Um pouco mais sobre Beijing – parte 3

Hoje deixamos Beijing e fomos para Shanghai, então acho que seria interessante falar um pouco mais sobre a cidade, antes que minhas percepções comecem a ficar misturadas.
Em vários aspectos Beijing lembra São Paulo – é uma cidade enorme, muita gente, congestionamentos frequentes, shopping centers por todos os lados, a qualidade do ar sofre principalmente em função do tráfego intenso (embora no passado fábricas muito poluidoras tenham contribuído bastante para isto), muitos novos edifícios sendo construídos. Como em São Paulo, um não-residente sente dificuldade para localizar-se bem na cidade. Se você tem dúvida, dê uma olhada nas fotos abaixo:

Porém, quando você começa a prestar atenção aos detalhes, vê enormes diferenças. Talvez seja possível resumir muitas destas diferenças em duas palavras. A primeira é planejamento. Enquanto São Paulo é simplesmente caótica, você vê um planejamento em muitos aspectos de Beijing – as avenidas são largas, o mesmo vale para as calçadas; o tamanho do metrô é simplesmente humilhante em relação ao metrô de São Paulo; há vários edifícios enormes, mas também bastante espaço entre eles, o que diminui a sensação claustrofóbica que algumas ruas de São Paulo criam. De modo geral, a infra-estrutura também dá de 10 a 0 na de São Paulo: as ruas são excelentes, meus colegas que andaram de metro disseram que ele também é muito bom (e com mensagens em inglês sobre as estações…), de modo geral a cidade é bastante limpa. Bejing também tem 6 anéis viários progressivamente mais afastados do centro, enquanto São Paulo ainda esta para completar seu primeiro anel… Isto sem falar na segurança: andando à noite você não se sente inseguro, não existe um policiamento ostensivo (a não ser na Praça da Paz Celestial) e em mais de uma semana que ficamos lá não ouvi sirenes uma única vez (e andamos bastante entre o hotel, universidade e empresas).
A segunda palavra é diversidade. Beijing é uma grande mistura: você vê um edifício comercial super moderno e ao lado dele um residencial bastante antigo e deteriorado; ruas paralelas às grandes avenidas que são estreitas, com restaurantes que vendem comida através de “janelas”; o mercado de comidas exóticas fica espremido entre prédios de um grande centro comercial; enormes terrenos vazios entre edifícios recem-construidos. Carros super modernos (BMWs e Audis são bastante populares aqui) disputam espaço com bicicletas, alguns riquixás e várias motocicletas transformadas em um pequeno “caminhão” (com uma caçamba) ou em uma espécie de mini-carro (na realidade, alguma coisa parecida com uma gaiola fechada de metal que deve ser uma verdadeira estufa no verão).

Talvez a explicação seja mais simples – tanto Beijing quanto São Paulo são cidades enormes, e toda cidade deste tamanho terá certas semelhanças. Vamos ver como será em Shanghai, especialmente porque todos dizem que as cidades são completamente diferentes – e conversando com algumas alunas do MBA da Universidade de Peking (curso “irmão” do da Vlerick, já que a Vlerick é responsável pelo conteúdo acadêmico), elas disseram que eu iria achar Shanghai mais parecida com São Paulo.

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