Archive | abril 2012

Feliz aniversário, rainha Beatrix!

Hoje foi Koninginnedag, ou Queen’s Day, um dos feriados mais esperados da Holanda. Dia em que muitos se vestem de laranja, outros tantos criam um enorme flea market nas ruas vendendo seus bens usados e todo mundo parece ir para a rua festejar. Especialmente quando depois de várias semanas frias e sem sol – em […]

A melhor cervejaria da Holanda

Estamos na fase de encarar de frente a dura tarefa de procurar e experimentar as melhores cervejas que temos à disposição Smile – mês passado foram cervejas da Bélgica e agora da Holanda.

E no melhor espírito prático holandês, encontrá-las não foi tão complicado desta vez – a Brouwerij de Molen (Cervejaria O Moinho) abocanhou nada menos do que 36 posições das 50 melhores cervejas holandesas – de acordo com este ranking do site Rate Beer. Eles deixaram até mesmo uma das minhas cervejas preferidas, a La Trappe Quadrupel, amargando a nada honrosa (para a única trapista destas terras) 14. posição… Então a busca se resumiu a imprimir esta lista e colocar o endereço desta micro-cervejaria no GPS.

demolen01

Chegando lá vimos que ela está numa cidade pequena mas muito simpática; a cervejaria em si também está em um bonito e bem-conservado moinho. Perguntamos onde era a loja, para sermos conduzidos pelo meio do moinho até a pequena – mas muito bem sortida! – loja, onde nos aguardava um rapaz simpático e ávido para nos contar várias histórias sobre a cervejaria e sobre cerveja em geral.

Ele nos contou como a De Molen ficou famosa depois que uma de suas cervejas, a Rasputin, foi a primeira cerveja não-belga a vencer uma competição que acontece nos “países baixos” (Bélgica, Holanda e Luxemburgo). Nos contou a história de várias de suas cervejas, como a Fone50, cujo nome verdadeiro é V Years 20k e foi criada para um conhecido comemorar um evento organizado na própria De Molen! Ou a Vuur & Vlam (Fire & Flames), que continha uma pimenta fortíssima (!) na fórmula, para desespero dos incautos que a experimentavam nos tours – segundo ele, depois de um par de goles estavam todos vermelhos e suando… Também explicou que eles perderam posições no ranking das melhores micro-cervejarias do mundo depois que se mudaram para onde estão agora, pois não importa que as proporções estejam certas, o simples fato de estarem produzindo em volumes maiores altera o resultado final e ainda precisam se adaptar à nova escala. Ainda falou da surpresa que foi a Westvleteren12 ter perdido a primeira posição este ano – mas que o fato de isto ter acontecido por um tantinho, num ano em que todas as condições para a produção da agora campeã foram perfeitas, é quase que um elogio para a Westvleteren, pois eles tem produzido a melhor cerveja do mundo por décadas e apenas um ano perfeito consegue tirar dos monges da Sint-Sixtusabdij o primeiro lugar… Isto que é admiração Smile

demolen02

Bem, já dá para imaginar que a cada pergunta sobre uma cerveja específica vinha uma breve aula sobre o que esperar dela e o que ela tem de peculiar. Muito legal a atenção e a verdadeira paixão pela cerveja que eles fazem. O resultado final foi a escolha de 15 garrafas, sendo 14 diferentes cervejas. A única repetida é a de uma série especial que está em terceiro lugar no ranking (a primeira foi outra série especial que já não está mais à venda e a segunda é uma cerveja de produção regular – as três da De Molen).

É isso aí, nos próximos meses terei muito o que escrever sobre cerveja (depois de um período meio paradão…). Os primeiros posts já estão saindo do tanque de fermentação – aguardem!

E você? Está presente?

Esta semana participei do TEDx UtrechtUniversity. É um evento com a cara do TED, mas viabilizado por organizações independentes. O estilo e jeitão são os mesmos. Caso você não conheça, não perca tempo: dê um pulinho no site do TED, vasculhe, assista aos vídeos e veja, por você mesmo, quanta coisa boa tem por lá. Um excelente meio de aprender e se desenvolver na Internet.

O tema do TEDx UtrechtUniversity foi “Criando um Mundo Social” e para isso os palestrantes compartilharam suas experiências práticas, acadêmicas ou governamentais relacionadas ao desenvolvimento de um mundo mais social.

Duas apresentações me chamaram especial atenção, por motivos diferentes. A primeira foi da Thembi Tobi, fundadora do Thembi & Co, uma produtora de vinho da África do Sul. Sua apresentação não foi particularmente eloquente, mas foi de uma profundidade ímpar. Thembi contou sua trajetória, a dificuldade de abrir caminhos por ser sul africana, mulher e negra. Falou sobre seus sonhos e o que a fez seguir adiante e chegar onde chegou. Terminou falando que mesmo já tendo conquistado seu espaço quer mais, tem mais ambição. Ambição de ver seus filhos e netos dando continuidade ao seu trabalho, ambição de dar esperança e ser um exemplo a tantas outras mulheres, negras e sul africanas, ambição de ajudá-las a achar o seu caminho, abrir portas e se constituir num Mundo Social. Um verdadeiro exemplo de mulher. E seu nome, não por acaso, significa esperança. 🙂

A segunda apresentação que me acariciou o coração foi a do Patch Adams. Sua vitalidade, experiência, visão de um Mundo verdadeiramente Social, foi uma grande injeção de ânimo e até um tapa na cara. Como pode um cara que aos 66 anos de idade, viaja o mundo compartilhando amor, sorriso, otimismo e alegria, ser tão mais jovem que eu e muitos dos que ali o ouvia? Bom, acho que a descrição que fiz já explica o motivo de toda sua juventude, não?

Ao término do evento ele nos convidou para sentarmos no chão e continuarmos o bate-papo, a troca de amor (como ele mesmo diz). Ficamos mais 2 1/2 horas em sua companhia. Algumas das perguntas feitas a ele foram: Você nunca chora? Qual o segredo do seu eterno otimismo? Por que você escolheu essa vida? Você não sente falta de ficar em sua casa? Em linhas gerais suas respostas foram todas claramente pautadas no amor. “Amor por si mesmo. Sim, tudo começa quando nos amamos de verdade e se nos amamos como e pelo o que somos, os outros automaticamente nos amarão também e assim compartilhar o amor que você tem não será uma tarefa, será algo muito natural“. O sorriso. Esse é outro do seu segredo. Através do sorriso, compartilhamos amor. “Já experimentou entrar em um elevador e sorrir, genuinamente, para a pessoa ao seu lado? Essa pessoa não tem outra alternativa a não ser sorrir de volta. Esse não é um excelente exercício?Acredite em sua causa. Ele luta e acredita que um sistema de saúde mais inclusivo é possível e essa tem sido sua luta há muitos anos nos Estados Unidos. Ele acorda feliz para lutar todo santo dia. Se ele chora? Bem, a história que ele contou me fez muito sentido, especialmente porque me lembrei de algumas situações em que me propus a ajudar uma pessoa/comunidade e ao invés de me penalizar com sua situação eu apenas estava lá. Estava presente. Estar presente é o que faz com que Patch não chore quando visita um hospital, campos de guerra, ou se vê em frente a uma pessoa que sofre muito. “Se eu chorar não estarei ajudando ninguém.” Por esse motivo ele fala do poder do estar presente. “Esteja lá, viva esse momento e dê o amor e a alegria que você tem ao outro. Nós temos muito amor para dar“. 🙂

Duas histórias muito diferentes. Duas personalidade ainda mais diferentes. Duas lições de vida lindas e muito intensas. 😀

Obrigada meu Deus, por me permitir “estar presente”, apreciar o diferente, aprender com o diferente e me tornar uma pessoa diferente. 😛

Ah! Quase ia me esquecendo: ganhei uma massagem ma-ra-vi-lho-sa do Patch. Virou amigo do peito! 😉

Os vídeos ainda não estão disponíveis, mas assim que estiverem atualizo o post. Por enquanto inspirem-se nesse aqui! Louie Schwartzberg: Nature, Beauty and Gratitude (clique para assistir).

Eu sou grata pelo lindo dia que tenho hoje!

Cheesecake com calda de mirtilo e limão siciliano

Aqui está a receita do cheesecake que preparei para o almoço/jantar com nossos amigos brasileiros.
Essa foi a primeira vez que usei os biscoitos digestivos na base e com certeza não voltarei a usar biscoito maria ou maisena. Essa base ficou divina.
 

Base – Receita adaptada daqui

  • 2 1/2 xic. de Digestive Biscuits ou Graham Crackers – algum biscoito de farinha integral de sabor neutro, nem excessivamente doce nem com grãos de sal
  • 1/4 xic. açúcar cristal orgânico (usei uns 30% menos açúcar e ainda diminuiria a proporção. Para mim ainda ficou muito doce.)
  • 1/2 xic. (120g) manteiga sem sal derretida

Pré-aqueça o forno a 180ºC. Misture numa tigela o biscoito moído, o açúcar e a manteiga derretida, até que todo o farelo pareça úmido. Despeje numa forma de torta ou de bolo, de fundo removível, de cerca de 23cm de diâmetro. Aperte contra o fundo de forma uniforme. Leve ao forno por 5-7 minutos (no meu forno – convecção – foram 10 min), ou até que os farelos pareçam secos e dourado-escuro. Retire e deixe esfriar.

Cheesecake – receita daqui
  • 370g de ricota
  • 370g de cream cheese
  • 1 1/3 xícaras (267g) de açúcar refinado (usei demerara)
  • 3 ovos
  • 2 colheres (chá) de extrato de baunilha

Baixe o forno para 140°C. No processador (bati tudo na mão, a base é bem leve e não justificava sujar mais uma coisa), processe a ricota e o cream cheese até homogeneizar. Junte o açúcar, os ovos e a baunilha e processe novamente para incorporar. Despeje a mistura sobre a base de biscoito e leve ao forno por 55-60 (no meu forno -convecção- foram 1h 15min) minutos até firmar.

Calda de mirtilo e limão siciliano – receita adaptada daqui

  • 1 xícara de mirtilos (blueberries), frescos ou congelados
  • ¾ xícara (150g) de açúcar refinado (usei 2 colheres de sopa cheias de açúcar mascavo… gosto de geleias com gosto da fruta, azedinhas e não muito doces)
  • 1 colher (sopa) de raspas de casca de limão siciliano
  • 3 colheres (sopa) de suco de limão siciliano
  • ¼ xícara (60ml) de água
  • 1 colher (sopa) de amido de milho (não usei amido)

Misture os mirtilos, o açúcar, o suco e as raspas de limão siciliano numa panela pequena – não use panela de alumínio, cobre ou ferro. Numa tigelinha, dissolva o amido de milho na água, misturando bem com um garfo (eu não usei o amido e não fez a menor falta. Apenas adicionei a água e deixei em fogo baixo até adquirir a consistência que eu queria, uns 20min). Junte o amido dissolvido à panela. Leve ao fogo médio, misturando de vez em quando, até que comece a ferver e engrosse ligeiramente – quando mexer, amasse os mirtilos com um garfo para que eles dissolvam na geléia. Deixe esfriar completamente.

Retire o cheesecake do forno e deixe esfriar completamente na forma. Desinforme e sirva com a calda.

Fiz 2/3 da receita acima (da base e do cheesecake) e usei uma forma de bolo redonda de 20cm com fundo removível.

A geleia que sobrou deixei na mesa para os que quisessem mais, mas ela acabou cobrindo as fatias da torta de ricota também. 🙂

Primavera?

Será que alguém pode me dizer onde estão aqueles dias quentinhos, de céu azul e Sol brilhante?

Fonte: The Weather Channel

Há duas semanas os dias lindos de primavera haviam chegado à Holanda. Estávamos todos muito mais felizes e animados com dias lindos. Mas aí tudo muda. A temperatura cai drasticamente. O Sol some. O céu volta a ficar cinza o dia todo. E, é claro, volta a chover. 😦

E o que é essa possibilidade de neve bem no domingo de Páscoa?

Ah Deus, dá uma mãozinha aí, vai?! Nós já trocamos os pneus de inverno pelos de verão!

Recomendados, nós?!

Tenho estado um pouco atrasada com a leitura dos blogs que gosto de acompanhar. E confesso que tenho acompanhado cada vez menos blogs. Não pela falta de oferta, mas sim pela falta de qualidade das publicações infindas na rede. Mas esse é tópico para outro post. Se é que terei vontade de escrever sobre. 😕

Mas indo ao ponto que queria, um dos blogs que adoro acompanhar é o da Letícia Massula, o Cozinha da Matilde. É um blog leve e denso ao mesmo tempo. De escrita convidativa e sempre muito instrutivo. Cada vez que leio alguma de suas publicações aprendo um monte e fico curiosa sobre mais um monte de coisas. Cada visita ao blog significa pesquisa. Sim, a Letícia tem um ar descontraído, mas é séria, muito séria no que se propõe a escrever. Assim esse é sem dúvida um blog que acompanho com gosto.

Mas o ponto é o seguinte: Ao ler seus últimos posts me deparo com uma recomendação sobre o nosso blog. Uau! Fiquei corada. Li, reli e quando o Dú chegou fui correndo falar para ele: “Dú, Dú abre aí o blog Cozinha da Matilde. A Letícia fez uma recomendação sobre o Cacau. Olha só que recomendação legal!”. 😛

E agora, antes de escrever esse post, dei outra lidinha no que ela escreveu. Gostoso ler o que as pessoas acham do que escrevemos, não?! 😀

Quer ver o que ela escreveu sobre nós? Clique aqui ó!

Torta Di Ricotta

Há alguns finais de semana fomos convidados para um almoço/jantar na casa de um casal de brasileiros simpaticíssimos e a sobremesa ficou por nossa conta.
O almoço estava simplesmente divino. Uma bela salada, arroz branco fresquinho, feijão “quase” tropeiro, abacaxi gratinado e um lombinho que estava de comer rezando. Ah! É! Esqueci de dizer, sim eles são mineiros e dos bons, viu?! 😉
De sobremesa preparei um cheesecake (a receita vem em breve) e essa despretensiosa torta de ricota.
Ela é tão simples que nem parece grandes coisas, mas o sabor e aroma não a deixam passar desapercebida. 😛
Se você quiser impressionar seus convidados, asse a torta poucas horas antes do evento. A casa fica com um perfume de canela super especial. 😀
Torta Di Ricotta
 Receita daqui
Ingredientes
  • 450g de ricota
  • 4 ovos médios, separados
  • 3 colheres de sopa de farinha de trigo
  • 225g de açúcar (eu usei demerada)
  • 1 colher de chá de canela
  • raspas de 2 limões sicilianos médios
  • 4 colheres de sopa de grappa (usei rum)
  • açúcar mascavo
Modo de preparo
  1. Pré-aqueça o forno a 190C.
  2. Misture a ricota e as gemas até ficar homogêneo.
  3. Adicione a farinha, açúcar, canela, as raspas de limão e a grappa (ou o rum) até ficar uma massa homogênea.
  4. Bata as claras em neve e adicione-as na massa com delicadeza.
  5. Unte uma forma de 25 cm com manteiga e coloque a massa.
  6. Asse por 40 minutos.
  7. Quando frio, desinforme e salpique o açúcar.

A geleia do cheesecake que sobrou foi parar na fatia de torta do prato do Dú. Os demais o copiaram e também adoraram. 🙂

E não é que ele existe?

Você se lembra da confusão ítalo-argentina que descrevi aqui? Pois não é que nas nossas andanças pelas inspiradoras ruas de Barcelona nós demos de cara com o restaurante GINOS?

hehehe Pelo visto nosso amigo argentino não estava tão louco assim, ele só se confundiu de país. 😛