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As primeiras impressões de Beijing

Logo que deixamos o aeroporto rumo ao hotel pensei que havia chegado em São Paulo. Muito cinza, muito carro pela rua, muito prédio grande em construção, mas logo notei algo que não é tão típico: a freqüência com que as buzinas são usadas… Meu Deus! Como é que eles aguentam ouvir tão repetidamente esse barulho ensurdecedor?

Depois de mais 30 minutos pelas ruas de Beijing analisando a dinânica do tráfego percebi o porque de tantas buzinas: eles não usam setas, viram para qualquer lado a qualquer hora, muita bicicleta, muita e-bike (bicicleta elétrica), muito riquixá e muito pedestre, todos competindo pelo mesmo espaço sem nenhuma regra ou lógica.

Mesmo quando o farol fecha os carros continuam passando e se alguém para é buzinada na certa! 😀

Não demorou nada para perceber que pedestre não tem vez, e não tem vez mesmo. Ou você fica bem esperto ou muitas buzinadas vão rolar! E não adiantar reclamar: “Mas o farol está verde para mim e eu estou atravessando a rua na faixa de pedestre!” Mesmo porque eles não entendem o seu idioma. 😛

Nosso hotel é bem no centro, bem no segundo ring. O rapaz que nos pegou no aeroporto é super atencioso e fala bem pouquinho inglês, mas deu para nos entender… Com muuita dificuldade, é verdade! 🙂 Ele fez as vezes no hotel, porque lá, uma das moças até tentava, mas mesmo com muito esforço não rolou entendimento algum.

Depois de muita conversa nos encaminharam para o nosso quarto… Ui! Ok, estamos na China e acho que é melhor baixarmos o nível de expectativa para não rolar muuuito estresse. E depois de tantas horas de vôo queríamos mesmo era um banho.

Depois de um bom banho e roupas limpas, saímos para caminhar um pouco para descobrir onde era o metro e ver o que tinha por perto. Achamos uma Seven Eleven, que salvou nossos cafés-da-manhã, e um café bem gostosinho, onde tomamos um Ice Coffee e um muito bem preparado Long Island Ice Tea.

E voltamos para o hotel porque tínhamos entendido que o rapaz que nos pegou no aeroporto passaria às 19hs para jantarmos juntos. 19hs em ponto batem na nossa porta com duas sacolas com muita comida… As trapalhadas da comunicação… hehehe

Comemos menos da metade e lá fui eu tentar explicar para a mocinha esforçada que não iríamos mais comer e que eles poderiam ficar com a comida. Depois de, sem brincadeira, 25 minutos de muita mímica as meninas ficaram muito contentes e agradeceram muito: Xie xie, obrigado em Chinês. 🙂

Fim de um longo dia com uma noite muito bem dormida! 🙂

Um Ice Coffee para recarregar as pilhas

Dú tomando um bem preparado Long Island Iced Tea enquanto estudava o mapa de Beijing

Adorei a latinha da Coca-Cola com o logo adaptado

Jantar surpresa

Um pouco da dinâmica do trânsito de Beijing

Dá para ter uma noção agora?

Feliz, feliz, feliz!

Semana passada fui chamada para uma entrevista. A posição e a empresa eram perfeitas, super alinhadas com meu perfil e minhas expectativas!

Fiquei mega ansiosa no dia anterior à entrevista. Putz! Uma entrevista inteira em inglês, era a primeira vez. E quem me conhece sabe que eu não sou (era) a pessoa mais confiante no que se refere a comunicação em inglês. 😕

Mas a entrevista foi surpreendente. Foi ótima! E realmente a posição e empresa tinham tudo a ver comigo. Saí da entrevista muito confiante, revigorada e recompensada! E isso tudo foi pelo simples fato de ter finalmente realizado que minhas fortalezas são muito mais importantes e interessantes que qualquer “falta” de conhecimento de idioma!

Por esse motivo o processo já tinha super valido! 😛

Hoje cedo recebi a ligação da pessoa que me entrevistou. Ela disse que infelizmente não vou continuar no processo, pelo fato de eu não falar Flamengo e Francês (mesmo sendo básico), mas que meu perfil, background e personalidade eram exatamente o que eles estavam procurando.

Aí sim é que fiquei contente. Fui mesmo capaz de me expressar com clareza e demonstrar meus pontos fortes! Eba!

E no final, de forma entusiasmada, ela afirmou que se manteria atenta para outras oportunidades alinhadas ao meu perfil! 😀

Essa era a peça que faltava para o meu quebra-cabeças da confiança… 😛

Afinal, quantas Bélgicas existem?

Ufa, faz um mês e meio que não escrevo um “postezinho” sequer, o que dá uma ideia de como tenho estado ocupado. Durante este tempo já experimentei várias outras cervejas 🙂 mas não tive tempo de escrever sobre nenhuma  :(. Porém, na última semana ouvi um comentário que merece ser registrado 🙂

Os alunos do mestrado da Vlerick organizaram um evento bem interessante, que discutiu como colocar a economia européia de volta nos trilhos e se inovação seria a resposta para isto. Tudo corria muito bem quando um dos palestrantes disparou a seguinte pérola:

A Bélgica e Flandres são dois países pequenos.

Hã? Como assim? Desde quando Flandres é um país?

Na verdade este comentário reflete uma coisa muito peculiar (para não dizer estranha): existem meio que dois países dentro da Bélgica, Flandres – a região que fala holandês – e Valônia – a região que fala francês (também tem uma região bem pequena que fala alemão, mas vamos deixar esta de lado). As duas meio que não se bicam, mas ninguém parece querer admitir isto abertamente. Alguns dizem que é mais uma coisa dos políticos, outros que só as pessoas mais idosas olham para isto e por aí vai. Mas o fato é que às vezes aparece algum comentário maluco como o que citei ou reparamos que as mensagens no trem são em francês quando estamos na região de Bruxelas mas mudam para holandês assim que nos afastamos 🙂

No fundo os sentimentos parecem ser mais ou menos assim: os flamengos parecem meio que ignorar os valões e os valões parecem meio que se ressentir disto. Eu só sei uma coisa: até a cerveja parece refletir esta divisão: cada uma das regiões tem 3 cervejarias trapistas 😀

PS: se quiser ler um pouco mais sobre isto, dê uma olhada nesta página. Mas eu não sei bem o que pensar de um jornal que é publicado por uma “Sociedade para o Avanço da Liberdade na Europa” mas que tem como lema “A voz do Conservadorismo na Europa”. Leia por sua própria conta e risco 😛

Passeando por Liège

Esta semana fui à Liège com a Paz (minha amiga argentina), sua filhinha de 2 meses, sua sogra e sua norinha de 14 anos.

Liège fica à 70km de Leuven e fizemos uma viagem bem tranqüila.

Na verdade tudo começou porque a sogra e a norinha da Paz, haviam voltado da Inglaterra e estavam estarrecidas com a loja Primark. Uma mega loja, super famosa na Inglaterra, e super barata. Super mesmo, você acha blusas por 3 euros.

Quando chegaram aqui ficaram pesquisando sobre a loja e descobriram que acabaram de inaugurar uma aqui na Bélgica, em Liège. Para lá elas foram e me levaram junto… Eba!

Passeamos um pouco pelo bucólico centro histórico de Liège, fizemos um lanche rápido, tiramos fotos, como todo bom turista e esbarramos com muita gente que fala espanhol pelas bandas de lá, e, finalmente,  fomos em busca da loja. É verdade que paramos duas vezes para pedir orientação. A primeira arrisquei no francês e meio que entendi :?. No meio do caminho paramos de novo e lá fui eu arriscar o francês novamente, mas a senhora falou com tanta segurança que era na própria rua que estávamos que eu não pude acreditar que estava realmente entendendo. Então ela, gentilmente, chamou um rapaz que falava inglês e ele confirmou o que eu havia entendido. Que legal, pelos dois motivos: realmente entendi o que a senhora explicou e estávamos bem pertinho. Ufa! 😉

Chegamos! É um shopping gigante recém inaugurado e a loja é bem grande e, tenho que admitir, bem barata mesmo. Bem, nem preciso dizer que ficamos a tarde inteira lá e quando nos demos conta já eram 19h30.

Tomamos um sorvete maravilhoso na Häagen-Dazs, enquanto a sogra da Paz fechava suas contas e voltamos para casa.

Que tarde divina!!! Boa conversa, ótima companhia e muita alegria! 😛

Je suis très contente!

Hoje fui à Bruxelas por motivos mega burocráticos… Para resolver algumas coisas no Brasil alguns órgãos/instituições não estão aceitando as procurações que deixamos e estão solicitando procuração pública.

Então aproveitei para bater perna pelas bandas de Bruxelas e ainda para ir ao Consulado de Portugal para emitir o meu passaporte e ser definitivamente uma cidadã européia… que chique!

Pois bem, o que me deixou mais feliz, entre tantas experiências diferentes que tive hoje, foi testar o meu francês… Começou quando pedi informação na rua, pois não estava na avenida certa: perguntei em francês e entendi direitinho o que a senhora me explicou… EBA!!!

Depois, fui comer um lanche rápido e pedi tudinho em francês, mas aí a atendente desembestou a falar e não entendi nadinha, mas usei uma das frases mais importantes que aprendemos, e essa é importante de se aprender em qualquer idioma: Vous pouvez parler plus lentement, s’il vous plaît? = Você pode falar mais devagar, por favor?… E não é deu certo? Fiquei orgulhosa da minha habilidade de comunicação… hahahah

Pelo menos perdida e com fome eu já sei que não fico! 😀

Je m’appelle Fernanda! :-*

Terça-feira começaram as aulas de francês… já sei me apresentar: dizer meu nome, meu país de origem, minha profissão, meu estado civil e onde moro… rsrsrs

A aula é um barato, mas não por causa do professor (esse é o caso da aula de inglês, professora muito louca), é que ninguém consegue explicar ou se expressar muito, e aí acontece uma mistureba de idioma.

Estamos em oito, um polonês, um albanês, uma inglesa, uma chinesa, um indiano, uma alemã e duas brasileiras, uma menina do Recife e eu.

Cheguei 30 minutos atrasada, logo na primeira aula :-(, (tivemos que ir ao City Hall para dar entrada nos nossos registros de permanência… ai que burocracia… e o pior é que fomos convocados só para mostrar, novamente, os documentos e assinar mais um papel e agora temos que esperar mais uma nova convocação)… bem, ao entrar o professor, falando em francês, se apresentou e perguntou meu nome… pelo menos isso eu sabia dizer: “Je m’appelle Fernanda et je suis brésilienne”. Mas o mais engraçado foi uma das meninas (a brasileira) dizer: Je suis também! rsrsrs e foi assim por toda a aula, queríamos falar ou complementar alguma coisa, mas nada de vocabulário e a mistureba acontece… rolou um pouco de tudo.

Mas o mais engraçado é perceber como a limitação da expressão oral nos torna mais atentos ao todo… a dinâmica da sala foi completamente diferente da aula de inglês. Todos parecíamos mais atentos ao outro… interessante como quando não podemos falar fazemos uso das nossas outras funções… vai ser uma experiência interessante!

Já dizia minha mãe: “Temos dois ouvidos e uma boca não por acaso!”… Pena que nos esquecemos disso, ou pior, nunca nos atentamos para isso!!!

Aula de inglês ou uma lição de vida?

Minhas aulas de inglês tiveram início. Minhas expectativas não eram lá muito grandes… aliás, estava até um pouco com o pé a trás, pois como minhas aulas serão durante o dia estava receosa sobre o perfil dos alunos… poderiam ser muito jovens e meio desfocados… pré-conceitos!!!

Mas também esperava conhecer pessoas de diferentes nacionalidades, com diferentes histórias e começar as aulas… gramática, vocabulário, essas coisas que tem em todas as aulas de idiomas. E o que encontrei? Algo bem diferente disso!

Na verdade a dinâmica da aula já foi bem legal…. a professora é meio louca e fala inglês com sotaque britânico (que particularmente acho lindo) desembestadamente! Nossa é uma coisa de louco!

Estávamos em 16 pessoas, 2 japoneses, 1 singalesa e os demais belgas! Pois é, a turma não é muito heterogênea… foi minha primeira impressão. Mas o que mais me impressionou foi a diversidade etária. Achei impressionante! A maior diversidade, claro, está entre os Belgas. São 2 mocinhas, entre uns 20-25 anos, umas 3 ou 4 pessoas entre 30-45 anos e os demais todos mais velhos.

Logo ganhei o cargo de assistente da professora, pode? Sou a responsável por passar a lista de presença e checar se todos assinaram… tarefa importante, pois com base nessa lista rola uma fiscalização. O curso é subsidiado pelo governo e por isso é bem acessível a todos (€135,00 pelo curso + €20,00 pelo material didático no ANO, é no ano!).

mulherAlém disso a professora fez um comentário que eu poderia ajudar as pessoas que tinham dificuldade com internet e uma das alunas levou à sério… no final da aula nos encontramos no estacionamento de bicicletas e ela perguntou se eu poderia mesmo ajudá-la, já que ela realmente não sabe como acessar. Falou: “Sabe Fê (que bonitinha), eu já tenho 75 anos, não sei se isso vai dar muito certo!”. Fiquei sem fala mentalmente. Respondi que qualquer hora é hora de aprender e que logo ela estaria manejando o micro como maneja a bicicleta! Ganhei o meu dia, semana, mês, sei lá!

Se tivéssemos metade da disposição que essa senhora tem e a vitalidade que ela inspira seríamos muito melhores… mas nem de longe eu diria que ela tem essa idade. E que disposição de melhorar o seu idioma e de carona melhorar sua habilidade em usar o micro e a internet! 😉 Me encantei!

São esses exemplos que valem em nossa vida! E olha que o meu pré-conceito poderia ter sido uma grande barreira para ver e aprender coisas incríveis! Que delícia estar no meio de pessoas maduras e com um espírito realmente jovem!