Archive | maio 2011

Comendo com as mãos – Leuven

No post Comendo com as mãos compartilhei com vocês a experiência deliciosa que tivemos ao comer a comida etíope com as mãos. E não apenas pelo fato de comer com as mãos, mas também pela própria culinária. Uma mistura de sabores e aromas deliciosa.

Logo depois dessa noite, passeávamos pelas ruas de Leuven mapeando restaurantes que ainda não havíamos ido e para nossa grata surpresa descobrimos um etíope. E para lá fomos. Para a nossa plena satisfação o House of Lalibela, além de ter um ambiente intimista, o atendimento ser feito por um senhor muito simpático e que me lembra meu querido tio, a comida é tão boa quanto a do Kokob em Bruxelas e ainda tem um preço mais camarada. 🙂

Se viramos fregueses? Certamente!!

Então fica aqui a dica. Quando você estiver pelas bandas de Leuven e com apetite aventureiro não deixe de conhecer o House of Lalibela. E aproveite para comer se lambuzando, lá isso não é falta de compostura. 😀

House of Lalibela
http://www.houseoflalibela.be/
Brusselsestraat 59
3000 Leuven
Telefoon: 016.23.38.80

Aqui os suportes de prato do restaurante que adoro e o super prato com a super “panqueca” sob as delícias etíopes 🙂

Bem-vindo à Aspargolândia

Nesta época do ano, os Países Baixos se transformam nos Países do Aspargo.

Para qualquer lado que você olhe, ele está lá – plaquinhas na rua anunciando “aspargos frescos”, cardápios especiais nos restaurantes, geladeiras logo na entrada do mercado lotadas de aspargos, folhetos com receitas de aspargos e por aí vai.

Duvida? Então dê uma olhada na amostra abaixo:

Na tentativa de atrair os “aspargólatras”, alguns até apelam para uma propaganda de gosto beeeeem duvidoso…

Enquanto outros restaurantes acham uma boa ideia criar uma “semana do aspargo”:

Mas… Como vão preparar aspargos que não seja numa sopa, salada ou em algum prato? Fazer um suco de aspargo? Um delicioso sorvete de aspargo? Que tal um exótico cocktail de aspargo????!!!!

Deixando a brincadeira de lado, é interessante como os holandeses realmente procuram consumir os produtos da época – e isto é algo bom e saudável. Talvez seja uma boa ideia dar uma chance ao aspargo… Ou não… Afinal, em julho estaremos nos Países Mussels 😀

Lá da minha horta

Há tempos tenho vontade de cultivar as minhas próprias ervas, mas com toda essa vida de mudanças tinha dó de cultivar plantas e depois deixá-las para trás. Mas finalmente comprei meu singelo jardinzinho. Vamos começar com manjericão, salsinha e cebolinha. 🙂

Preparo do vaso em 14 de Abril

Os primeiros brotos já apareceram em 18 de Abril

A evolução foi rápida – dia 20 de Abril

E vejam as minhas pequenas como já estão grandes

Elas cresceram tanto que comprei outro vaso para dividí-las e ainda plantei sementes de pimenta e endro e olha só que lindinhas as minhas meninas:

Logo, logo o primeiro pesto poderá ser feito. 😛

Os efeitos da primavera

Nas primeiras semanas da primavera o tempo estava bem gostoso. Sol todos os dias e aquele quentinho gostoso que faz com que tenhamos vontade de abrir as portas e janelas de casa para permitir completa ventilação e renovação de energias. Uma delícia.

Os dias foram passando e um certo dia quando fui estender no terraço a roupa que acabara de lavar me deparo com uma poeira amarela e grossa que cobria por completo as grades que cercam o terraço, a mesinha e as cadeiras. Fiquei possessa e blasfemei contra uma reforma em uma casa na rua ao lado. Única explicação plausível (na minha cabeça) para toda essa poeira que de repente invadiu minha casa.

Os dias foram passando e a poeira lá permanecia. Eu limpava e ela voltava. Eu limpava e ela teimava em voltar. Tinha dias que eu não queria nem abrir a porta do terraço para que aquela poeira toda não invadisse a casa que eu acabara de minuciosamente limpar.

Então na páscoa viajamos para Colonia, na Alemanha. Ao chegar na cidade, deixamos o carro no hotel e fomos caminhar pelo centro. Paramos em um dos bares para tomar uma cerveja e beliscar alguma coisa enquanto aproveitávamos o dia agradável. Nos sentamos em uma das tantas mesas dispostas na calçada e passados alguns minutos me deparo com aquela invasora. “Será possível? Olha, Dú. É essa, é a mesma poeira que tem lá em casa. Mas o que é isso?” E então a ficha caiu e eu mesma respondi: “É pólen, Fernanda. É pólen!”

Depois desse dia deixei de blasfemar, continuei abrindo a porta do terraço todos os dias e pouco me importei com a poeira amarelada em cima dos móveis. 😀

Esse é o tampo da mesinha do terraço, o qual fora limpo no dia anterior à foto. 🙂

Abadia combina com cerveja

Domingo passado aproveitamos o belo dia de sol depois do Queen’s Day (assunto para outro post!) e resolvemos visitar a abadia O.L.V. Koningshoeven. Esta é a única abadia na Holanda que produz cervejas trapistas – sob o rótulo La Trappe – e, para nossa sorte, fica a apenas 30 minutos  do nosso apartamento. Bem diferente da longa viagem que enfrentamos até chegar à Westvleteren (que contei neste post).

A abadia e o “Tasting Room” (devem ter achado uma má ideia chamá-lo de “bar”, estando dentro de uma abadia…) anexo são muito bonitos e deu para perceber que muita gente que estava lá mora pelas redondezas e aproveita o lugar para comer alguma coisa ou passar algumas horas com a família. E nossos lanches estavam bem saborosos – eu comi um sanduíche pretensamente italiano e a Fê uma salada de atum, ambos com pães produzidos na própria abadia.

Mas eu estava interessado mesmo é na cerveja, até porque é da La Trappe uma das minhas favoritas, a Quadrupel. Aguçava ainda mais a minha curiosidade o fato da abadia produzir muitas cervejas – nada menos do que 8 tipos em produção regular, quando a “tradição” das cervejarias trapistas é produzir 3 tipos e às vezes mais uma cerveja mais leve consumida pelos próprios monges.

E dá para entender o porquê de tantos tipos quando você está lá: tudo, tudo mesmo, é claramente organizado como um negócio. Depois descobri que a cervejaria da abadia é uma subsidiária de uma grande cervejaria holandesa (a Bavaria, não a Heineken J) e que, exatamente por isto, eles perderam o direito de usar o logo Authentic Trappist Product por 6 anos, até que os monges re-assumiram o controle de forma mais ativa. Isto também deve explicar porque ela é a maior em termos de volume produzido, embora a Chimay e a Westmalle não estejam muito atrás.

Voltando para a cerveja, eu estava especialmente curioso para experimentar aquelas que não dá para encontrar no supermercado. Curiosamente, são as mais leves: a Blond, a Witte, a Puur e a Bock (talvez esta se encontre no inverno, vamos ver no final do ano). A boa notícia: nenhuma delas desaponta. A má notícia: para o meu gosto, elas não são as melhores produzidas pela La Trappe, então não adicionaram muito.

Mas justiça seja feita: tanto a Blond quanto a Puur (seria esta a única cerveja ecologicamente correta do mundo?) são muito boas. São leves, mas tem estrutura e sabor – não lembram em nada aquelas pilsen praticamente iguais umas às outras. A Witte me surpreendeu –esta manteve a sensação refrescante que todas as white beers tem e minimizou o que não me agrada, a sensação de um sabor meio azedo no retrogosto que simplesmente detesto. Só a Bock me pareceu um pouco pesada e enjoativa, mas tenho que experimentá-la de novo no inverno, não em um dia quente e ensolarado.

A Quadrupel continua sendo minha favorita, disparada. Com uma fermentação que continua após ser engarrafada, cor âmbar densa, encorpada, com um toque adocicado muito leve, cheia de sabor, é muito diferente de outras trapistas. A Isid’or é a segunda na lista, com sua cor um pouco mais avermelhada e sabor um tanto mais adocicado. O interessante é que esta é produzida com um lúpulo cultivado no local. Por fim, a Dubbel e a Tripel também são muito boas, mas ficam ofuscadas diante das primeiras – sem contar que eu prefiro estes tipos de outras abadias, como a Rochefort ou a Westmalle.

O passeio meio-que-guiado na cervejaria também foi interessante. Meio-que-guiado porque estávamos com um grupo de holandeses, então o guia não podia fazer o tour em inglês. Mas nos deu uma “apostila” que explicava tudo o que ele contava, então deu para aproveitar. E o guia estava sempre querendo saber se a gente tinha perguntas, muito simpático. Na verdade, foi meio estranho conhecê-la por dentro; apesar do processo de fermentação ser todo informatizado, o local onde a cerveja é produzida parece muito simples, quase artesanal. Só a linha de engarrafamento tem uma cara mais moderna. Apesar desta cara “artesanal”, a quantidade de pallets com garrafas vazias indicava que os monges não estão lá para brincadeira e levam a produção da La Trappe muito a sério. Só espero que nunca haja um incêndio lá, porque não tinha jeito do caminhão de bombeiros sair de onde estava 😀

Estava quase esquecendo: eles também envelhecem a Quadrupel em barricas por 12 meses, para depois engarrafá-la em uma garrafa diferenciada. Você até consegue saber que tipo de barrica foi usada em cada lote, pois elas vão alterar o sabor da cerveja de forma diferente. Esta Quadrupel Oak Aged só está à  venda na própria abadia e é claro que não pude deixar de comprar uma garrafa (a 10 euros!!!), que está guardadinha na geladeira esperando o momento de ser degustada. Mas esta vai merecer um post dedicado só a ela 🙂

O veredicto final

Como comentei nesse post eu estava na fase de testar o microondas/forno-convecção/grill, ou para simplificar, o “trio”. Algumas das receitas dessa fase de teste foram um bolo de tangerina com cobertura exagerada de chocolate, lombo no limão siciliano, alho e gengibre (que de tão perfumado, esqueci de fotografá-lo, mas quando rolar uma reprise, porque obviamente vai rolar, eu fotografo, eu juro), lasanha de frango, brownie, peixes e finalmente a prova final: os cookies.

A receita original está aqui, mas dessa vez tive que modificá-la já que ainda não consegui achar açúcar mascavo. Além disso, ainda fiz metade da receita. Eu não ia arriscar perder todos os ingredientes, né?!

Cookies

Misturar bem até virar um creme homogêneo:

  • 70gr de manteiga
  • 1/3 xícara de açúcar, na falta do mascavo usei o demerara

Acrescentar à mistura um ingrediente por vez (não usar batedeira, apenas misturar na mão mesmo):

  • 1 ovo (temperatura ambiente)
  • 1 colher de baunilha
  • pouco mais de ½ xícara de farinha de trigo
  • pouco mais de ¾ xícara de muesli (quanto mais diversidade de castanhas melhor, o que usei tem avelãs, amendoas, uvas-passas…)
  • 1/2 colher de bicarbonato de sódio
  • 1 pitada de sal bem pequena

Por fim acrescentar duas barras de chocolate picadas, uma de chocolate ao leite e outra de chocolate meio amargo (75gr cada). Também acrescentei um bom punhado de castanhas-do-Pará picadas grosseiramente.

Em uma assadeira untada com manteiga e farinha colocar pequenas porções, aproximadamente a medida de uma colher de sobremesa. No meu “trio” os cookies levaram quase 10 minutos em convecção 180C para ficar prontos.

O segredo é não bater a massa, apenas misturar. Para colocar na assadeira também não forme bolinhas com as mãos, apenas coloque a massa utilizando duas colheres. Quanto menos manipulada for a massa melhor. A receita rendeu 57 unidades que sumiram em 8 dias.

E o veredicto final foi mais do que positivo. “Trio” aprovadíssimo! 😛

A energia do Sol

Esta semana trouxemos o Sol ainda mais para dentro de casa. Já falei que temos três grandes janelas mais uma grande porta de vidro em nossa sala que deixam a luz, energia e força do Sol invadirem a nossa vida? E ainda não satisfeitos essa semana trouxemos a vida e a cor dessas belezinhas para alegrar ainda mais os nossos dias!

Mas voltando ao Sol, felizmente não podemos reclamar a sua ausência. Desde nossa chegada, ao final de janeiro, em Eindhoven o Sol tem sido um bom companheiro. Os dias cinzas e chuvoso ficaram em Leuven. 🙂 Isso garante uma sensação gostosa mesmo nos dias mais frios. Mas é verdade que venta, como venta nessa terra. Esse final de semana o Sol estava intenso e bem quente, mas bastava ficar em uma sombrinha para sentir muito frio. O vento não deu sossego, mas o Sol estava, e está, aqui, aquecendo, iluminando e energizando os nossos dias. 😀

Sal, sais, flor de sal e muito mais

Definitivamente não sou uma entendida em gastronomia. Cada dia que leio e me atrevo na cozinha, percebo o quão ignorante ainda sou (ainda bem, né?! Isso quer dizer que tem muito mais a ser descoberto por aí).

Em nossa curta estada em Ljubljana, a capital da Eslovênia, fizemos um pequeno tour pelo simpático e pequeno centro da cidade. Após o jantar a Dunjia, amiga do nosso amigo Goran, foi a cicerone. Conforme ela contava um pouco da história e curiosidades sobre a cidade o Goran a “desmentia” contando o lado satirizado de tudo. Nos divertimos a beça nessa noite.

Para meu encanto e desespero, Dunja nos explica empolgadíssima sobre uma loja de sal que paramos em frente, a Soline. Encanto porque a loja é linda e simples e desespero porque era tarde da noite e a loja estava fechada. Nosso outro amigo, o Orestis, permaneceria mais uma noite na cidade e logo que pedi, com toda a gentileza grega que lhe é peculiar, ele se comprometeu em comprar um pacote de sal.

O sal viajou de Ljiubljana para Leuven para São Paulo para Eindhoven e nessa semana finalmente abrimos um dos pacotes. Mas só depois do Dú dizer: “E aí, não vai abrir essa mão, não?” É, eu tenho que admitir que eu sou assim, um pouco mão de vaca. 🙂

Perceberam o detalhe: pacotes? Sim, ganhei dois pacotes. 🙂 Esse que abrimos é o tão aclamado por muitos gourmets Flor de Sal e o outro é um sal menos refinado, mais grosso. A explicação para o que vem a ser Flor de Sal no Wikipedia, e que está alinhada com outras fontes que andei lendo por aí, é a seguinte:

A flor de sal ou coalho é constituída pelos cristais de sal que se formam à superfície da água, durante a produção de sal marinho em salinas. Estes cristais, se não fossem colhidos, acabariam por se depositar no fundo, produzindo então o sal marinho vulgar. A flor do sal é colhida diariamente, cuidadosamente e com um instrumento apropriado, evitando tocar o fundo.

A flor do sal é um ingrediente comum na moderna alta gastronomia, utilizada mundialmente por apreciadores e chefes de cozinha, devido ao seu sabor especial e sua maior riqueza em oligoelementos e micronutrientes.

Alguns podem achar frescura ou até exagero, mas o danado é gostoso e faz sim diferença especialmente quando degustado frio, como em saladas ou simplesmente no pão com um bom azeite. É uma loucura. 😛

Vale dar uma espiadinha do site deles, clique aqui. Ainda ganhamos de brinde um chocolate com flor de sal, o qual ainda não comemos, mas dessa vez a culpa não é minha. O formiga na nossa relação é o Dú e ele é que está muquiranando. 🙂 Quando degustarmos, sim, nesse caso, é degustação, contamos aqui.

E a frase logo no cabeçalho do site é uma coisa: Salt is the sea, which could not go back to the sky. Amei. 😀