Uma brasileira belga?

Quando voltamos para o Brasil fiquei curioso para saber quais cervejas belgas conseguiria encontrar – além da Stella Artois, é claro. Aliás, apesar de ser uma boa cerveja, eu não consigo pensar em uma única boa razão para pagar o preço premium cobrado por ela nestas bandas.

Bom, devo dizer que fiquei duplamente surpreso. Primeiro porque até que encontramos uma seleção bem razoável – Duvel, Kwak, Leffe, Delirium Tremens, Chimay, Deus e Tripel Karmeliet. Segundo, pelos preços absurdos – uma cerveja que custa 3,5 euros em um bar caro na Bélgica você pagará facilmente R$ 30,00 – quase 4 vezes mais. A exceção é a Leffe, encontrada no Carrefour por menos de R$ 4,00. 🙂 Mas não se engane com o preço “baixo”, porque ela é muito boa (mas não consegue competir com as melhores…). O curioso é que a que bebemos no Brasil parece ter mais gás do que a que bebíamos na Bélgica. “Tropicalizaram” a cerveja?

Mas não estou escrevendo para falar da diferença de preços, mas sim para falar de uma “descoberta” curiosa que fiz em um Pão de Açúcar.

Na Bélgica me acostumei a dar uma olhada nas diferentes cervejas disponíveis nos mercados; afinal, sempre tinha alguma coisa diferente para experimentar. É claro que achei curioso quando encontrei no Pão de Açúcar uma lata da DaDoBier que dizia “Belgian Ale”.

A primeira coisa que me passou pela cabeça foi “Que raio é uma Belgian Ale?”. Afinal, na Beer Fest que fomos em Bruxelas (leia neste post aqui!) havia mais de 10 estilos, mas nenhum “Belgian Ale” (e olha que eles entregaram os pontos criando uma categoria “Outras”  bem sem-vergonha). Dei uma fuçada na Wikipedia (Beer in Belgium) e lá são descritos 18 tipos, mas nenhum “Belgian Ale”. Aliás, o artigo adverte que “não há nenhum sistema definitivo para categorizar as cervejas belgas”. Por eliminação cheguei à conclusão que esta DaDoBier deve ser uma Brown Ale, mais escura do que as Amber Ale mas mais fraca do que as Dubbel (puts, não acredito que escrevi isto…).

A segunda coisa que pensei foi: “O que este selo ‘Lei de pureza da Baviera’ está fazendo em uma cerveja de estilo belga?”. A Alemanha e a Bélgica vivem disputando o “título” de quem produz as melhores cervejas e estas “leis de pureza” são muito mais para bloquear a entrada de produtos de outros países do que para garantir qualidade. No meio de toda esta esquizofrenia, a única coisa que me motivou a comprar uma lata foi a curiosidade pura e simples. 🙂

Mas agora ao que interessa: é boa ou não é?

Sim! 🙂 E não… 😦 Vou explicar:

Quando você a coloca no copo tudo parece familiar… Uma cerveja mais escura (mas esta não é preta), mais turva, com um aroma marcante e diferente das pilsen tão comuns por aqui… O primeiro gole e… uau, não é que a danada é boa?

Mas aí vem o segundo, o terceiro, o quarto goles…. E algo estranho vai aparecendo no seu sabor. Na verdade é menos no sabor dela e mais na forma como você percebe a cerveja: ela vai ficando meio enjoativa, algo que nunca senti em uma belga legítima (não gostei nem um pouco de algumas, mas não lembro de ter sentido esta sensação enjoativa – especialmente numa cerveja que deu uma boa primeira impressão).

Eu diria que alguma coisa não está 100% equilibrada nesta cerveja. E o desequilíbrio vai se acumulando, no início de forma sutil, mas depois de forma bem clara. Mas ainda assim acho que vale a pena experimentá-la – divida a lata de quase 500ml com alguém e aproveite enquanto ela ainda deixa uma boa impressão 😛

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