escrevo mais sobre ela, mas por enquanto vocês podem dar uma olhada nestas fotos: