Archive | fevereiro 2011

Essa vontade de não sei o que

Sabe quando você está aguada, com uma vontade louca de comer alguma coisa que, para a sua infelicidade, você não tem a menor ideia do que seja? Pois bem, estou assim. E como se não bastasse ainda vivemos com algumas restrições, uma vez que estamos em nosso apartamento gracinha temporário.

Dessa forma, não tenho minhas doces quinquilharias de cozinha e também não estou investindo muito em ingredientes. Pensando que em breve enfrentamos mais uma mudança. E convenhamos, entulhar a casa temporária de tralha sabendo que em aproximadamente um mês tem mudança pela frente, não rola! Definitivamente, não rola!

A tara da vez é por doce, mas o problema é que não sou aquela fã por doces e os doces que gosto são aqueles com pouco açúcar, mas com sabor, manja? Aqueles doces que chegam a contrair o maxilar de tanto açúcar não é comigo. Somando-se a isso ainda tem a ausência de utensílios. Me afundei em uma pesquisa na internet um pouco complicada, já que os parâmetros para a pesquisa são… meio… vagos: Não sei ao certo o que quero comer, não tenho muitos ingredientes e não estou à fim de estoque dada a atual situação, sem utensílios e com uma geladeira pequena, daquelas tipo frigobar: FÁ-CIL, não?!

Depois de algum tempo, desisti e fui futricar nos blogs que gosto de acompanhar. Foi então que tive a grata surpresa de saber que uma vizinha brasileira que mora na Holanda há alguns anos e que só conheci virtualmente (por enquanto) está grávida. Que linda!!!!

Depois de parabenizá-la continuei a ler seus posts que eu ainda não havia lido e me deparo com uma receitinha facinha-facinha e que pode ser a resposta aos meus anseios. 😀

Mesmo já sendo mais de 18hs de um dia cinza, frio e chuvoso, nos trocamos e fomos ao supermercado comprar o que faltava. Chegamos e logo preparamos a receita. Enquanto ela está na geladeira descansando, escrevo esse post para depois de algumas horas poder fotografar e, finalmente, postar o resultado aqui. Concluindo assim mais essa saga! 😛

Potinhos de Limão Siciliano (fonte: Entre Panelas)

Ingredientes

  • 1 xícara (250ml) de creme de leite fresco
  • 1/4 xícara (50g) de açúcar refinado (usei duas colheres de sopa de açúcar demerara)
  • 1/2 colher (sopa) de raspas de casca de limão siciliano
  • 2 colheres de sopa (30ml) de suco de limão siciliano espremido na hora (usei suco de meio limão siciliano)
  • chantilly e raspas de limão siciliano, para servir (como não sou muito fã de chantilly, não utilizei)

Modo de preparo

  • Junte o creme de leite e o açúcar numa panela e leve ao fogo médio, mexendo para dissolver o açúcar. Deixe ferver e cozinhe por 3 minutos.
  • Retire do fogo, acrescente as raspas e suco de limão siciliano e misture. Deixe esfriar por 5 minutos.
  • Despeje em potinhos de sobremesa e leve à geladeira por 3-4 horas ou até firmar.
  • Cubra os potinhos com o chantilly e as raspas de limão e sirva.

Pois bem, tudo isso aí em cima foi escrito no sábado à noite. Só comemos os potinhos de limão siciliano como sobremesa do nosso almoço no domingo e hoje venho aqui terminar o seuviço! 🙂

O creme ficou leve e, mesmo eu abusando na quantidade de limão, não ficou com o toque refrescante que eu mais gosto em sobremesas. O creme de leite fresco por sua vez, deixou sua marca. O teor de gordura é bem maior o que afeta um pouco o paladar, pelo menos o meu! Mas no geral é um creminho simples, fácil e que pode quebrar um belo galho! Mas ainda não saciei essa minha vontade de não sei o que. 😦

Depois de Paris… Praga

Neste post a Fê falou sobre uma foto gigante de Paris, que pode ser explorada em 360 graus e zoom.

Fuçando alguns emails antigos, encontrei este link para uma foto parecida, mas desta vez de Praga. A curiosidade é que ela foi produzida a partir da TV Tower, considerada o segundo prédio mais feio do mundo 🙂 Como o hotel em que ficamos era perto da torre, pudemos ver em primeira mão a elegância deste edifício 😀

Aproveite e veja outras fotos no site da empresa que criou esta de Praga!

Uma brasileira belga?

Quando voltamos para o Brasil fiquei curioso para saber quais cervejas belgas conseguiria encontrar – além da Stella Artois, é claro. Aliás, apesar de ser uma boa cerveja, eu não consigo pensar em uma única boa razão para pagar o preço premium cobrado por ela nestas bandas.

Bom, devo dizer que fiquei duplamente surpreso. Primeiro porque até que encontramos uma seleção bem razoável – Duvel, Kwak, Leffe, Delirium Tremens, Chimay, Deus e Tripel Karmeliet. Segundo, pelos preços absurdos – uma cerveja que custa 3,5 euros em um bar caro na Bélgica você pagará facilmente R$ 30,00 – quase 4 vezes mais. A exceção é a Leffe, encontrada no Carrefour por menos de R$ 4,00. 🙂 Mas não se engane com o preço “baixo”, porque ela é muito boa (mas não consegue competir com as melhores…). O curioso é que a que bebemos no Brasil parece ter mais gás do que a que bebíamos na Bélgica. “Tropicalizaram” a cerveja?

Mas não estou escrevendo para falar da diferença de preços, mas sim para falar de uma “descoberta” curiosa que fiz em um Pão de Açúcar.

Na Bélgica me acostumei a dar uma olhada nas diferentes cervejas disponíveis nos mercados; afinal, sempre tinha alguma coisa diferente para experimentar. É claro que achei curioso quando encontrei no Pão de Açúcar uma lata da DaDoBier que dizia “Belgian Ale”.

A primeira coisa que me passou pela cabeça foi “Que raio é uma Belgian Ale?”. Afinal, na Beer Fest que fomos em Bruxelas (leia neste post aqui!) havia mais de 10 estilos, mas nenhum “Belgian Ale” (e olha que eles entregaram os pontos criando uma categoria “Outras”  bem sem-vergonha). Dei uma fuçada na Wikipedia (Beer in Belgium) e lá são descritos 18 tipos, mas nenhum “Belgian Ale”. Aliás, o artigo adverte que “não há nenhum sistema definitivo para categorizar as cervejas belgas”. Por eliminação cheguei à conclusão que esta DaDoBier deve ser uma Brown Ale, mais escura do que as Amber Ale mas mais fraca do que as Dubbel (puts, não acredito que escrevi isto…).

A segunda coisa que pensei foi: “O que este selo ‘Lei de pureza da Baviera’ está fazendo em uma cerveja de estilo belga?”. A Alemanha e a Bélgica vivem disputando o “título” de quem produz as melhores cervejas e estas “leis de pureza” são muito mais para bloquear a entrada de produtos de outros países do que para garantir qualidade. No meio de toda esta esquizofrenia, a única coisa que me motivou a comprar uma lata foi a curiosidade pura e simples. 🙂

Mas agora ao que interessa: é boa ou não é?

Sim! 🙂 E não… 😦 Vou explicar:

Quando você a coloca no copo tudo parece familiar… Uma cerveja mais escura (mas esta não é preta), mais turva, com um aroma marcante e diferente das pilsen tão comuns por aqui… O primeiro gole e… uau, não é que a danada é boa?

Mas aí vem o segundo, o terceiro, o quarto goles…. E algo estranho vai aparecendo no seu sabor. Na verdade é menos no sabor dela e mais na forma como você percebe a cerveja: ela vai ficando meio enjoativa, algo que nunca senti em uma belga legítima (não gostei nem um pouco de algumas, mas não lembro de ter sentido esta sensação enjoativa – especialmente numa cerveja que deu uma boa primeira impressão).

Eu diria que alguma coisa não está 100% equilibrada nesta cerveja. E o desequilíbrio vai se acumulando, no início de forma sutil, mas depois de forma bem clara. Mas ainda assim acho que vale a pena experimentá-la – divida a lata de quase 500ml com alguém e aproveite enquanto ela ainda deixa uma boa impressão 😛

Porque a vida… É assim !!!!

Porque a vida é assim, né?! Nós pegamos um pouquinho daqui, outro pouquinho dali, colocamos tudo junto e fica a coisa mais linda de se viver. Não é assim com a família? Com os amigos? No trabalho? Na escola? Congregamos tudo de bom que conhecemos e conquistamos e aí temperamos a vida. E não é bão?!

Essa divagação apareceu quando preparava meu almoço solitário de hoje. Alface americana, um teco de cenoura crua, a sobrinha de um vinagrete da bruschetta de ontem à noite, lascas de queijo grana padano, uma colherzinha de mel, outras duas de shoyu, mais uma boa regada de azeite de oliva extra virgem com uns croutons feitos de uma fatia de pão integral cortado em cubos e fritos no azeite extra virgem e pimenta preta na frigideira.

Me fala se tem coisa melhor do que juntar tudo, misturar e se lambuzar???? 😀

Francos e Diretos

Já falei sobre nossas primeiras impressões sobre os holandeses? Não, acho que ainda não.

Pois bem, são pessoas abertas, flexíveis, que adoram uma boa conversa, muito brincalhonas, francas e diretas, bem diretas. E se você tem alguma dúvida sobre essas duas últimas características, dê só uma olhada na placa na entrada da casa de um dos nossos vizinhos. 😀

E aí, precisa de mais alguma evidência sobre a objetividade desse povo?! 😛

Valentine’s Day

Palavras não se fazem necessárias!

Just love it!!!

Eu sei. Eu sei.

Cheguei ao banco onde havíamos aberto conta há poucos dias. Tinha que fazer um depósito em dinheiro. O cartão estava ainda bloqueado, dessa forma, não tinha a senha e, até esse momento, a conta estava apenas em nome do Dú por motivos meramente burocráticos.

Um senhor sorridente me falou bom dia em holandês e falou mais alguma coisa que obviamente não pude compreender.

eu: Bom dia! Me desculpe, mas ainda não falo holandês!

Senhor sorridente: Não tem problemas. Em que posso ajudá-la?

eu: Preciso fazer um depósito em dinheiro. Onde é o caixa?

Senhor sorridente: (– silêncio — ele contraindo a boca — silêncio –) É na sua conta?

eu: Não. É na conta do meu marido.

Senhor sorridente: (– silêncio — ele ainda contraindo a boca — silêncio –) A senhora tem o cartão e a senha da conta do seu marido?

eu: Não. Tenho comigo apenas o cartão, o qual ainda não está ativado. Dessa foma não tenho a senha.

Senhor sorridente: (– silêncio — mais boca contraída — silêncio –)

eu pensando: Ai Meu Deus, mas que diabos está havendo?

Senhor sorridente: Se a senhora tivesse o cartão e a senha a senhora poderia utilizar o caixa automático. Da mesma forma que saca, deposita dinheiro. Mas fazendo o depósito no caixa, a senhora vai pagar 15 euros. (– e a boca se contrai novamente –)

eu: (– agora com cara de ué –) Deixa eu ver se entendi. Com cartão e senha saco e deposito no caixa automático sem custo. Já no caixa tenho que pagar uma taxa de 15 euros?

Dessa vez, ele é quem fazia cara de ué e acenava com a cabeça que sim.

eu: Mas são 15 euros ou 15 centavos de euro? (– ainda fazendo cara de ué –)

Senhor sorridente: Não, não. São 15 euros, mesmo. ( — silêncio –) Eu sei. Eu sei.

eu: Mas isso não faz o menor sentido.

Senhor sorridente: Eu sei. Eu sei.

Então entendi a boca contraída, a cara de ué e o “Eu sei. Eu sei.”

eu: Bem, muito obrigada pela informação. Mas acho que eu volto outro dia com o cartão e a senha. (– sorrindo –)

Senhor sorridente: (– Sorrindo –) É melhor. Um bom dia para você!

eu: Igualmente.

😕

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