Como planejar sua viagem pela Europa

Antes de mais nada, é claro que não somos experts em planejar viagens. Mas depois de planejar algumas viagens, para destinos diferentes e em momentos diferentes, você tem a chance de testar na prática o que funciona e o que não funciona para você. Algo que não dá para fazer quando você embarca numa viagem mais longa, pulando de cidade para cidade, tentando aproveitar ao máximo o tempo disponível. Assim, este post tenta sintetizar o que tem funcionado para a gente – nenhuma garantia de que vá funcionar para você ou ajudá-lo a ter uma viagem 100% tranquila 😉

Vamos começar com a real razão de viajar: o que você espera ver, conhecer e experienciar.

Temos usado dois aplicativos para iPhone / iPad muito legais – além de serem uma mão-na-roda te ajudam a descobrir alguns lugares/atrações que passariam batidos. O primeiro é o Wikihood – ele usa sua localização para indicar o que está próximo, usando a informação disponível na Wikipedia. O segundo é o Fotopedia, que apresenta os locais nomeados como patrimônio da Unesco. Este também pode usar sua localização para mostrar o que está próximo, mas você também pode “viajar” pelos diversos países. Este aplicativo funcionava de modo meio estranho, mas parece ter melhorado muito na última atualização. O World Heritage é semelhante, então você pode testar os dois e ver qual te agrada mais.  Recentemente descobri alguns sites que giram em torno do conceito de comunidade: outros turistas escrevem reviews, publicam fotos e – é lógico – mostram quantos países/cidades já visitaram. A ideia é promissora, então vale checar o Virtual Tourist, geckogo ou a Wikitravel. Dei uma olhada geral e eles serão usados na nossa próxima viagem – se você já usou algum deles, nos diga se ele foi realmente útil ou não. No geral não acho os guias de turismo muito úteis – se você tem tempo (e paciência!) de procurar por blogs sobre seu destino, é bem provável que encontrará muitas dicas bacanas. Ajuda muito se você souber que tipo de informação procura – um destino específico, restaurantes, baladas, etc. O site deste estudante inglês, por exemplo, tem informações sobre diversas fortalezas da Europa.

Como gostamos de comer bem sempre procuramos experimentar a culinária local. Às vezes você gosta, às vezes não, mas sempre compensa dar uma chance a ela. Usamos tanto o Tripadvisor quanto o Google Maps – neste, basta você pesquisar “restaurants” que eles serão incluídos no mapa, com seus respectivos ratings e comentários. Notamos que se você vai para uma cidade grande e muito turística (como Paris, Londres ou Roma) é bom você saber em que restaurante entra – senão o risco de pagar caro e não comer muito bem é grande. Para cidade pequenas, mesmo que bem turísticas, temos a impressão que a qualidade dos restaurantes é mais homogênea e seu risco de se dar mal é menor. E nós temos uma regra: quase nunca comemos duas vezes no mesmo restaurante, por mais que tenhamos gostado da comida. É um bom modo de criar a oportunidade de experimentar novos sabores.

Mas é claro que antes de fazer tudo isto você precisa chegar lá: o site mais legal que conheço para pesquisar o preço de passagens aéreas é o Momondo. O problema é que ele não pesquisa as várias companhias aéreas de baixo custo que existem na Europa – e elas são várias… Esta página da Wikipedia tem uma lista destas companhias, mas as maiores na Europa são a Ryanair e a easyJet. Se vai usar uma delas, não deixe de checar exatamente onde é o aeroporto em que vai aterrisar (alguns são absurdamente fora-de-mão) nem de pagar a taxinha que te dá embarque preferencial – é uma maravilha se acomodar antes do batalhão invadir o avião e você ainda estará economizando uma boa grana. Trens também são uma ótima opção – a página internacional da B-rail é a melhor de se pesquisar, na minha opinião. Sei que há uns passes válidos por 1 semana, 1 mês, etc. mas nunca os usamos e não sei dizer se valem a pena. Sempre cheque a duração da viagem – alguns trens são uma verdadeira roubada em termos de tempo perdido… Dependendo da distância / disposição / budget, você ainda pode dar uma olhada na eurolines para checar viagens de ônibus a partir de algumas cidades belgas. Na Holanda você ainda pode usar o 9292 para planejar suas viagens, incluindo trem e ônibus. Funciona muito bem e indica direitinho horário, duração e números do trem/ônibus. Se você vai alugar um carro, um GPS é uma baita ajuda, especialmente quando você entra numa nova cidade: várias são tão antigas e tem ruas tão irregulares que não é fácil você se orientar. Pode parecer estranho, mas não deixe de checar o preço de um aparelho novo; algumas locadoras cobram tão caro para incluir o GPS na diária que se você alugar o carro por 4 ou 5 dias já dá para comprar um – com a vantagem de levar ele para casa depois. Dê uma olhada em lojas como a FNAC, MediaMarkt ou Amazon para ter ideia do preço no país que vai visitar – só não se esqueça de checar se você conseguirá carregar mapas do Brasil quando voltar.

Finalmente, nada melhor do que uma boa cama depois de andar o dia inteiro conhecendo uma nova cidade. Quase sempre usamos o Booking.com; fácil de usar, comentários bastante confiáveis e por vezes com opções diferentes e interessantes – em Berlim, por exemplo, ficamos em um business flat super bacana e com ótimo preço quando comparado a hotéis. Na Itália, porém o Venere funcionou muito melhor; ótima dica de uma ex-colega do MBA. Pretende ficar um período mais prolongado em alguma cidade? Recentemente descobri a Interhome, que aluga apartamentos e casas para períodos de pelo menos uma semana. Não experimentamos e portanto não posso comentar o serviço, mas parece bem organizado e vale uma checada.

Para terminar, algumas dicas rápidas:

  • Este é um post com informações bem gerais – a Fê normalmente escreve sobre nossas viagens, então veja se já visitamos a cidade que você pretende conhecer para dicas mais específicas
  • Descubra o site da cidade onde vai ficar – normalmente você terá boa informação lá. Se você quiser visitar vários museus ou atrações, ou ainda usar bastante o transporte público, várias cidades tem o seu city pass. No geral eles não são tão baratos, então pense se compensa para você antes de comprar
  • Tente descobrir se há algum festival ou outro grande evento na cidade. Pode ser muito especial – chegamos em Berlim exatamente na véspera da comemoração dos 10 anos de queda do muro! – ou uma roubada – como pagar uma fortuna por um hotel em Amsterdam no Queen’s Day. O site Le cool tem informações sobre eventos em algumas cidades
  • Roteiros menos convencionais podem ser uma ótima. Em Viena conhecemos uma senhora austríaca que mora no Canadá e que sempre vai para a cidade porque adora ópera; ela nos sugeriu uma agência que organiza passeios para assistir óperas em… Bratislava, na vizinha Eslováquia! Ela ficou impressionada não só com a ópera, mas também com a cidade e o jantar incluso. Infelizmente não conseguimos fazer o passeio (não é organizado todo dia), mas da próxima vez teremos mais sorte 😉
  • Verifique o horário das atrações que pretende visitar e o ritmo de vida local. Apague a ideia de 24×7 no momento em que pisar em solo europeu – as coisas simplesmente não funcionam assim por aqui. Mesmo atrações turísticas e lojas estarão fechadas às 5 da tarde em alguns países. O ritmo de vida se aplica bastante ao horário das refeições – na Bélgica você verá muita gente jantando às 6 e meia da tarde, enquanto na Espanha a maioria dos restaurantes ainda estará fechada 🙂
  • A gente gosta muito dos tours da New Europe – são feitos a pé ou usando o transporte público e você paga no final o quanto acha que valeu. Exatamente por isto os guias em geral são muito bem preparados e conhecem bem a cidade, mas é claro que há altos e baixos (achamos o tour em Londres um pouco fraquinho, enquanto os de Amsterdam e Berlim foram bem legais)
  • Um bom Bed & Breakfast pode ser uma excelente alternativa a um hotel. O mesmo vale para um business flat – que ainda tem a vantagem de te dar a flexibilidade de preparar um lanchinho na “sua” cozinha
  • O euro é uma mão-na-roda; não só você não precisa trocar dinheiro em cada país que visita como também acaba tendo uma boa referência de preços. Outra mão-na-roda é sacar dinheiro direto da sua conta no Brasil, usando Maestro ou Electron. E aposente um pouco seu cartão de crédito, pois fora de hotéis eles não são tão usados (e normalmente vão te cobrar uma taxa extra para aceitar o cartão)
  • Se realmente quiser descobrir atrações ou eventos diferentes, mergulhe nos blogs, especialmente de expatriados que estão vivendo na cidade/país – você precisa garimpar por boa informação, mas quando você a acha vai descobrir algumas coisas muito, muito bacanas
  • Em um país como a Bélgica, você verá as garçonetes darem um pequeno sorriso quando você pede para experimentar a cerveja da cidade. Mas deixando a simpatia de lado, é legal experimentar os produtos locais – outros exemplos foram os vinhos brancos de Luxemburgo, os feitos com a Bikavér, na Hungria e o salame de javali, na Toscana
  • Para saciar sua gana consumista, esqueça aquelas tranqueiras que só turistas compram, sempre iguais em toda cidade 🙂 Garanto que será muito mais legal encontrar algo diferente (mas nem por isso caro!) que é a cara da cidade, como um cristal em Praga, uma porcelana azul em Delft ou um guarda-chuva na Bélgica 😛
  • Uma das coisas mais legais da Europa é a diversidade de culturas. Você viaja 100, 200 Km e bam! está frente a outros costumes, língua, comida e cultura – até mesmo uma perspectiva diferente dos mesmos fatos históricos. Ignorar isto ou se ater aos clichês (do tipo “os garçons na França são um saco!”) é perder no mínimo 50% da viagem, na minha opinião. E só para constar: os garçons na França são mesmo um saco. Pelo menos em Paris 🙂
  • Por fim, imprevistos vão acontecer. Aproveite, aprenda e se divirta. Afinal, é para isto que servem as viagens 🙂
PS: minha ideia é atualizar este post quando descobrir mais alguma coisa que vale compartilhar. Então não deixe de dar uma olhada nas últimas atualizações quando estiver planejando sua viagem!
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