Archive | julho 2012

O dia em que TUDO deu errado

10 de julho entrou para a história como o dia em que tudo deu errado para a gente… Neste dia íamos viajar para a África do Sul, mas foi esta a sequência de acontecimentos:

  1. Já que viajámos de Schipol, decidimos ir de trem de Eindhoven para Schipol – uma viagem direta e mega-conveniente, já que você desembarca literalmente no saguão do aeroporto. Chegamos na estação e todos os trens diretos estavam cancelados – alguém resolveu cavocar os trilhos exatamente neste dia… Por muita sorte perguntei qual era a melhor alternativa (ir até Rotterdam e pegar o Fyra, um trem rápido), pois a solução “oficial” incluía fazer um zigue-zague, com duas trocas de trem em estações super pequenas (daquelas que você nunca vê nenhum trem parando) e pelo menos 1 hora a mais de viagem
  2. Felizmente saimos cedo de casa então não tivemos que correr. Fizemos o check-in na boa dos dois voos, de Amsterdam para Londres, e  de Londres para Johannesburg. Na hora do embarque, porém…. Nada acontecia. Aparentemente o tempo em Heathrow estava horrível e todos os voos estavam sendo retidos. Depois de muito tempo embarcamos, mas já com risco de perder a conexão
  3. Chegamos em Heathrow. Demora para abrir a porta. Esperamos, esperamos, esperamos até o capitão dizer que encontraram um problema na escada que seria usada para o desembarque e tiveram que ir buscar outra. Esperamos mais um pouco. Cada vez mais perto a hora de saída do outro voo…
  4. Trouxeram a escada. O povo se acotovela para desembarcar. De repente, todo mundo pára. Com uma voz algo desconsolada (mas disfarçando bem, como seria de se esperar de um bom inglês), o capitão anuncia que só havia um ônibus disponível para nos levar até o terminal, então temos que esperar ele ir e voltar, o que leva uns 15 minutos de cada vez. O tempo passa….
  5. Finalmente chegamos no terminal… Nem precisamos correr muito para saber que não conseguiríamos pegar o outro voo… Nos indicaram onde verificaríamos nossas alternativas. A fila ainda estava pequena, mas simplesmente não andava. Ficamos horas ali até sermos atendidos. Já era mais de 23h e nossos estômagos estavam nas costas, pois só fizemos um almoço leve (já que nosso primeiro voo era às 19h)
  6. Enquanto esperávamos, descobrimos que o outro avião ainda estava no terminal! Alguns amigos da Fê também estavam no mesmo voo, que também estava atrasadão. A gente tentou e tentou convencer alguém de que dava para embarcar, mas a flexibilidade era zero. Descobrimos depois que nosso voo de Amsterdam estava previsto para chegar ainda mais tarde, depois do outro decolar. Talvez por isto tenham colocado outros passageiros nos nossos assentos, já que vários voos tiveram problemas este dia, mas não conseguimos uma resposta clara
  7. Como não havia nenhum outro voo até a noite seguinte, nos deram vouchers para um hotel. A gente passou pelo controle de fronteira na boa, mas encrencaram com as amigas da Fê, pois elas precisavam de visto para entrar na Inglaterra. Ficamos esperando um tempo até as coisas se resolverem, mas quando fui checar elas já tinham passado e a gente se desencontrou
  8. Saimos do terminal e é claro que o shuttle para o hotel já não estava mais operando. Esperamos mais um tempo por um táxi; quando finalmente conseguimos um o motorista pareceu um pouco relutante… Depois descobrimos que é porque tecnicamente o hotel não fica em Londres, mas numa cidade ao lado, o que faz com que tarifa seja quase 3x mais cara do que a de uma corrida normal em Londres
  9. Comemos um negócio (mais de meia-noite) e fomos dormir por volta das 2h30 da matina, para acordar à 8h e ligar para a central de reservas para remarcar o voo… O hotel era ótimo, mas a noite foi péssima
  10. Finalmente embarcamos, na mesma hora, um dia depois. Mas é claro que a coisa não acabou aí…. Novo atraso na decolagem… Espera, espera, espera e 1h30 depois finalmente decolamos
  11. Tudo isto matou o dia que teríamos para conhecer Johannesburg e descansar antes de viajar para o Kruger Park. Também perdemos um jantar que parece ter sido excelente, numa churrascaria super bacana em Johannesburg. Basicamente chegamos no aeroporto e entramos no carro, enfrentando uma loooonga viagem – chegamos na casa que alugamos por volta das 21h. Nada como chegar em algum lugar depois de 54h de viagem Smile

Se tiver uma conexão, lembre de incluir uma muda de roupa na bagagem de mão. Como a gente não fez isto, tivemos que dar uma lavadinha nas nossas roupas na pia mesmo (ainda bem que tinha um daqueles aquecedores de parede para pendurar as toalhas, senão elas talvez não secassem…) e sair caçando um mercado para comprar desodorante e creme dental. Imagine-se nesta situação e não esqueça a muda de roupa, especialmente se a conexão for na Inglaterra, onde o tempo é sempre camarada Smile with tongue out

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Pãozinho de Leite e o que me motiva

Você já teve vontade de mudar o mundo? De causar um impacto positivo em sua comunidade? De ser capaz de fazer mais? Eu já tive. Eu ainda tenho.

Na adolescência e na fase jovem adulta, me lembro de pessoas mais velhas e experientes me orientando: “Calma, Fernanda! Esse ímpeto todo, com a idade, vai passar.” “Esse idealismo é típico da idade, minha querida.” Às vezes eu achava que essas pessoas tinham razão e acalmava o meu facho. Outras vezes, ouvir essas coisas era o que mais acendia o fogo da revolta.

Com idade e a experiência percebo que o fogo da revolta baixou, mas o idealismo não. Talvez tenha até aumentado. Vocês podem me chamar de naïve. É, essa sou eu. Não posso deixar de constatar que esse idealismo é o que me faz ser diferente, ser singular. Não estou falando que eu seja especial. Reparem. Cada um de nós temos as nossas singularidades. As nossas características únicas que nos distinguem como seres humanos, seres singulares. Percebo que toda vez que me deparo com a oportunidade de causar um impacto positivo no outro, na minha comunidade, no mundo, meus olhos brilham, meu coração bate mais forte, tenho fome de ação. Essa sou eu. 100% motivada a agir. A fazer algo por alguém.

Na minha tese de mestrado tenho o tema motivação como pano de fundo. Estudar esse processo psicológico em mais profundidade e explorar perspectivas, modo de aplicação me faz acreditar que somos realmente capazes de tudo, tudo e mais um pouco. Nos basta ter coragem para quebrar barreiras, travar novas batalhas, desbravar novos caminhos, abrir novas portas e, mais importante ainda, fechar algumas portas abertas.

Minha apresentação para o Congresso Internacional de Psicologia Cross-Cultural está quase pronta. Estou trabalhando na tentativa de abrir novas portas. Se terei sucesso? Bem, isso depende do que você considera sucesso. Eu já me sinto bem sucedida. Me conheço cada dia mais. Valorizo a simplicidade do dia-a-dia. Acredito e confio em meus valores. Não só estudei motivação, mas pensei e apliquei o que estudei no meu auto-conhecimento. Sinto-me plena. Feliz! Ainda que cheia de perguntas em minha cabeça e coração, mas essa é a beleza do desenvolvimento, não?

Esse pãozinho é um símbolo do processo pelo qual passei, passo e sempre passarei. A junção de ingredientes simples, a espera pelo tempo de maturação/desenvolvimento, o calor da ação que vai causar a transformação e, por fim, o sabor de viver o que se é!

Pãozinho de leite

Receita adaptada daqui

Ingredientes

  • 150 ml de leite morno
  • 1 1/2 colheres (chá) de açúcar
  • 1/4 colher (chá) de sal
  • 1/2 colher (chá) de fermento seco
  • 25 ml de azeite
  • 1 colher (chá) de manteiga
  • 1 ovo
  • aproximadamente 250g de farinha de trigo

Modo de preparo

  1. Bata todos os ingredientes menos a farinha no mini processador (ou liquidificador).
  2. Despeje em um bowl grande a mistura e aos poucos adicione a farinha. Vá mexendo com uma colher de pau até obter uma massa bem homogênea e um pouco menos grudenta.
  3. Em uma superfície lisa e enfarinha despeje a massa e comece a sovar. Vá acrescentando farinha aos poucos até obter uma massa elástica. A minha ainda ficou um pouco grudenta, mas possível de sovar.
  4. Deixe a massa descansar por 30 minutos coberta e em local livre de vento.
  5. Coloque a massa sobre uma superfície e separe pequenos pedaços, faça bolinhas e coloque em forma untada e enfarinhada, deixando um espaço entre os pãezinhos. Como fiz 1/4 da receita original dividi a massa em 8.
  6. Deixe os pãezinhos crescer cobertos e em local livre de vento até dobrar de volume.
  7. Pincele gema de ovo e salpique sementes de papoula (opcional, eu fiz e ficou lindinho).
  8. Assem em forno médio por 35 minutos. No meu (forno-convecção) levou 27 minutos em 180C.
  9. Se aguentar, deixe esfriar. Eu abri o pãozinho, queimando os dedos e meti um belo naco de manteiga que imediatamente derreteu. Delícia!

Em Bruges

Uns finais de semana atrás estivemos novamente em Bruges. Como da primeira vez foi um ótimo passeio – a cidade ainda mais bonita agora que não há mais restaurações cobrindo parte da igreja de Nossa Senhora nem do Markt; como sempre uma multidão de turistas em todo lugar; as dezenas de tentadoras lojas de chocolate continuam por ali, bem como as pequenas surpresas e curiosidades que surgem nas suas estreitas e sinuosas ruas medievais.

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Mas entre estas duas visitas descobri que Bruges também é um excelente lugar para experimentar algumas das melhores cervejas que a Bélgica produz. Duvida? Então vejamos:

  • Fica em Bruges a cervejaria De Halve Maan, que produz uma das minhas cervejas favoritas, a Straffe Hendrik Quadrupel. Também merece atenção sua Tripel, de acordo com eles a “última autêntica Tripel Ale de Bruges”
  • Há uma loja da De Struise, onde eles prometem ter sempre à venda pelos menos 3 cervejas no tap e mais 10 em garrafas. Estes caras sabem fazer cerveja e a chance de experimentá-las ali mesmo e ainda comprar umas garrafas da que mais gostou não tem preço Smile Bem, na verdade tem preço sim, infelizmente um tanto caro…
  • 331O bar De Garre também fica em Bruges, num bequinho estreito que te dá a impressão de voltar no tempo. Se não bastasse ela ter uma carta sem fim de cervejas (mais de 100) ainda tem uma tripel “da casa” espetacular, à venda exclusivamente no local (apesar de ser produzida pela mesma cervejaria da Gulden Draak, outra das minhas favoritas). Tivemos sorte de agarrar uma mesa, pois o entra-e-sai de pessoas que tentavam – sem sucesso – achar um lugar mostra o quão conhecido é o De Garre

167E agora as cervejas. Na Struise experimentei a Shark Pants, “oficialmente” uma Double IPA. Porém, ela é mais como uma mistura entre uma IPA e uma típica Belgian ale: cor âmbar bem bonita, o aroma de lúpulo típico das IPAs é amenizado pelo aroma mais adocicado de uma ale, cuja natureza também contribui para uma cerveja mais encorpada – mas com um final seco e amargo que lembra as IPAs, embora de forma mais contida. Uma cerveja interessante, mas que fica atrás das melhores da Struise.

No De Garre é lógico que encarei a house tripel (ou, se quiser usar o nome correto, Tripel Van De Garre). Esta é fora de série, talvez a melhor tripel que já tomei. A verdade é que ela é uma tripel diferente, muito mais encorpada, mais macia e alcoólica do que o “normal” para o estilo. Ainda vem em um copo estiloso, que ajuda a formar um belo colarinho – junto de uma simpática porçãozinha de queijo, talvez para ajudar a contrabalançar o álcool (o fato é que o queijinho também era muito bom Smile). Se estiver em Bruges e gostar de cerveja, não ir a este bar é imperdoável. Talvez em outro post eu dê umas dicas de como achá-lo. Winking smile

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