Archive | agosto 2010

Era uma vez uma viagem de trem…

Nossa viagem à China foi marcada por muitos pontos altos e muuuitos pontos baixos, ou baixíssimos… heheheh E esse foi um deles, dos baixos:

Chegamos em Beijing e tivemos uns quatro dias para turismo, nesse meio tempo os outros integrantes do grupo chegariam à cidade para só então viajarmos rumo à Qingdao, cidade onde os meninos fariam grande parte do projeto segundo a agenda elaborada por nossa colega chinesa. A mesma colega chinesa estava nos ajudando com toda a logística de viagens, já que é praticamente impossível fazer por si próprio sem falar mandarim. Ela comprou as passagens de trem e nos preparou dizendo que não teríamos assento nos primeiros 40 minutos de viagem. Sendo uma viagem de 6 horas, não vimos problema algum. Mesmo porque somos flexíveis :-P.

Depois de alguns contratempos por conta da faca que comprei (isso merece um post especial, aguardem!), chegamos à plataforma e para a nossa surpresa sentamos confortavelmente em nossas poltronas. Felizmente conseguimos também acomodar todas as nossas bagagens e felizes começamos nossa jornada rumo à Qingdao.

40 minutos depois fomos despejados de nossas confortáveis poltronas… Depois de muito empurra-empurra ao cruzarmos os vagões do trem chegamos ao vagão do restaurante, onde nossa colega disse que poderíamos nos acomodar melhor até termos assentos novamente.

O tempo foi passando, as pernas foram cansando, o vagão do restaurante lotava cada vez mais e a frustração inicial foi se transformando em raiva final…. Manja?! Mesmo tentando manter o bom-humor e aproveitar os imprevistos para trabalhar as competências adaptação e flexibilidade, depois de 5 horas e 20 minutos totalmente desacomodados em uma viagem de trem fica difícil, convenhamos! Eu juro que eu tento ser positiva e ver as coisas pelo lado bom, mas nem sempre é possível.

Mas a história não termina aí, não! Lembra que falei que na agenda estava Qingdao, então chegamos em Qingdao, uma cidade litorânea, o que deixou os meninos super animados… Muito tempo sem ver praia dá nisso. Na estação de trem fomos recebidos por um amigo dessa nossa colega, ele nos acomodou em uma van com ar-condicionado (tudo de bom, já que fazia um calor horrendo) e fomos para o hotel.

Depois de 30 minutos eu já não me acomodava muito bem no banco da van… Depois de 1 hora, perguntei ao Dú: “Para onde estamos indo? Não ficaríamos em Qingdao?”… Depois de 1 hora e 20 o Bill falou: “Escuta quanto falta para chegarmos? Preciso ir ao banheiro.” E ouvimos como resposta: “Só faltam 40 minutos para chegarmos em Laixi” com um sorriso tipicamente chinês após essa fala. “Laixi? Mas não ficaríamos em Qingdao?” E o Bill, na objetividade e pragmatismo americanos que a-do-ro, especialmente depois dessa viagem, falou: “Então dá para parar em algum lugar para irmos ao banheiro?” Paramos! Eu não quis arriscar, só desci da van para me alongar um pouco (40 minutos sentada no trem + 5h20 de qualquer jeito no vagão do restaurante + 1h20 de estrada em uma van = dor e incômodo em todas as partes do corpo). Os meninos foram ao banheiro. O Dú entrou, respirou, deu meia volta e voltou ao meu encontro. “É, não dá para encarar esse banheiro, não.” E dessa vez um sorriso bem amarelo seguiu essa fala.

Mais 40 minutos de estrada muito louca (isso também merece um outro post, aguardem!) e chegamos à Laixi, uma cidade minúscula e sem absolutamente nada para fazer, que não comer! Me imaginem agora com um “belo” sorriso amarelo no rosto. 😕

Resumo da ópera: Eu me considerava uma pessoa super flexível/adaptável, mas aí depois dessas e de outras tantas “mudanças” no meio do caminho, percebi que eu adoro mesmo é ordem, estrutura, sequência… Tudo o que um dia eu considerei chato! hehehe

Olha eu aí, sentada no chão do vagão do restaurante… Cara de feliz, né?! 😀

Mas, felizmente, nem tudo foi tão ruim assim… Nas “poucas” horas que passamos no vagão do restaurante vivemos alguns momentos muito interessantes. Havia um casal já de mais idade também no vagão, mas eles já mais acostumados com o modo de viagem estavam melhor preparados, eles tinham cada um seu banquinho, daqueles de plástico, baixinhos e fáceis de carregar. A senhora quando se cansou de ficar sentadinha e levantou para se alongar me emprestou o banquinho e por toda a viagem ficamos revezando. 🙂 Essa é uma das evidências de quão solícitos os chineses são.

Em outro momento começou o maior bate-papo, aliás se tem uma coisa que os chineses gostam é de falar. Depois falam dos italianos!!! Esse mesmo casal e mais um senhor se juntou a nós e com a ajuda do Jiuzhou (o outro chinês da turma do Dú que estava conosco na viagem) fazendo o papel de tradutor rolou o maior papo.

A primeira coisa que os chineses querem saber é qual é a nossa nacionalidade e ouviam sempre atentos: esloveno, americano e brasileiros. Ao ouvirem brasileiros começavam animadamente a falar de futebol, começando sempre por: Kaká! A senhora (do banquinho) entendia tudo de futebol. O maior barato. Ela acompanha os campeonatos europeus e sabe muito sobre Copa do Mundo. 😀

Aqui estão dois dos nossos amigos do trem, o Goran (esloveno) e o Jiuzhou (chinês):

Vai um espetinho aí?

Se tem uma coisa que realmente acredito é que nada nessa vida é por acaso e nas pequenas coisas diárias percebo que essa é realmente uma verdade, pelo menos para mim. 🙂

Pouco antes da nossa viagem para a China fui a uma livraria de usados aqui em Leuven, queria um livro leve e interessante para levar para a China, já que eu teria bastante tempo livre enquanto os meninos se dedicavam ao Givig Something Back Project (projeto final do curso de MBA do Dú, o qual deveria ser realizado em uma ONG).

Depois de algumas horas vasculhando as extensas prateleiras da livraria cheguei à seção de gastronomia… Loucura, loucura!!!! O primeiro “acaso”: haviam umas 10 caixas no chão só com livros liiiindos de gastronomia todos por € 2,50. Para encurtar a história um dos livros que comprei foi o do Jeffrey Steingarten It must’ve been something I ate (já falei um pouco sobre ele nesse post aqui ó)… E aí vem o segundo “acaso”: já na introdução do livro ele comenta que logo que se tornou crítico gastronômico da Vogue (que dó, né?!) ele sentiu uma responsabilidade ética de livrar-se de todo e qualquer preconceito psicológico e cultural e inibição que pudessem impedi-lo de tornar-se um perfeito onívoro (que ou o que come tudo ou de tudo, segundo o dicionário Houaiss), o ideal crítico neutro. Nesse sentido ele revela algumas de suas restrições alimentares (daquela época), sendo uma delas os insetos, tão evitados nas Américas, excluindo o México, e Europa.

Após ler essa introdução me convenci ainda mais sobre a minha opção de ir para a China com o paladar completamente aberto para experimentar e felizmente só tive alegrias (parte já relatado nesse post aqui).

Toda essa introdução foi necessária para contar, na verdade, a história de um grupo de brasileiros que encontramos no exotic food market, uma ruazinha bem estreita e apinhada de gente e cacarecos que cruza a Wangfujing Shopping Street em Beijing. Estávamos caminhando por aquelas bandas e eu estava curiosíssima para ver essa muvuca toda. Logo na entrada dessa rua (que também é só para pedestres) vi os espetinhos de escorpiões (vivos, sim! Os escorpiões espetados vivos, ainda se mexendo, são os considerados mais frescos, mais saborosos… ui!)… E logo reconhecemos no meio daquele monte de gente falando mandarim um povo falando português.

Era um grupo de jovens brasileiros, eles faziam uma roda em torno de uma das meninas e gritavam: “Go! Go! Go!” A menina segurava um espetinho com um último escorpião e outra do grupo dizia: “Vai! Coragem! Todo mundo já comeu, só falta você!” A coitada se encheu de coragem (?) e colocou o bicho na boca. Ela tremia tanto que dava dó. Em seguida pegou uma garrafa de refrigerante, tremendo… A garrafa sacolejava tanto em suas mãos que ela mal conseguia beber direito… Acho que ela tentava era engolir o coitado do bichinho…. 😕 Mas esse episódio acho que não retrata o que o Jeffrey pratica diariamente…

Pois é, tem coisas que mesmo estando ou sendo muito aberto ao que nos é diferente não dá para engolir… Literalmente!!!! 😆

Essa iguaria eu passei! 😛

Nos sentindo como… artistas!

Quem nunca na vida não quis ser artista? Andar pelas ruas e ter olhos curiosos te seguindo? Eu já quis!!! E na China matei, ops matamos, a vontade. 🙂
Nas ruas, no metro, everywhere, éramos seguidos ou até encarados por olhos chineses muito curiosos…. Logo nos primeiros dias achei que isso acontecia por eu estar usando decote (Dú até reclamou, mas com o calorão que fazia naquela terra, só com roupinhas de verão para dar conta), mas daí veio a resposta para o meu incômodo:

Estávamos na Cidade Proibida quando duas chinesas me pararam e falaram “photo“. E eu muito solícita, pensando que elas queriam que eu tirasse uma foto delas, respondi com um sorriso no rosto “sure“. Logo as duas deram a câmera para o Dú e correram, cada uma de um lado, para me abraçar. Eu olhei para o Dú com cara de e ele se matando de rir da minha cara. 😛

E assim foi por todos os lugares que visitamos quase todos os dias em que estivemos na China. Nessas alturas tem muita foto nossa rolando por lá. 😛

Na primeira foto o Goran estava até de mãos dadas com a garota. hihihi Já na última  o Dú estava tirando fotos na praça da Giant Wild Goose Pagoda (Xi’an) e os chinesinhos aproveitaram a distração para tirar foto dele, mas o Dú foi mais rápido e pegou todos no flagra.

Chá, chá e mais chá!

Se teve uma coisa que fizemos demasiadamente na China foi comer!  Por Deus, quanta variedade de comida, pratos, vegetais, temperos, frutos do mar…. Só tomando muuuuito chá para dar conta, viu?! E se tem outra coisa demasiadamente variada na China é chá!!! 😀

Chá verde, chá branco, chá preto, chá de jasmim, chá de rosas, chá de crisantemos e por aí vai!

Felizmente trouxemos um estoque básico e com o friozinho desses dias já estou providenciando a baixa no estoque. 😛

Uma questão de…. direção!

Do mesmo jeito que os chineses pensam eles andam, dirigem/manejam carros, bicicletas, riquixás e barcos, entram e saem do metro, do elevador…. 😀

Estávamos em um dos parques em Beijing quando começamos a ouvir uma buzinaiada doida… Olhamos para o lado e nos surpreendemos com os barcos todos engarrafados, mas a bangunça não parou por aí. Os barcos que estavam se aproximando ao invés de esperarem continuaram em direção ao canal e a zona só aumentou… heheheh

A primeira providência

Poucas horas depois de chegar em casa e sem absolutamente nada na geladeira saimos para jantar.

Que sensação boa! Andar pelas ruas que você conhece bem, ir ao restaurante que você conhece bem, pedir o belo steak que você conhece bem e a bela e inconfundível cerveja belga que você também conhece muito bem… Eu caí de cabeça em um conservadorismo doido! O Dú não foi tão conservador assim, mas dessa vez acabou se dando mal. Pediu uma das tantas cervejas belgas que ainda não experimentamos, Rodenbach Grand Cru, mas a danada, excepcionalmente, é muuuuito ruim… eca! 😦

Claro que não demorou muito para ele aderir fervorosamente ao conservadorismo gastronômico (pediu correndo uma Westmalle), o qual não nos é usual, mas depois de muito tempo longe de casa, nada melhor do que matar as saudades através do paladar que tanto nos agrada e nos é conhecido. 🙂

Ai, ai…. Viajar, desbravar o mundo, novas culturas e costumes não tem preço, mas voltar para casa é tudo de bom! 🙂

Home Sweet Home

Depois de longos 42 dias, 3 trens, 8 aviões, 4 ônibus, 11 diferentes camas, 7 cidades, 2 países, muitas desventuras e trapalhadas, problemas de comunicação, estilos diferentes de vida, muita diversidade cultural, uma variedade incrível de comida :D, muito chá, algumas dores de cabeça, muitas boas risadas, muita espera em diferentes aeroportos e, Graças a Deus, muito aprendizado no meio desse turbilhão todo, chegamos em casa com as malas cheias de boas histórias para contar, muitas fotos para mostrar e muita saudade para matar! 😀

Summer Palace

Depois de A Cidade Proibida vem o Summer Palace. Pois é, o Imperador não satisfeito com sua pequena residência (A Cidade Proibida) também tinha à sua disposição o Summer Palace, com um “modesto” lago, jardins, residências, entre outras “pequenas” mordomias. Mais uma vez minha cabecinha naïve entrou em parafuso. E atualmente o governo enche as burras de dinheiro, porque é tanta gente visitando, que só estando lá para entender!

Deixando as questões existenciais de lado, vamos aos fatos: Fomos em um dia de muito calor, o que nos trouxe uma paisagem ainda mais linda, mas trouxe também um pouco de dificuldade, já que a moleza era geral. 🙂
O lago de 2.2 km2 foi inteiramente construído pelas mãos dos homens no ano de 1750. Dá para imaginar o trabalho que eles tiveram, já que os recursos da construção civil não eram lá essas coisas?… Ou melhor, não existiam!

Fico sempre muito impressionada com essas proezas humanas, porque com tão pouco recurso (tecnológico) tanto era feito!
Cruzamos o lago de barco e caminhamos mais um pouco pela extensão dos jardins do palácio. Dessa vez a muvuca não era tão evidente já que a área é bastante grande, mas quando andávamos pelos corredores cobertos, nos escondendo um pouco do forte Sol do dia, podíamos perceber o amontoado de gente 😉

No Summer Palace foi a primeira vez que vimos mais turistas (não orientais) e outra coisa que nos chamou bastante a atenção foi o número de grupos escolares visitando o lugar! 😀

A vista do Palácio por diferentes pontos

Novamente os telhados apresentam os animais em sua extremidade… Sinal do poder! 🙂

Na antiguidade acreditava-se que um degrau na porta seria uma barreira para os maus espíritos. Ainda é muito comum encontrar o degrau na entrada das casas. Muito cuidado para não tropeçar, mesmo porque eles não são muito baixinhos.

Muitas das rampas nos monumentos históricos são como essas, com “degraus”… Na chuva dá mais segurança, mas pode ser perigosa aos desatentos. Infelizmente vimos uma turista caindo em uma das rampas da Cidade Proibida. 😦

Um dos corredores que nos protegia do sol e um dos grupos de estudantes

Um japa na China

Estou lendo o livro It must’ve been something I ate do crítico culinário da Vogue Magazine Jeffrey Steingarten. O livro é composto por artigos em que o autor discute, critica, descreve experiências, explica de tudo e mais um pouco, mas sempre sobre comida. Estou aprendendo um monte com esse cara que escreve de forma descontraída e muito agradável.

Logo no primeiro artigo do livro conheci um atum especial, o Bluefin Tuna, um atum muito grande e muito caro. Em especial a carne mais gorda a qual é chamada Toro.
O Bluefin é um dentre os 13 de sua espécie. É um dos maiores peixes do mar (816 Kg parece ser o record) e um dos mais velozes (é capaz de nadar a 90 Km/hora). E normalmente ele é encontrado em seu trajeto entre Japão e Califórnia.

O autor descreve sua experiência em alto mar quando resolveu pescar por ele próprio o Bluefin e no próprio barco preparou seus sashimis.
Depois de ler esse artigo e de ficar com água na boca somente pela descrição feita, fiquei com isso na cabeça e em todos os restaurantes que vamos “isso” é o que primeiro procuro no cardápio.

Felizmente, após visitar a Cidade Proibida, paramos em um dos muitos Shoppings de Beijing e resolvemos almoçar em um restaurante japonês e para a minha felicidade lá estava ele. 😛
Muito mais caro que os demais sushis/sashimis, mas vamos que vamos, não é sempre que temos a oportunidade de experimentar um Bluefin. O bom é que de toda a forma a comida aqui é bem mais barata, especialmente se compararmos com a Europa. 🙂

Definitivamente o melhor sushi que já comi em minha vida. A cor, a textura e o sabor não se parecem em nada com o tradicional atum que encontramos nos restaurantes convencionais. É uma carne tenra que parece derreter na boca com sabor ao mesmo tempo suave e marcante… DI-VI-NO!!!!!

Agora sim é que a minha neura em busca do Bluefin se instalou! 😀 Ooops! Diversão acabada. Acabamos de ler na Wikipedia que alguns dos Bluefins estão em extinção 😦 O que me faz evidentemente repensar e tentar amenizar ao máximo a minha fissura 😦

O Bluefin Tuna… Perfeição!!!

Tempurá de camarão

Sushi de enguia… Muito sabor!

Tempurá de ostras… Esse ficou a desejar. As ostras absorveram todo o óleo.