Archive | setembro 2010

Quer saber mais sobre a Bélgica?

O texto deste vídeo foi escrito por Marcel Sel, um escritor belga que capturou de forma precisa algumas das coisas que mais surpreendem um expatriado na Bélgica. Infelizmente não encontrei uma versão com legendas em português, mas, na melhor tradição belga, há uma com legendas em francês e holandês. Ao mesmo tempo 😀

Ai que soninho…

Eu sou uma pessoa que precisa muito de boas horas de sono. A-DO-RO dormir. O Dú até me chama de Soneca. Mas sono, sono mesmo é o que rola na China. Dá só uma olhadinha nessa amostra:

Deu para sentir o clima? Por todo lado, em qualquer lugar e a qualquer hora do dia a soneca rolava solta. E se você acha que só os chineses se rendiam ao soninho bom… Ledo engano. Veja só o nosso amigo americano, o Bill.

Encostou, parou, dormiu. Mas ele não era o único a se render ao sono arrebatador, ele só foi o único azarado que consegui tirar foto. E na foto acima, sim ele estava com os olhos bem fechados! 🙂

Era entrar em um carro, táxi, ônibus e todos “batiam cabeça”. Nessa viagem eu fui a única a resistir! 😀

Já no avião: entrega total!

E nos saguões dos aeroportos/rodoviárias, mais soninho do bão… hehehe

Não sei se isso era efeito do calor quase infernal que enfrentamos ou sei lá, a água. Mas nem os cachorros escapavam. Na primeira foto o Chocolate, um filhotinho muito do espevitado, mas que dormia no vão do balcão da recepção do hotel em Hangzou. E na segunda foto um labrador gorducho que só o vimos assim, literalmente assim, as três vezes em dias diferentes que passamos em frente à sua casa. 🙂 Que soneca, hein!?

E se a cachorrada se entregou, o que dizer do segurança? Essa foto já mostrei nesse post aqui, mas não dava para não falar dela nesse também, né?!

E depois eu é que sou a Soneca! Hum!?

Isso que é presença!!!

O sentimento de segurança na China é real. Não vimos e não tivemos nenhum problema relacionado à falta de segurança em nenhuma das cidades que visitamos. E tenho que dizer: Esse sentimento é sensacional. Poder sair com câmera fotográfica, mesmo das grandes, sem nenhum tipo de neura… Não tem preço. É claro que sempre tomamos cuidado, mas é muito diferente tomar cuidado de simplesmente não sair na rua com nossa câmera, o que acontecia quando vivíamos em São Paulo.

Mas o que na verdade chamou muito a nossa atenção na China foram os guardas, seguranças, policiais e assemelhados… A Masculinidade, Força, Tamanho, Vigor… Nossa é realmente impressionante. Impressionante como eles não transmitem a menor segurança e como eles não são respeitados :). É, é verdade. Para entrar no metro você deve passar sua bolsa, mala, etc pelo raio-x e vimos, diversas vezes, pessoas passando batido, os guardas até chamavam a atenção dessas pessoas, mas nada, nada acontecia. Os guardas ficavam parados com cara de uó e as pessoas passavam pelas catracas em direção ao metro. 😕

Só para ilustrar um pouco do nosso espanto aí vão algumas fotos. 😀

Para aqueles que não me conhecem eu sou bem grande, assim 1m50 de força, manja?! Então, eu passei pelos guardas e o Dú tirava as fotos de nós dois para poder colocar a “presença” dos guardas em perspectiva. 😛

Aqui mais um bom exemplo da “presença” policial. 🙂 Estávamos sentados em um bar em Beijing, relaxando, tomando chá e cerveja e observando o movimento. Na esquina bem na nossa frente estavam esses dois. Vejam só o porte! A atividade mais exigente que pudemos observar no período que ali estávamos, foram as vezes em que tiraram foto dos turistas que passeavam pelos arredores. Pode? 😀

Bom, nesse caso nenhuma descrição é necessária. Convenhamos?!

E este é um épico. Para nós a versão chinesa do Charles Chaplin com seu labrador gorducho e bonachão, quero dizer, muito, muito feroz. 😀

Bumbunzinho exibido

Fraldas? Que nada! Na China, ou melhor, em Beijing, é muito, muito comum você ver bebês que não usam fraldas, mas que vestem uma calça que deixa o bumbum de fora ou até mesmo, vestem apenas um tipo de avental.

Logo de cara achei uma gracinha ver aqueles bumbunzinhos exibidos pelas ruas, metro, por toda a cidade. Mas depois que processei um pouco a informação… humm… Mas e na hora das necessidades? Não, não, não! Vamos manter a imagem do bumbunzinho do jeito que estava. 😀

Felizmente só nos deparamos com bumbunzinhos assim: exibidinhos! 😛

O outro lado da última semana do MBA

Toda história tem dois lados. Um dos lados da última semana está neste post. Agora vou escrever um pouco sobre o outro.

Desde o início do IMEx sabíamos que esta seria a última atividade do MBA. Por um lado estávamos todos querendo finalizar o IMEx e concluir de uma vez por todas o MBA; por outro lado, estávamos todos um tanto tristes com isto.

A Fê diz que estávamos todos um pouco melancólicos. Não sei se descreveria assim, mas ela tinha a neutralidade de um observador externo, portanto acredito que seja uma descrição acurada.

O fato é que eu achava um pouco exagerado quando diziam que um MBA é uma life-changing experience. Mas depois de passar um ano tão intenso, com tanta gente de perfis e culturas tão diferentes, passando todo o dia junto, trabalhando nos vários projetos até muito depois das aulas, saindo para se divertir, indo viajar, discutindo nossos objetivos e ambições… Agora não acho isto um exagero tão grande. Especialmente em um MBA em que colaboração é uma palavra de ordem, como o da Vlerick: se você não consegue confiar que seus teammates farão a parte deles (e às vezes ajudá-los nisto) você está simplesmente perdido, porque não terá tempo de fazer tudo. Os laços de companheirismo e amizade se tornam muito fortes neste processo. Acho que algumas pessoas com tendências control-freak não conseguiram entender isto e foram meio que se isolando ao longo do ano, tanto que no final eram quase que estranhas em meio a grandes amigos.

Ao mesmo tempo em que era difícil ignorar que nosso período de convivência estava chegando ao fim, todos nós evitávamos o assunto. “É difícil acreditar que acabou” era o comentário mais comum. Mas isto não reflete o alívio de se livrar de algo ruim; muito ao contrário, reflete meio que a paralisia de chegar ao fim de um dos melhores anos de nossas vidas. E olha que não foi nada parecido com um mar de rosas: aulas das 09h00 às 17h30, grupos até às 20h00, 21h00, estudos até a hora que você aguentar 🙂 (a partir de janeiro era normal ficar até 01h00 estudando ou trabalhando em algum assignment). Se você quiser, irá expor todos os pontos que precisa desenvolver; mas também terá a chance e o apoio para desenvolvê-los numa velocidade que não imaginaria possível. Isto sem falar nos imprevistos: vulcão na Islândia que deixa um monte de gente “presa” em diferentes países, fogo no studio de um amigo, patos a serem salvos (posts 1, 2 e 3), terremoto no Chile (tínhamos 4 chilenos no nosso grupo), ajuda para mudar as coisas dos nossos amigos de um lugar para o outro, 3 horas debaixo de neve em um dos exercícios do Social Skills Seminar, aventuras envolvendo bicicletas e algumas garrafas de Duvel, o nascimento de duas crianças – e mais uma chegando… Com tudo isto, o in-company project pareceu quase que férias 😛

Algumas pessoas já seguiram seu caminho, como o Patrick, que voltou para a Nigéria, ou o Cem, que já se mudou para a Eslováquia. Outros estão indo antes da cerimônica de graduação, daqui a 15 dias. E outros já tem a viagem marcada para logo depois. Rússia, Estados Unidos, Inglaterra, Índia, China, Nova Zelândia, Chile e muitos outros países.

Mas todos continuaremos conectados por uma amizade que você só desenvolve em algumas situações. “É quase como estar no exército”, disse o Reggie, grande amigo norte-americano. Indeed Reggie, indeed…

Com este olhar recebemos a nova turma em um karaokê que marcou meio que uma despedida para nós… Toda a nossa turma estava tão elétrica, tão animada que foi impossível para eles não se deixarem contagiar. Inclusive para meu novo colega brasileiro, o Lourival: bem-vindo a Leuven, espero sinceramente que aproveite muito seu ano na Vlerick.

Ahhh, as cervejas belgas…

Nos últimos dias estava pensando nas cervejas belgas… Nas cervejas belgas que ainda não experimentei.

Mas eu tenho que ser honesto: eu experimentei muitas cervejas belgas. Alguns colegas escolheram logo de cara uma favorita e se agarraram a ela como um náufrago ao bote salva-vidas. Eu fui mais eclético; claro que tenho algumas favoritas, mas sempre que dava de cara com uma cerveja diferente eu experimentava. Então eu estava mais ou menos confortável de que já havia provado o que de melhor a Bélgica tem a oferecer em termos de cerveja.

Até que esta semana um dos nossos colegas enviou o site de uma beer fest em Bruxelas. Comecei a olhar a lista de cervejas e não fui “ticando” muitas… Segui em frente e “tiquei” menos cervejas ainda… Desespero total: onde eu estava que não vi estas cervejas????? Cheguei nas trapistas: ufa, quase 100% de aproveitamento 😀

A verdade é que é impossível experimentar todas. Primeiro porque tem algumas que você não topa de jeito nenhum (como as de fruta ou as brancas, no meu caso). Segundo porque outras são produzidas por cervejarias muito pequenas e acabam servindo apenas o mercado local. Então o lance é identificar o estilo que mais agrada e se concentrar nele – com visitas esporádicas aos outros estilos, é claro 🙂

Mas para ajudar os amigos que estão começando a descobrir estas cervejas maravilhosas, aqui estão as minhas favoritas (mas eu posso ter deixado alguma de fora):

  • Westvleteren: todas (mais detalhes neste post)
  • Rochefort: todas
  • Westmalle: dubbel e tripel
  • Chimay: rótulos vermelho e branco
  • Tongerlo bruin
  • Affligem tripel
  • St-Bernardus ABT 12
  • Karmeliet Tripel
  • Hopus

Cheers!

Você consegue agachar assim?

Outro ponto forte da nossa viagem à China foram algumas curiosidades especialmente àquelas relativas a diferença cultural. Uma delas é a forma como as pessoas “descansam” as pernas. Adultos, idosos, homens, mulheres e crianças, em qualquer lugar, quando esperam por algo/alguém não lhes resta dúvida simplesmente agacham!

Como eles estão tão acostumados a agachar e permanecer nessa posição, em muitos lugares, especialmente nas bancas que vendem comida nas ruas, vimos as mesinhas e banquinhos também baixinhos.

Eu não consigo, o Dú consegue e você consegue agachar como os chineses??? Preciso me alongar mais… ui ui! 😛

O Bill até tentou, mas vejam só o calcanhar dele… Não chegou ao chão. 🙂

Os guardas/seguranças também dão uma agachadinha para relaxar… hehehe

E mais uma curiosidade: enquanto eu escrevia esse post, dei uma pesquisada para saber como melhor descrever como os chineses “descansam” as pernas e aí ao ler os sinônimos de agachar no dicionário achei a maior graça: abaixar, acaçapar, acachapar, acocar, acochar, acocorar, acocorinhar, alapar, alapardar-se, alavercar-se, baixar, curvar, encolher, enconchar. Adorei! 😉

A última semana do MBA

Como neste post escrevi sobre a nossa primeira semana do MBA , nada mais justo do que também escrever sobre a última semana.
Antes de mais nada, é correto dizer que esta foi uma das semanas mais exigentes e diferentes de todo o curso. Foi toda uma combinação de coisas, mas vamos por partes.
Na programação para a semana estava o IMEx, um business game que tem como objetivo integrar as várias disciplinas que tivemos durante o curso. Seis dias nos quais tínhamos que tomar decisões relativas a produção, finanças, RH, marketing, purchasing, logística, produtos e investimentos para 12 períodos, representando 3 anos de operação. Isto sem contar as negociações com fornecedores, sindicato, banco e board e os documentos que tínhamos que preparar.
Acontece que o IMEx estava programado para depois dos in-company e Giving Something Back projects. Ou seja, estávamos há quase 4 meses sem ter aula nem compromissos na Vlerick e alguns colegas haviam literalmente acabado de voltar do país onde estiveram para o GSB. Nem preciso dizer que todo mundo estava um pouco devagar, para dizer o mínimo…
Depois de uma breve explicação sobre o jogo e seu software, lá fomos nós, cada grupo em uma sala, para as primeiras decisões. Poucas variáveis ainda, só para nos acostumarmos com a dinâmica do jogo e a interface do sistema. Sai o resultado… Eba, nosso grupo fica em segundo lugar, empatado com um terceiro grupo! Nos animamos e decidimos ser mais agressivos no segundo período, até que descobrimos que cometemos um erro simples em um detalhe que fez a gente ter um prejuízo monstro e queimar quatro vezes o cash disponível…. Continuamos em segundo, mas desta vez contando a partir do último :(. Temos que negociar com o banco, adotar ações para nos recuperarmos, encontrar formas de gerar mais caixa… Vamos melhorando nossos resultados mas nossas ações não reagem na mesma velocidade… Vamos ficando para trás, para trás… Mas ainda em segundo último :P. No sexto período cometemos outro engano que breca um pouco a nossa melhora. Sétimo período: logo após definirmos uma mudança de estratégia, um colega de outro grupo chega todo contente na nossa sala, “Press release…”. A gente fica p*** da vida: uma oferta hostil para comprar “nossa” empresa e outras duas; decidimos que aquilo merecia uma resposta e 15 minutos depois é a nossa vez de “publicar” um press release, que basicamente dizia que a gente ia lutar contra a oferta. Inserimos os parâmetros no sistema e… vamos para casa, porque só no dia seguinte teríamos os resultados. No dia seguinte estávamos ansiosos para saber o que aconteceu… Sai o resultado, e nossas ações sobem 93%! Achamos que estávamos fora da zona de perigo mas o resultado da oferta ainda não está definido. Voltamos a trabalhar (e aguardar os resultados seguintes). Mais 64% no período 8! A gente fica super-animado, confiante de que a outra empresa não terá como concluir a oferta hostil… e é isto mesmo que acontece: ela consegue comprar as outras duas empresas, mas continuamos no comando da “nossa” empresa. Resolvemos contra-atacar: fizemos o que nenhum outro grupo fez para montar uma “engenharia financeira” que nos daria caixa suficiente para fazer uma oferta hostil pelas ações da empresa que queria nos comprar. Ah, como é bom quando você ri por último :D. Acontece o que prevemos e a empresa que adquiriu as outras começa a despencar… Neste momento estamos em terceiro, muito perto do segundo (do segundo verdadeiro, não do segundo último!). Todos os nossos “sistemas” de decisões estão redondinhos; todo mundo está agindo de forma coerente e se divertindo com o jogo! Assumimos o segundo lugar, decidimos não comprar a outra empresa (quem quer comprar porcaria? :P) e já é quase 22h00 quando estamos fazendo os arranjos finais para outra “engenharia financeira” que daria um empurrãozinho nas nossas ações no final do jogo. O time que comprou as outras duas empresas cometeu váááários enganos e no último período definiu sua estratégia para as 3 empresas assim: “Agora é cada um por si…” 🙂 O detalhe é que uma das empresas estava tecnicamente falida 😛 No último dia ligamos para a Olivia, uma das nossas teammates que estava atrasada para falar que a “jogada” financeira não deu certo e que caímos bastante… Quando ela chega a gente só consegue manter a brincadeira por uns minutos: na verdade subimos mais 78%! Terminamos em segundo, numa recuperação espetacular depois do que aconteceu no segundo período. Hora de escrever um relatório com as lições aprendidas e preparar uma apresentação final.
A verdade é que nos divertimos muito durante o jogo. Mas ele também foi super intenso: era difícil “desligar” depois de chegar em casa. Ainda ficava pensando em novas ferramentas ou estratégias para o período seguinte. Afinal, só dependia de nós definir como tomaríamos as decisões… Podíamos estruturar um ótimo sistema ou ficar na base do “chutômetro”.
No final o esforço valeu a pena: não só tivemos um ótimo resultado como todos achavam que nós merecíamos vencer o jogo; nosso professor apontou que fomos o time mais forte em business intelligence (além de finanças, é claro 😛 ).
Para a semana acabar só faltava a apresentação do Giving Back Project, concluída na sexta-feira de manhã.

Talvez o melhor time em que trabalhei durante o MBA: eu :), Olivia (Indonésia), Tomek (Polônia), Ana (Portugal), Raed (Jordânia) e Sandeep (Índia).

Não podia pedir um desfecho melhor para o MBA!

PS: é claro que também ficamos muito contentes com a Vlerick sendo listada pela BusinessWeek entre as top business schools européias.