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O outro lado da última semana do MBA

Toda história tem dois lados. Um dos lados da última semana está neste post. Agora vou escrever um pouco sobre o outro.

Desde o início do IMEx sabíamos que esta seria a última atividade do MBA. Por um lado estávamos todos querendo finalizar o IMEx e concluir de uma vez por todas o MBA; por outro lado, estávamos todos um tanto tristes com isto.

A Fê diz que estávamos todos um pouco melancólicos. Não sei se descreveria assim, mas ela tinha a neutralidade de um observador externo, portanto acredito que seja uma descrição acurada.

O fato é que eu achava um pouco exagerado quando diziam que um MBA é uma life-changing experience. Mas depois de passar um ano tão intenso, com tanta gente de perfis e culturas tão diferentes, passando todo o dia junto, trabalhando nos vários projetos até muito depois das aulas, saindo para se divertir, indo viajar, discutindo nossos objetivos e ambições… Agora não acho isto um exagero tão grande. Especialmente em um MBA em que colaboração é uma palavra de ordem, como o da Vlerick: se você não consegue confiar que seus teammates farão a parte deles (e às vezes ajudá-los nisto) você está simplesmente perdido, porque não terá tempo de fazer tudo. Os laços de companheirismo e amizade se tornam muito fortes neste processo. Acho que algumas pessoas com tendências control-freak não conseguiram entender isto e foram meio que se isolando ao longo do ano, tanto que no final eram quase que estranhas em meio a grandes amigos.

Ao mesmo tempo em que era difícil ignorar que nosso período de convivência estava chegando ao fim, todos nós evitávamos o assunto. “É difícil acreditar que acabou” era o comentário mais comum. Mas isto não reflete o alívio de se livrar de algo ruim; muito ao contrário, reflete meio que a paralisia de chegar ao fim de um dos melhores anos de nossas vidas. E olha que não foi nada parecido com um mar de rosas: aulas das 09h00 às 17h30, grupos até às 20h00, 21h00, estudos até a hora que você aguentar 🙂 (a partir de janeiro era normal ficar até 01h00 estudando ou trabalhando em algum assignment). Se você quiser, irá expor todos os pontos que precisa desenvolver; mas também terá a chance e o apoio para desenvolvê-los numa velocidade que não imaginaria possível. Isto sem falar nos imprevistos: vulcão na Islândia que deixa um monte de gente “presa” em diferentes países, fogo no studio de um amigo, patos a serem salvos (posts 1, 2 e 3), terremoto no Chile (tínhamos 4 chilenos no nosso grupo), ajuda para mudar as coisas dos nossos amigos de um lugar para o outro, 3 horas debaixo de neve em um dos exercícios do Social Skills Seminar, aventuras envolvendo bicicletas e algumas garrafas de Duvel, o nascimento de duas crianças – e mais uma chegando… Com tudo isto, o in-company project pareceu quase que férias 😛

Algumas pessoas já seguiram seu caminho, como o Patrick, que voltou para a Nigéria, ou o Cem, que já se mudou para a Eslováquia. Outros estão indo antes da cerimônica de graduação, daqui a 15 dias. E outros já tem a viagem marcada para logo depois. Rússia, Estados Unidos, Inglaterra, Índia, China, Nova Zelândia, Chile e muitos outros países.

Mas todos continuaremos conectados por uma amizade que você só desenvolve em algumas situações. “É quase como estar no exército”, disse o Reggie, grande amigo norte-americano. Indeed Reggie, indeed…

Com este olhar recebemos a nova turma em um karaokê que marcou meio que uma despedida para nós… Toda a nossa turma estava tão elétrica, tão animada que foi impossível para eles não se deixarem contagiar. Inclusive para meu novo colega brasileiro, o Lourival: bem-vindo a Leuven, espero sinceramente que aproveite muito seu ano na Vlerick.

A última semana do MBA

Como neste post escrevi sobre a nossa primeira semana do MBA , nada mais justo do que também escrever sobre a última semana.
Antes de mais nada, é correto dizer que esta foi uma das semanas mais exigentes e diferentes de todo o curso. Foi toda uma combinação de coisas, mas vamos por partes.
Na programação para a semana estava o IMEx, um business game que tem como objetivo integrar as várias disciplinas que tivemos durante o curso. Seis dias nos quais tínhamos que tomar decisões relativas a produção, finanças, RH, marketing, purchasing, logística, produtos e investimentos para 12 períodos, representando 3 anos de operação. Isto sem contar as negociações com fornecedores, sindicato, banco e board e os documentos que tínhamos que preparar.
Acontece que o IMEx estava programado para depois dos in-company e Giving Something Back projects. Ou seja, estávamos há quase 4 meses sem ter aula nem compromissos na Vlerick e alguns colegas haviam literalmente acabado de voltar do país onde estiveram para o GSB. Nem preciso dizer que todo mundo estava um pouco devagar, para dizer o mínimo…
Depois de uma breve explicação sobre o jogo e seu software, lá fomos nós, cada grupo em uma sala, para as primeiras decisões. Poucas variáveis ainda, só para nos acostumarmos com a dinâmica do jogo e a interface do sistema. Sai o resultado… Eba, nosso grupo fica em segundo lugar, empatado com um terceiro grupo! Nos animamos e decidimos ser mais agressivos no segundo período, até que descobrimos que cometemos um erro simples em um detalhe que fez a gente ter um prejuízo monstro e queimar quatro vezes o cash disponível…. Continuamos em segundo, mas desta vez contando a partir do último :(. Temos que negociar com o banco, adotar ações para nos recuperarmos, encontrar formas de gerar mais caixa… Vamos melhorando nossos resultados mas nossas ações não reagem na mesma velocidade… Vamos ficando para trás, para trás… Mas ainda em segundo último :P. No sexto período cometemos outro engano que breca um pouco a nossa melhora. Sétimo período: logo após definirmos uma mudança de estratégia, um colega de outro grupo chega todo contente na nossa sala, “Press release…”. A gente fica p*** da vida: uma oferta hostil para comprar “nossa” empresa e outras duas; decidimos que aquilo merecia uma resposta e 15 minutos depois é a nossa vez de “publicar” um press release, que basicamente dizia que a gente ia lutar contra a oferta. Inserimos os parâmetros no sistema e… vamos para casa, porque só no dia seguinte teríamos os resultados. No dia seguinte estávamos ansiosos para saber o que aconteceu… Sai o resultado, e nossas ações sobem 93%! Achamos que estávamos fora da zona de perigo mas o resultado da oferta ainda não está definido. Voltamos a trabalhar (e aguardar os resultados seguintes). Mais 64% no período 8! A gente fica super-animado, confiante de que a outra empresa não terá como concluir a oferta hostil… e é isto mesmo que acontece: ela consegue comprar as outras duas empresas, mas continuamos no comando da “nossa” empresa. Resolvemos contra-atacar: fizemos o que nenhum outro grupo fez para montar uma “engenharia financeira” que nos daria caixa suficiente para fazer uma oferta hostil pelas ações da empresa que queria nos comprar. Ah, como é bom quando você ri por último :D. Acontece o que prevemos e a empresa que adquiriu as outras começa a despencar… Neste momento estamos em terceiro, muito perto do segundo (do segundo verdadeiro, não do segundo último!). Todos os nossos “sistemas” de decisões estão redondinhos; todo mundo está agindo de forma coerente e se divertindo com o jogo! Assumimos o segundo lugar, decidimos não comprar a outra empresa (quem quer comprar porcaria? :P) e já é quase 22h00 quando estamos fazendo os arranjos finais para outra “engenharia financeira” que daria um empurrãozinho nas nossas ações no final do jogo. O time que comprou as outras duas empresas cometeu váááários enganos e no último período definiu sua estratégia para as 3 empresas assim: “Agora é cada um por si…” 🙂 O detalhe é que uma das empresas estava tecnicamente falida 😛 No último dia ligamos para a Olivia, uma das nossas teammates que estava atrasada para falar que a “jogada” financeira não deu certo e que caímos bastante… Quando ela chega a gente só consegue manter a brincadeira por uns minutos: na verdade subimos mais 78%! Terminamos em segundo, numa recuperação espetacular depois do que aconteceu no segundo período. Hora de escrever um relatório com as lições aprendidas e preparar uma apresentação final.
A verdade é que nos divertimos muito durante o jogo. Mas ele também foi super intenso: era difícil “desligar” depois de chegar em casa. Ainda ficava pensando em novas ferramentas ou estratégias para o período seguinte. Afinal, só dependia de nós definir como tomaríamos as decisões… Podíamos estruturar um ótimo sistema ou ficar na base do “chutômetro”.
No final o esforço valeu a pena: não só tivemos um ótimo resultado como todos achavam que nós merecíamos vencer o jogo; nosso professor apontou que fomos o time mais forte em business intelligence (além de finanças, é claro 😛 ).
Para a semana acabar só faltava a apresentação do Giving Back Project, concluída na sexta-feira de manhã.

Talvez o melhor time em que trabalhei durante o MBA: eu :), Olivia (Indonésia), Tomek (Polônia), Ana (Portugal), Raed (Jordânia) e Sandeep (Índia).

Não podia pedir um desfecho melhor para o MBA!

PS: é claro que também ficamos muito contentes com a Vlerick sendo listada pela BusinessWeek entre as top business schools européias.

Copa do Mundo 2010

É interessante ver quanta gente por aqui gosta de futebol. Gente de todos os países, não apenas daqueles que “tem tradição” no esporte. Assim, nada mais natural que estejam super-animados com o início da Copa. Claro que alguns ainda lamentam que seus países não conseguiram se classificar, mas faz parte do jogo.

Fiquei curioso para saber quantos países que estão jogando tem pelo menos um “representante” na nossa turma do MBA. Usei um mapa bem bacaninha do iG (o original está aqui) e deixei em cores apenas as bandeiras dos países com “representantes”.  Resultado: 15 de 32 países tem pelo menos uma pessoa no nosso grupo.

Com tanta gente torcendo para tantos times diferentes, será muito divertido assistir aos jogos!

Update: hoje meu pai me mandou o link de um calendário super legal e diferente da Copa, vale a pena conferir. E pelo menos neste calendário a Eslovênia está no lugar certo!

Reflexões sobre a China – parte 6

Como vocês devem ter percebido, nossa viagem para a China foi realmente uma ótima experiência; sem dúvida cansativa, mas muito, muito interessante e divertida. Mas não estávamos lá para passear, mas sim para estudar. E como comentei no primeiro post, a carga de trabalho não foi pequena – palestras, visitas a empresas, visitas culturais e um projeto (relatório mais apresentação) para concluir antes de embarcarmos no avião que nos traria de volta para a Europa.

Mas nada se compara a testemunhar em primeira mão duas coisas muito distintas, mas ao mesmo tempo inseparáveis. Primeiro, como a cultura chinesa influencia o comportamento de seu povo e sua forma de enxergar seu papel no mundo. Segundo, como pessoas de outras culturas se relacionam com isto. Confesso que a segunda foi algo inesperado para mim – antes da viagem eu estava concentrado em entender um pouco melhor o que acontece na China e como é o mundo dos negócios por ali. Porém, observar a forma como as pessoas – do meu grupo! – reagiram a este ambiente completamente estranho para muitos deles também foi uma oportunidade valiosa. Para não deixar ainda mais longo um post já exageradamente comprido, tentarei sintetizar ao máximo minhas observações.

Antes de entrar em detalhes, acho que algumas informações dos nossos palestrantes nos ajudam a entender melhor a China. Apesar de ter uma história muito antiga, sua história de abertura não tem mais de 60 anos. Sua história recente também é turbulenta: sofreu com a ocupação estrangeira, passou pela Revolução Cultural e depois pela abertura econômica iniciada por Deng Xiao Ping. O Confucionismo exerce uma influência poderosa, com seu foco no aspecto humano e crença em uma sociedade harmoniosa. A cultura do país é complexa e cheia de nuances – especialmente difícil para meus colegas vindos de países de cultura de baixo contexto, como EUA, Reino Unido e norte da Europa no geral. E a complexidade não pára por aí – enorme diversidade geográfica, enorme diversidade econômica, um governo complexo, um sistema econômico mais complexo ainda. Um palestrante colocou tudo no contexto certo: “Não sei se é um sistema melhor do que o capitalista. Mas que é um sistema impressionante, ah, isto é!”.

O fato é que você vê as pessoas dando o melhor de si, realmente se esforçando para atender da melhor forma possível seus clientes. Isto é claro em todo lugar: no bar / restaurante em que o garçom / garçonete se esforça para te entender mesmo sem falar inglês (mais: quando eles percebem que você está indo mais de uma vez, procuram aprender algumas palavras que ajudarão a “conversa”); nos alfaiates que fazem ternos sob medida que foram no hotel para que as pessoas fizessem a prova – sábado e domingo à noite; no pessoal de apoio da universidade que trabalhou muito para que tudo funcionasse como um relógio durante nossa estadia lá; nos representantes das empresas que visitamos, que invariavelmente nos receberam com atenção, cortesia e empenho. Nossos colegas chineses também não fizeram por menos – foi impressionante a dedicação da Yanan, do Dong e do Jiuzhou durante as duas semanas, dando atenção a quase 100 pessoas, nos levando para visitar os locais que mais gostavam, ajudando as pessoas a negociar com vendedores ou a fechar as passagens / hotéis que precisavam para suas viagens após as 2 semanas de curso. Um colega belga resumiu bem: “Eles não se aborrecem se algo sai errado, seguem em frente, continuam trabalhando. Na Bélgica, se algo sai errado todo mundo começa a reclamar…”. Esta é uma das memórias mais marcantes que tenho: as pessoas estão lá para dar o que tem de melhor, para aprender, para se desenvolver, sem medo de errar ou do que os outros vão pensar. Uma diferença enorme do que vemos em alguns outros países…

Hierarquia também faz parte do confucionismo, e a sociedade chinesa é sim bastante hierárquica. Mas há um detalhe interessante. Quanto mais alta sua posição, maior sua responsabilidade e melhor – como pessoa – você deve ser. E isto definitivamente parece guiar os altos governantes chineses: a clara impressão que tive é que eles estão comprometidos em fazer com que o país avance e seu povo viva melhor. Sem contar que eles não olham para a próxima eleição. Uma das nossas visitas foi em um parque tecnológico. Um dos gestores do parque disse que iria demorar talvez mais de uma geração para atingir seus objetivos, mas que eles estavam no caminho certo. Quantos governos você conhece que seguem um planejamento de tão longo prazo? É lógico que existe um componente de manutenção do status quo: a China simplesmente tem que crescer para que a qualidade de vida melhore e as pessoas estejam felizes com o governo. Enquanto a equação “bater”, a harmonia estará presente. Se a conta não “fechar”, provavelmente começará a surgir uma certa tensão social. E, com 1,4 bilhão de habitantes, qualquer governo teria medo deste cenário.

Vendo a dedicação das pessoas e o comprometimento do governo com o futuro do país, é difícil não desejar que o Brasil fosse um pouco mais como a China. Recentemente meu colega holandês começou uma discussão sobre o real valor [do modelo ocidental] da democracia. Nada mais natural depois do que vimos…

É claro que nem tudo é belo e a China enfrenta desafios e problemas tão grandes quanto o próprio país. Um desafio é avançar a economia para o Oeste, saindo das áreas costeiras. Isto deve aliviar as restrições à mobilidade que existem para as pessoas que vivem nas áreas rurais. A inigualdade está aumentando e a diferença entre pobres e ricos já está em um patamar bastante alto. Sexismo ainda existe e a política de uma criança por casal resulta no infanticídio de meninas – tanto que a população não é tão balanceada quanto em outros países. Um dos palestrantes enfatizou que não dá para confiar nas estatísticas do país. Existe corrupção – especialmente nos níveis mais baixos do governo – apesar da punição severa: pena capital (se valesse o mesmo no Brasil, a população de Brasília iria diminuir consideravelmente…). Poluição é um problema e muitos dos meus colegas reclamaram disto, especialmente em Beijing (mas acho que os paulistanos estão vacinados contra isto, porque confesso que não senti muita diferença…). Algumas cidades já enfrentam um problema de falta de água e isto certamente irá piorar no futuro. A economia do país é movida por investimentos e será um enorme desafio tornar a fatia do consumo mais importante na geração do PIB. Existe “censura” sim – alguns tópicos são considerados sensíveis e os meios de comunicação não podem tocar neles. Mas fora destes tópicos, há muita “liberdade”, inclusive para criticar membros do governo (desde que não pertençam à cúpula, é claro…). O China Daily, por exemplo, não é um típico jornal chapa-branca; você encontrará nele críticas e comentários próximos dos da imprensa ocidental. Por exemplo, li uma crítica a respeito da reduzida vida útil dos imóveis na China (25-30 anos) quando comparados com os na Europa/EUA (50-60 anos) e de todo o detrito que eles geram ao serem demolidos. Mas os jornais não podem nem pensar em mobilizar as pessoas, OK? Outros exemplos: nada de Facebook no país (mas eles tem suas próprias redes sociais) e também nada de WordPress – mandei os posts (de 1 a 4) por email para a Fê, que os publicou 🙂 O trânsito é terrível – até porque as pessoas dirigem mal – e nem todos são bem-educados.

O fato é que existe um gap entre como nós percebemos a China, como eles se percebem e como as coisas ocorrem lá. E é difícil destrinchar estes elementos. O caso da Google é um bom exemplo: eles nunca chegaram perto da liderança e seu modelo de receita parece não ser o mais adequado para o mercado chinês. Então podemos nos perguntar se o embate com o governo chinês a respeito dos resultados de buscas na Internet foi o motivo real de sua decisão de deixar o país ou apenas uma saída estratégica, com o bônus de uma imagem de bom-moço lutando contra o grande e controlador Governo. Aliás, eles estão saindo de Beijing e indo para Hong Kong…

Mas é impossível duvidar que a China ainda vai evoluir muito – e sua importância relativa no mapa geopolítico mundial sem dúvida continuará a aumentar. Segundo um palestrante, a China esteve na vanguarda da inovação e da economia mundiais por vários séculos – e agora está tentando retomar sua “posição de direito”.

Ufa! Fim do post mais longo da história do Cacau com Lúpulo :). Prometo que o próximo será sobre um assunto bem mais leve.

Negócio da China – parte 1

Depois de 7 meses de aula, chegou o momento de irmos para a China. Mas como este é um dos cursos do meu MBA, infelizmente não vamos ter muito tempo livre para explorar as cidades à vontade ou relaxarmos. Só para variar um pouco, nossa agenda é bem apertada 😉 – como foi preparada por um dos mais exigentes professores em termos de conteúdo discutido, não tenho dúvida de que será uma viagem intensa.

Mas sem dúvida também vamos nos divertir muito e voltar com muitas histórias para contar.

A viagem de ida já foi uma epopéia. A escola queria que todos fossem em um único voo, provavelmente para facilitar a logística e evitar atrasos. Assim, tivemos que sair de Leuven e ir para Paris, pois é de lá que os voos da China Eastern saem. O detalhe é que fomos de ônibus, saindo de Leuven às 06h40 da matina. Como se não fosse suficiente, exatamente nesta madrugada entrou em vigência o horário de verão; ou seja, na prática saímos às 05h40 da manhã – vocês não conseguem imaginar como eu estava animado. Por volta das 11h30 chegamos no aeroporto, tempo mais do que suficiente para fazer o check-in para o nosso voo. Aí provamos que noventa pessoas fazendo a mesma coisa ao mesmo tempo é suficiente para engargalar qualquer coisa – uma escada rolante, a fila do check-in, um corredor mais estreito, a casa de câmbio, os ATMs, é só escolher.

É claro que em uma companhia chamada China Eastern só teria chineses viajando e alguns estavam trocando dinheiro entre si enquanto passávamos (não deixa de ser uma cena meio estranha…). Nos acomodamos em lugares próximos e todo mundo estava bem tranqüilo (na realidade estávamos com fome, pois nosso voo saiu às 13h40). Depois do almoço um povo começou a levantar para bater papo com outras pessoas, uma pequena aglomeração perto do banheiro se formou, ajudada pelo espaço que havia em frente à saída de emergência, e todo mundo estava conversando. Um dos meus colegas americanos disse que o pessoal que havia ficado em outra seção mais à frente queria ir para trás porque estava acontecendo uma festa. Algum tempo depois bateu um cansaço e o pessoal sossegou – aí foi a hora de aproveitar que todas as poltronas tinham uma tomada e enquanto alguns assistiam um filme (outro colega tinha uma verdadeira cinemateca no notebook) outros começaram a trabalhar em algum dos vários projetos que ainda temos que concluir (boa parte deste post foi escrita no avião – ajuda pra caramba a matar o tempo, mas não é exatamente confortável se a pessoa na sua frente baixa muito o encosto da poltrona).Umas duas horas depois o bate-papo e as reuniões voltaram, desta vez com mais gente envolvida, inclusive o diretor do MBA e com direito a vinho e cookies. A dinâmica continuou: alguns momentos de silêncio, outros de muita bagunça. Os filmes passados no avião também foram engraçados: começou com um filme indiano, depois foi para um filme chinês sobre a corrupção que existia em Hong Kong nas décadas de 60 e 70 (antes da cidade voltar a ficar sob domínio chinês) e acabou com um filminho americano que misturava desenho e atores reais num conto de fadas (sem comentários…).

Chegando em Shanghai tivemos que pegar outro avião para ir para Beijing, a primeira etapa da nossa viagem. Menos mal que este trecho era curtinho, um pouco mais de uma hora de voo. E o que seria uma ótima notícia acabou não sendo tão boa: nosso voo chegou mais cedo, mas a companhia não tinha informado isto para o pessoal que está cuidando da organização e tivemos que ficar esperando um bom tempo no aeroporto…

Tempo total da viagem, da saída de casa até a porta do hotel: 24 horas. Depois que finalmente chegamos ao hotel tivemos um par de horas para tomar um banho, almoçar e “descansar”; depois já tivemos algumas sessões informativas e um jantar oficial. Ninguém disse que seria moleza ;).

Depois de 33 horas acordado finalmente deitei em um cama – ótima, por sinal – para dormir 🙂

Último detalhe: antes da viagem alguns colegas chineses prepararam um pequeno manual e uma apresentação sobre a China (a Fê ajudou minha amiga formatando o conteúdo como um booklet que ficou bem bacana). Também nos ensinaram algumas palavras e frases básicas, e uma das mais importantes é Tai Gui Le – Tá muito caro! 😉

Festa de aniversário surpresa

Nós, as mulheres dos MBAs, organizamos uma festa surpresa para dois dos maridos. O Raed, marido da Shereen (jordanos) e o Francis, marido da Daniele (americanos).

Durante a semana foi super divertido.Combinados o que faríamos, enviamos email para todo mundo das duas turmas de MBA convidando-os, escolhemos o lugar, pesquisamos o preço do bolo, o qual era um absurdo de caro (para 20 pessoas um bolo bem meia boca sairia por nada menos que 45,00 euros!), mas depois dessa sugeri para prepararmos uns docinhos… Sairia bem mais barato e a logística ficaria mais fácil!

Pois bem, fizemos fudge e brigadeiro, que já está bem famoso na turma! 😀

As meninas compraram chapéu e língua de sogra para animar o povo e preparamos banners com o nome dos aniversariantes. Incluímos também o nome da Daniele, pois ela também fez aniversário essa semana.

Para a nossa surpresa apareceu muuuuita gente, acho que estávamos em mais de 40 pessoas. Todos estavam super animados!

As meninas disseram para os maridos que iríamos sair nós quatro e os respectivos maridos. Então os três casais se encontraram em um bar e eles viriam nos encontrar, Eduardo e eu, no outro bar. Quando chegaram foi a maior bagunça… Que delícia ver a carinha deles! Eles nem desconfiaram! ;-D

Pré-Natal em… família!

Ontem fomos à uma festinha no apartamento de uma das colegas de turma do Dú, uma americana. A idéia era fazer um pré-Natal com os novos amigos e, porque não dizer, com a nossa família nessas bandas de cá?!

Foi uma delícia! Petiscos gostosos, boa bebida, pessoas mais que agradáveis e uma boa conversa.

Cada um tem uma programação diferente para as próximas duas semanas. Uns viajam para Praga, Paris, Alemanha, voltam para a sua terra natal… outros recebem familiares ou amigos e curtem a Bélgica, mas o mais gostoso de tudo é perceber como essas reuniões são importantes para cada um de nós… que estamos tão distantes das nossas famílias e amigos queridos.

Nessa noite fria, a companhia agradável foi mais do que o suficiente para acalentarmos nossos corações.

Os comes e bebes

Amigos… família

Férias, finalmente!

Depois de 3 meses e meio de muito trabalho, finalmente teremos duas semanas de merecidas férias. Estamos indo viajar, mas a Fernanda vai escrever sobre isto depois.

E como é importante pararmos às vezes para comemorar o que alcançamos, resolvi dar uma olhada em algumas coisas que fiz durante este primeiro termo do meu MBA:

  • 17 eventos, entre o programa de mentorship, career fairs, palestras, apresentações de empresas e outros
  • 15 cursos, de Business and Law a Decision Sciences
  • trabalhei em cerca de 22 grupos diferentes (na verdade foi muito mais do que isto, porque em vários momentos nos dividimos em grupos apenas para uma atividade específica)
  • discutimos cerca de 23 cases (de novo foi mais, pois também discutimos cases mais curtos)
  • completados 15 assignments que terão uma avaliação formal (e um número muito maior durante as aulas)
  • recebemos 9 livros (e eu peguei mais um punhado na biblioteca)
  • nós, alunos, preparamos 5 palestras para o Finance Club que organizamos (inclusive a que preparei sobre o Brasil)
  • comecei a estudar francês
  • consegui tempo para escrever 28 posts (12 no meu blog e mais 16 aqui no Cacau com Lúpulo)
  • conhecemos Amsterdam e Bruges
  • experimentei várias cervejas excelentes 🙂
  • 6 festas com a participação da maioria dos alunos 🙂
  • conheci gente do mundo inteiro e alguns amigos para o resto da vida 😀

É isto; estes meses passaram voando, e tenho certeza de que os próximos passarão ainda mais rápido. Afinal, além de todos os outros cursos, ainda teremos a viagem para a China, o projeto que faremos em uma empresa, o Giving Something Back Project (em uma ONG), a apresentação do nosso Business Plan, a semana do business game e muitas outras surpresas. Assim, vou aproveitar ao máximo estas duas semanas e recarregar as baterias para o próximo ano!

Um Feliz Natal e um Ano Novo maravilhoso a todos!

Top 10!

ranking_economistHoje recebemos uma notícia muito legal: o MBA full time da Vlerick apareceu na décima posição do ranking mundial da Economist. Na Europa apenas o IESE, o IMD e a London Business School estão melhor colocados (e pesos-pesadíssimos como Cambridge, Instituto de Empresa, MIT, Columbia, Insead e Yale aparecem depois da Vlerick).

É claro que estes rankings tem que ser vistos com algum cuidado, mas não deixa de ser um bom sinal o progresso da escola nos últimos anos, especialmente considerando que sua internacionalização é muito mais recente do que a das escolas que mencionei. E é muito fácil reconher que eles estão fazendo um ótimo trabalho, sabendo alavancar os pontos fortes da escola e dos alunos.

Agora temos que trabalhar ainda mais para – no mínimo – manter a Vlerick nesta posição!

As melhores frases do MBA

Esta semana fez um mês que estou estudando… O tempo passou voando, e é engraçado como já sentimos que conhecemos uns aos outros há muito tempo (bem, sempre há algumas exceções :)). Para “comemorar”, resolvi juntar algumas das melhores frases que apareceram durante este mês (pelo menos as que lembrei…):

  • “Vocês parecem realmente acabados.” – nosso professor de Managing Across Cultures, o principal responsável por isto
  • “Alguns claramente parecem ter envelhecido ao longo desta semana.” – o mesmo
  • “Eu quero ouvir a opinião dele!” – um dos nossos colegas, durante a apresentação dos trabalhos de Managing Across Cultures; “Realmente é um holandês fazendo uma pergunta para um japonês…” – nosso professor, colocando panos quentes na situação…
  • “Ninguém se sente realmente belga.”
  • “Ele é australiano, certo? Inglês? Putz, é ainda pior!” – nosso professor de empreendedorismo, brincando com a nacionalidade de Richard Branson
  • “Você sabe que este estudo foi feito na Inglaterra porque os Estados Unidos estão dentro de ‘Antigo Império Britânico’.” – nosso professor de empreendedorismo, de novo
  • “A única pessoa que gosta de mudança é um bebê com a fralda molhada.” – mais uma do nosso professor de empreendedorismo
  • “Eles tem uma coisa muito complicada aqui, chamada Duvel” – um dos meus classmates, lembrando de suas desventuras com uma cerveja muito, muito forte
  • “Trouxe minha esposa hoje (estávamos em um bar) especialmente por sua causa” – outro classmate, para a Fernanda. “É verdade?” – a Fernanda, surpresa com o comentário. “Bem, na verdade não…” – ele, não conseguindo escapar da sua cultura de falar claramente o que pensa (mas um pouco constrangido :))
  • “Não quero falar com você hoje!” – meu classmate hermano, na manhã seguinte do jogo Brasil x Argentina (o pior é que ele realmente é fanático por futebol…)