Depois da maior, a menor

Neste post contei que – por um golpe de sorte – a La Trappe, única cervejaria trapista da Holanda, fica a apenas meia hora de casa. Como às vezes a sorte bate duas vezes na mesma porta, a Achel, uma das cervejarias trapistas belgas, também fica a apenas meia hora de casa. Literalmente na fronteira da Bélgica com a Holanda.
O curioso é que estas são a maior e a menor cervejarias trapistas em termos de produção. A produção da La Trappe é 32 vezes maior do que a da Achel, que consegue produzir ainda menos do que Westvleteren. Mas a diferença não é só de tamanho; a La Trappe tem uma “sala de degustação” grande, moderna e bonita. O espaço ao ar livre é muito agradável e arborizado. Visitas guiadas acontecem 2 vezes ao dia e a lojinha sustenta a imagem moderna e sofisticada. A Achel é o oposto: você passa por um portão para ter acesso ao pátio interno onde o bar está localizado. Cadeiras e mesas de plástico; nenhum luxo ou sofisticação ao redor. O bar funciona meio como um “bandejão”: você passa por uma vitrine com doces e tortas (quer uma? abra a portinha e se sirva!), algumas bebidas não-alcoólicas, as duas torneiras que despejam a Blond e a Bruin 5% e, finalmente, o caixa.

Toda esta simplicidade está bem alinhada com o objetivo dos mosteiros trapistas ao produzir cerveja, que é o de financiar a vida monástica e suas obras sociais. Neste sentido a Achel é 100% autêntica ao ideais que assumiu. Mas o curioso é que, apesar de produzir menos do que a Westvleteren, não é tão difícil achar a Achel à venda em supermercados, bares ou restaurantes na Bélgica. Melhor para nós, já que não precisamos ir até a fonte.

Deixando a divagação de lado, vamos falar da cerveja: na Achel você encontra tanto a Blond quanto a Bruin nas “versões” 5% e 8%, de teor alcoólico mais alto (estas são servidas em garrafas, as mesmas disponíveis fora da abadia); além destas, uma extra um pouco mais forte, em garrafas grandes (750ml). Desta vez experimentei a Blond 5% e a Bruin 8%. A Blond 5% é uma cerveja leve, mas bastante aromática; é leve, mas tem boa estrutura e sabor. Já a Bruin 8% é bem mais o tipo de cerveja que gostamos – mais encorpada (mas não tanto a ponto de parecer “pesada” para quem não está tão acostumado com cervejas encorpadas), com uma bonita cor vermelha-amarronzada, aquele aroma levemente adocicado tão típico das trapistas e um sabor que confirma o aroma e permanece na boca apenas por tempo suficiente para ser apreciado. Em resumo, uma cerveja muito boa – não a ponto de desbancar a Westvleteren ou a Rochefort, mas no nível de outras das minhas cervejas preferidas, como a Westmalle.

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  1. Achel Extra « Cacau com Lúpulo - novembro 24, 2011

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