Era uma vez uma viagem de trem…

Nossa viagem à China foi marcada por muitos pontos altos e muuuitos pontos baixos, ou baixíssimos… heheheh E esse foi um deles, dos baixos:

Chegamos em Beijing e tivemos uns quatro dias para turismo, nesse meio tempo os outros integrantes do grupo chegariam à cidade para só então viajarmos rumo à Qingdao, cidade onde os meninos fariam grande parte do projeto segundo a agenda elaborada por nossa colega chinesa. A mesma colega chinesa estava nos ajudando com toda a logística de viagens, já que é praticamente impossível fazer por si próprio sem falar mandarim. Ela comprou as passagens de trem e nos preparou dizendo que não teríamos assento nos primeiros 40 minutos de viagem. Sendo uma viagem de 6 horas, não vimos problema algum. Mesmo porque somos flexíveis :-P.

Depois de alguns contratempos por conta da faca que comprei (isso merece um post especial, aguardem!), chegamos à plataforma e para a nossa surpresa sentamos confortavelmente em nossas poltronas. Felizmente conseguimos também acomodar todas as nossas bagagens e felizes começamos nossa jornada rumo à Qingdao.

40 minutos depois fomos despejados de nossas confortáveis poltronas… Depois de muito empurra-empurra ao cruzarmos os vagões do trem chegamos ao vagão do restaurante, onde nossa colega disse que poderíamos nos acomodar melhor até termos assentos novamente.

O tempo foi passando, as pernas foram cansando, o vagão do restaurante lotava cada vez mais e a frustração inicial foi se transformando em raiva final…. Manja?! Mesmo tentando manter o bom-humor e aproveitar os imprevistos para trabalhar as competências adaptação e flexibilidade, depois de 5 horas e 20 minutos totalmente desacomodados em uma viagem de trem fica difícil, convenhamos! Eu juro que eu tento ser positiva e ver as coisas pelo lado bom, mas nem sempre é possível.

Mas a história não termina aí, não! Lembra que falei que na agenda estava Qingdao, então chegamos em Qingdao, uma cidade litorânea, o que deixou os meninos super animados… Muito tempo sem ver praia dá nisso. Na estação de trem fomos recebidos por um amigo dessa nossa colega, ele nos acomodou em uma van com ar-condicionado (tudo de bom, já que fazia um calor horrendo) e fomos para o hotel.

Depois de 30 minutos eu já não me acomodava muito bem no banco da van… Depois de 1 hora, perguntei ao Dú: “Para onde estamos indo? Não ficaríamos em Qingdao?”… Depois de 1 hora e 20 o Bill falou: “Escuta quanto falta para chegarmos? Preciso ir ao banheiro.” E ouvimos como resposta: “Só faltam 40 minutos para chegarmos em Laixi” com um sorriso tipicamente chinês após essa fala. “Laixi? Mas não ficaríamos em Qingdao?” E o Bill, na objetividade e pragmatismo americanos que a-do-ro, especialmente depois dessa viagem, falou: “Então dá para parar em algum lugar para irmos ao banheiro?” Paramos! Eu não quis arriscar, só desci da van para me alongar um pouco (40 minutos sentada no trem + 5h20 de qualquer jeito no vagão do restaurante + 1h20 de estrada em uma van = dor e incômodo em todas as partes do corpo). Os meninos foram ao banheiro. O Dú entrou, respirou, deu meia volta e voltou ao meu encontro. “É, não dá para encarar esse banheiro, não.” E dessa vez um sorriso bem amarelo seguiu essa fala.

Mais 40 minutos de estrada muito louca (isso também merece um outro post, aguardem!) e chegamos à Laixi, uma cidade minúscula e sem absolutamente nada para fazer, que não comer! Me imaginem agora com um “belo” sorriso amarelo no rosto. 😕

Resumo da ópera: Eu me considerava uma pessoa super flexível/adaptável, mas aí depois dessas e de outras tantas “mudanças” no meio do caminho, percebi que eu adoro mesmo é ordem, estrutura, sequência… Tudo o que um dia eu considerei chato! hehehe

Olha eu aí, sentada no chão do vagão do restaurante… Cara de feliz, né?! 😀

Mas, felizmente, nem tudo foi tão ruim assim… Nas “poucas” horas que passamos no vagão do restaurante vivemos alguns momentos muito interessantes. Havia um casal já de mais idade também no vagão, mas eles já mais acostumados com o modo de viagem estavam melhor preparados, eles tinham cada um seu banquinho, daqueles de plástico, baixinhos e fáceis de carregar. A senhora quando se cansou de ficar sentadinha e levantou para se alongar me emprestou o banquinho e por toda a viagem ficamos revezando. 🙂 Essa é uma das evidências de quão solícitos os chineses são.

Em outro momento começou o maior bate-papo, aliás se tem uma coisa que os chineses gostam é de falar. Depois falam dos italianos!!! Esse mesmo casal e mais um senhor se juntou a nós e com a ajuda do Jiuzhou (o outro chinês da turma do Dú que estava conosco na viagem) fazendo o papel de tradutor rolou o maior papo.

A primeira coisa que os chineses querem saber é qual é a nossa nacionalidade e ouviam sempre atentos: esloveno, americano e brasileiros. Ao ouvirem brasileiros começavam animadamente a falar de futebol, começando sempre por: Kaká! A senhora (do banquinho) entendia tudo de futebol. O maior barato. Ela acompanha os campeonatos europeus e sabe muito sobre Copa do Mundo. 😀

Aqui estão dois dos nossos amigos do trem, o Goran (esloveno) e o Jiuzhou (chinês):

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About Fernanda Relvas

Esposa, filha, irmã, tia, amiga, psicóloga, amante de tudo o que provoca questionamento, que promova o desenvolvimento e o crescimento. Curiosa, emburrada, crítica, teimosa, mas boa amiga e companheira!

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