Archive | novembro 2009

Thanksgiving party

Neste domingo os americanos da turma de MBA do Dú organizaram um Thanksgiving e convidaram todos os colegas e agregados.

Cada um deveria levar um prato, de preferência uma comida típica do seu país. Dessa forma, além de celebrarmos essa data tão importante da cultura americana, também teríamos a oportunidade de experimentar pratos dos mais diversos países do mundo.

E não deu outra, era comida que não acabava mais. Pena que não dá para descrevermos cada um dos pratos. Eram muitos e muito diferentes.

Comemos um pouco de tudo e tudo estava delicioso.

Nós levamos feijão tropeiro e brigadeiro. O feijão não fez muito sucesso, já o brigadeiro… até pediram receita… 😉

A melhor cerveja do mundo

Pois é, domingo passado tivemos a chance de experimentar a cerveja que aparece no primeiro lugar em vários sites especializados (Beeradvocate, ratebeer, BeerPal.com e outros, provavelmente). Mas não foi exatamente uma moleza…

Esta é uma cerveja trapista, e o objetivo dos monges de todas estas abadias ao produzir cerveja é financiar a vida monástica. Só que os monges da abadia Saint Sixtus de Westvleteren levam isto ao extremo: eles produzem apenas o que precisam para financiar a abadia e só vendem a cerveja na própria abadia ou no bar/restaurante que pertence a eles e que fica em frente à abadia (e a quantidade na loja é limitada: uma caixa de 24 garrafas por carro, por número de telefone, por mês! Reservas antecipadas, é lógico… No bar, nem isto: você tem que consumir lá mesmo…). Ou seja, se quiser experimentar, tem que ir na fonte. O problema é que a fonte fica a 170 km de Leuven, distância que nos levaria à França, Holanda ou Alemanha. Mas a viagem até que foi divertida, organizada por uma de nossas colegas belgas. Mas quando estávamos chegando… começou a cair uma baita chuva, e quando finalmente achamos o lugar tivemos que correr um pouco até chegarmos à entrada do bar/restaurante In De Vrede. Então, surpresa! O lugar é muito maior, muito mais bonito e muito mais cheio do que imaginava. Garanto que se ele estivesse em alguma esquina de São Paulo estaria lotado quase todo dia, independente da cerveja servida (a não ser que fosse Schin ou outra porcaria parecida, é lógico). Isto gerou alguma demora até que o primeiro copo de cerveja chegasse, mas aí tudo ganhou outra perspectiva!

São produzidos três tipos: a Blonde (clara), a 8 e a 12 (escuras). Mesmo a Blonde é muito diferente, ainda melhor do que as outras cervejas trapistas claras. É difícil explicar a diferença, é uma cerveja bastante encorpada mas ao mesmo tempo suave, macia e saborosa. Mas as melhores são mesmo a 8 e a 12. A 8 tem um sabor um pouco mais próximo do doce e é menos encorpada, enquanto a 12 é muito encorpada, muito macia e muito, muito saborosa. É curioso, mas o sabor da 12 também é super persistente, sensação quase idêntica à de alguns vinhos. As 3 ainda levam ao extremo uma característica de quase todas as cervejas belgas: você simplesmente não percebe o alto teor alcoólico delas (5,8%, 8% e 10,8%). É claro que desta vez tínhamos que experimentar todas, mas numa próxima oportunidade não preciso pensar duas vezes para concluir que o negócio é ficar com a 12. As três são um pouco mais caras do que as outras cervejas trapistas, mas não é uma diferença que assuste.

Quando estávamos indo embora ainda perguntamos na loja se não era possível comprar nem uma garrafinha sequer… Resposta negativa, então tivemos que nos contentar com um queijo :), também feito na abadia e também muito bom (mas eu o trocaria fácil por uma garrafa da 12 :D). E o mapa com a localização das cervejarias trapistas na Bélgica é interessante, porque mostra que cada uma fica num canto do país! OK, o país não é tão grande, mas tudo seria bem mais fácil se elas estivessem mais agrupadas :).

A volta já foi mais cansativa mas a viagem valeu a pena. Afinal, não é todo dia que você tem a chance de experimentar a melhor cerveja do mundo :).

MBA’s wives meeting!!!!!

Ontem organizamos o primeiro MBA’s wives meeting. Nós mulheres de alunos do MBA da Vlerick nos encontramos para conversar, compartilhar e rir muuuito!

Estávamos em 4, uma argentina (grávida de 8 meses e LINDA), uma americana, uma jordana e eu. Mas logo depois chegou uma espanhola que está na minha turma de inglês. Só faltou uma chilena (também da minha turma de inglês).

Todas exatamente na mesma situação: acompanhando seus maridos durante um ano de curso (MBA ou mestrado) aqui na Bélgica!

No início o papo foi mais formal, do tipo, o que você tem feito? Vocês está gostando da cidade? e blá, blá, blá. Mas logo descambamos, pois nos reconhecemos no mesmo balaio! Isso mesmo! Todas trabalhávamos em nossos países de origem e trabalhávamos muito, tínhamos pouco tempo para a casa, muito autônomas e decididas, donas dos nossos narizes.

Mas de repente tudo muda e nos encontramos em um país diferente, com uma cultura diferente (até aqui tudo bem!) e com uma rotina beeem diferente e, é aqui que o negócio pega!

Um relato sucinto das nossas angústias:

Tentamos acordar junto com nossos maridos… e nos manter acordadas!

No pico da desesperança, passamos o dia inteiro de pijamas. Eca! 😐

Nossa tarefa principal é manter a casa limpa e, para nos mantermos ocupadas, nos ocupamos da limpeza por todo o dia, até mesmo limpando novamente… só para ter certeza que está um “brinco”! 😛

Dentre nossas tarefas ainda tem fazer compras. Pegamos nossas bicicletas e saímos rodando os mercados para encontra os produtos mais baratos. Todas temos a percepção que tudo aqui é muito caro.

Um dos nossos desafios: sermos criativas… na cozinha! Claro, temos que surpreender nossos maridos. Aqui temos algumas diferenças, a argentina, a espanhola e eu cozinhamos e nos viramos bem, a americana está curtindo e aprendendo dia-a-dia, já a jordana compra umas coisas prontas, corta uns pedaços de pão e serve com salada! 😀

Para a argentina e para mim essa tarefa é ainda um pouco mais árdua, já que nossos maridos tomam café-da-manhã, quase todos os dias almoçam e jantam em casa… haja criatividade!

A liberdade de tempo para ler, fazer pesquisas e tudo aquilo que ficávamos postergando por fazer em função das nossas vidas atribuladas pelo trabalho se mostrou … hum… meio chato na verdade! 😕

Mas o legal de tudo isso é que cada vez que uma contava alguma coisa, como: “Depois que meu marido vai para aula, tem dias que eu volto para a cama.” e as demais comentavam: “Ai, eu também”, ‘Também já fiz isso, mas hoje eu tento não voltar mais” hahaha… Ríamos feito loucas. Nossa rotina é literalmente a mesma!

Uma dificuldade semelhante entre todas é que estamos buscando trabalho, trabalho voluntário, diferentes cursos, mas sempre esbarramos no idioma: holandês! Que coisa, até nos sentimos pouco qualificadas falando inglês, espanhol e francês… hahahah

Igualmente somos reconhecidas, identificadas ou apresentadas como Fulano’s wife. Perdemos os nossos nomes e identidades… socorro… Nessa hora foi hilário… gargalhávamos!

Por fim fomos expulsas do café… Eram 17h30 e tinham que limpar! hahaha. Aqui o dia terminaa mais cedo!

Nos sentimos tão acolhidas nas nossas semelhanças que nossos encontros agora serão semanais, a não ser que uma de nós esteja com a agenda cheia… hahahaha

Ufa! Passou!!!!

Ai que alívio. Todo aquele mau humor de ontem passou!

Tive uma noite de sono restauradora e acordei bem mais animada!

Como o previsto, ao ler o post de ontem, ri de mim mesma! Ainda bem que dias como esses são a exceção! hehehe… Se não, nem eu mesma me aguentaria, porque olha, ontem foi barra!

Até o Skype deixei desligado… eu não tinha a menor condição de conversar com absolutamente ninguém. E hoje, quando falei com minha mãe, rimos um monte!

O dia continuou chuvoso, mas já melhor que ontem. Amanhã, quem sabe não abre um Solzinho? 😀

Hoje NÃO é um dia qualquer!

Definitivamente, hoje NÃO é um dia qualquer!

São exatamente 12h36 e vou fazer uma breve descrição do meu dia até agora! Atenção: é exatamente dessa forma que estou vendo e sentindo o dia de hoje. E esse post tem o propósito de ser um depositário da minha ira! hahaha (entenda essa risada como sendo bem sarcástica…. sobre mim mesma!)

Às 3h00 acordei e não consegui mais dormi. Só uns cochilos, bem meia boca. Não me acomodava na cama de jeito nenhum!

Levantei, bem de mau-humor, e preparei o café da manhã do Dú e o lanche para ele levar, já que hoje ele não vem almoçar em casa… tem reunião!

Coitado me fez umas perguntas e eu fui bem “cavala”… sorry Dú, mas o mau humor de hoje está bravo!

Voltei para cama e levantei às 9h20. Olhei pela janela e estava garoando. Me arrumei para ir à aula de inglês, com um pouco mais de camada que o normal… É, nesses dias literalmente nos tornamos cebolas ambulantes, cheios de camadas de roupa.

Preparei meu café da manhã, mas só consegui comer meio pão. O mau humor também me tira o apetite.

Quando saí de casa, atrasada, a garoa havia se transformado em chuva. Não dava mais para ir de bike, e economizar tempo. Voltei, peguei o guarda-chuva e fui para a aula.

O caminho foi torturante! Um vento dos infernos. Cortante de tão gelado e claro o guarda-chuva não adiantou de nada. Primeiro porque vinha chuva de tudo quanto era lado e segundo porque aquela PORCARIA de guarda-chuva virava a cada dois passos. Não é exagero!

Em outro dia isso poderia ter sido hilário, mas hoje foi… foi… não consigo nem qualificar!

Cheguei na aula MOLHADA e suada! Pode? Tirei umas camadas de roupa e logo fiquei morrendo de frio.

A aula estava irritantemente irritante. Não entendia nada do vídeo. E o vídeo era de uma tragédia que aconteceu semana passada da Inglaterra. Só para completar o meu mau humor!

No intervalo queria tomar um café para me esquentar um pouco, mas claro: eu não tinha nem uma P. moeda! E o meu mau humor não me permitia pedir emprestado. Fiquei sentadinha comendo uma barrinha de cereal HORRÍVEL que eu tinha na minha mala!

Finalmente a aula acaba, mas a chuva e o vento NÃO!

O caminho de volta foi outra tortura. Pelo menos tinha uma padaria no meio do caminho. O pão tinha acabado e eu não tinha a menor condição de ir até o mercado com esse tempo! Tudo bem que foi um roubo, mais que o dobro do preço. Mas nessas horas tudo vale!

Depois de ter que desvirar o guarda-chuva por DIVERSAS vezes e desviar de várias bicicletas, porque é claro, em momentos como esses é cada um por si, e era bicicleta cruzando por todo lado sem a menor preocupação com pedestre, todo mundo queria mesmo era fugir da chuva!

Cheguei em casa, inclusive com os cabelos molhados! Dá para imaginar como estava o vento? A roupa nem se fala! O jeans literalmente molhado. Graças a Deus meu velho e indispensável Timberland estava no meu pé. O pé ficou seco, mas a meia na altura do tornozelo, também estava molhada… hahaha… essa risada é uma demonstração de esperança… quem sabe amanhã, quando eu ler esse relato horrendo, eu não ria de mim mesma?

É isso aí. Essa foi a minha única motivação de hoje. Escrever esse post horrível! Agora vou ficar no sofá, debaixo do cobertor esperando por amanhã! Ah! Isso porque o Dú me deu uma tarefa interessantíssima (mais sarcasmo): fazer uma pesquisa sobre o amado Lula (isso sim que é sarcasmo) para uma apresentação no MBA!

Bye-bye!

As cores não negam: é outono!

Ao olhar as ruas, as árvores e chão, não dá para negar: é outono.

O dia é claro, de céu azul, vento muuuito gelado e toda aquela folhagem verdinha, como mágica, amarela e começa a cair.

outono1outono2outono3

É um processo de transformação natural delicioso de se perceber e viver!

Dando um tempo nas cervejas belgas

É claro que imaginei aproveitar nossa viagem para Amsterdam para experimentar algumas cervejas holandesas. Quando comentei com meu colega de classe holandês que foi difícil achar boas cervejas holandesas em Amsterdam, sua resposta não poderia ser mais autêntica: “É, eu imagino.”

Pode parecer incrível, mas não foi fácil achar boas cervejas holandesas na – surpresa! – Holanda. Não que eles não tenham boa cerveja, o problema é que a Heineken domina completamente o mercado; e se juntarmos a Grolsch e a Amstel, não sobra quase nada. O pior é que todas estas são pale lager – muito parecidas entre si (embora eu tenha achado a Heineken bem melhor do que a que temos no Brasil). Mas o mais engraçado é que em vários bares ou restaurantes as melhores cervejas eram belgas ou alemãs… A União Européia explica isto (embora países como a Alemanha tenham criado todo tipo de lei maluca para definir o que é uma cerveja “pura” como artifício para resguardar as cervejarias nacionais).

Então tive que ficar atento às oportunidades. Em um bar que, segundo nosso guia, “tinha todo tipo de cerveja holandesa”, nos deparamos com 3 cervejas holandesas e mais uma pequena relação de cervejas belgas. Meio contra a vontade acabei pedindo uma Wieckse Witte, a terceira tentativa com uma witbier. Digamos que continuo com a mesma opinião… Sugiro que você experimente qualquer uma só pra dizer que experimentou, e mude para algo melhor. Em outro restaurante pude pedir uma Dommelsch; esta é diferente, é uma pilsener com uma cor bem mais acobreada do que esperaria, mas a expectativa criada pela cor (de uma cerveja mais forte e encorpada) vai pelos ares no primeiro gole. É uma boa cerveja, mas nada, nada demais.

latrappeMas a Fernanda tinha descoberto em um blog um bar (t’Arendsnest) que seria “o bar” para experimentar cervejas belgas. Tivemos que andar um pouco para chegar lá – novidade – mas quando chegamos tudo valeu a pena! Eles tem 30 cervejas na pressão e outras 100 em garrafa, todas holandesas. Foi uma dificuldade escolher, mas no final a lógica venceu: La Trappe Quadrupel, da única cervejaria trapista fora da Bélgica. Tudo o que eu espero em uma cerveja deste tipo :): uma cerveja encorpada e forte, com um sabor muito diferente – elas não são amargas mas tem um sabor forte, muito, muito redondo. Algumas – como esta – também aparentam ter uma ligeira doçura. Depois dela a escolha ficou difícil; o cardápio com uma breve descrição de cada cerveja ajudou e pedimos uma Czaar Peter.  Esta foi uma surpresa: bem no estilo da Guinness, talvez um pouco mais leve, mas com um sabor tostado bem característico (uma delícia!). A empresa que a produz quer promover a produção de cervejas “alternativas”; segundo eles, cervejas que usam ingredientes ou métodos pouco usuais na Holanda. A Czaar Peter seria uma Russian Imperial Stout, o tipo de cerveja produzido em Londres no Séc. XVIII para ser exportado para a corte de Catarina II (uau, cerveja também é cultura…).

Agora a situação é a seguinte: já experimentei pelo menos uma cerveja de 5 das 7 cervejarias trapistas :). O pessoal do MBA está organizando uma viagem para a Westvleteren, a mais exclusiva de todas – e também considerada a melhor cerveja do mundo. Esta promete!

trapistas

O terceiro (e último) dia em Amsterdam :-(

Mais um belo café da manhã e nessa manhã não chovia 😉

Caminhamos em direção à estação central (já tirando um monte de fotos), pois íamos fazer um tour de graça. Na verdade não tem um preço definido. Você faz o tour de aproximadamente três horas e no final você paga o quanto você quer, pode ou julga valer. A empresa é a New Europe Tours e opera em outras cidades na Europa. Valeu muito à pena.

Acabamos escolhendo o guia que falava espanhol, já que o grupo era bem menor que os outros grupos com guia que falava inglês. Ele é bem divertido, o que deixou o passeio ainda mais interessante. Conhecemos os principais pontos no centro e suas histórias. As três principais entradas da cidade, a casa com a maior fachada e a casa com a menor fachada (simplesmente 1,8m de fachada), mas ela é bem bonitinha. Conhecemos a rua dos “judeus”, o bairro da Luz Vermelha, por lá fotos são proibidas, já que as mulheres ficam literalmente expostas em vitrines, e dizem que guardam garrafas com seu xixi caso alguém tire uma foto delas… então muito cuidado. Só pode olhar! Passamos pelas igrejas, a nova e a velha, e ainda tem uma bem no centro do bairro da Luz Vermelha. Passamos em frente à um dos coffeeshops mais famosos da cidade, onde o Brad Pitt, George Clooney, Robbie Coltrane e Matt Damon gravaram Doze homens e Outro Segredo. O cheiro de maconha você já sente desde a esquina. Fomos à casa da Anne Frank e terminamos nossa caminhada na beira de um canal, onde construíram três grandes triângulos no chão em referência à Anne Frank, aos homossexuais e aos judeus, já que esses são os símbolos históricos que representam, ou que fomentaram, a tolerância e o senso de liberdade nessa cidade.

Essa era a fachada da oficina do pai de Anne Frank.

anne_frank

Porta de entrada para o Begijnhof e ao lado as nove casas que dão fundo à praça, mas apenas uma porta! O Begijnhof é uma “vila” onde mulheres, que não fizeram voto, moram apenas para orar. Tem um em Brugge e em Leuven, mas no de Amsterdam atualmente só moram senhoras viúvas ou solteiras. Existe uma fila enorme de espera e pagasse-se muito para poder morar lá. É um lugar que inspira tranqüilidade.

Ah! Mais uma curiosidade: reparem que as casas são inclinadas para frente. Elas não estão entortando, não. Elas foram construídas propositalmente assim, pois como as escalas internas são muito íngremes e estreitas, móveis grandes eram içados por fora e, em a fachada sendo inclinada, não corriam o risco de raspar os móveis na fachada conforme os subiam. Dá para imaginar?begijnhof1

A única casa de madeira que ainda existe em Amsterdam é essa que fica no Begijnhof. Ao lado o Dú no pátio interno.begijnhof2

Outras perspectivas do pátio interno do Begijnhof.

begijnhof3

As casas pagavam imposto de acordo com o tamanho da sua fachada. Essa era a casa de maior fachada (a mais escura, atrás da árvore ;-)).maior_fachada

E essa a casa de menor fachada (pintada de vermelho… apenas 1,8m de fachada. Dá para imaginar. E ele disse que nessa casa vivem um casal com uma filha, o cachorro e as três bicicletas… ahahahmenor_fachada

Depois tomamos uma cerveja no Café de Prins, um dos bares tradicionais segundo o guia, mas mais uma vez não tivemos sucesso com as cervejas holandesas… as melhores cervejas servidas nessa terra ainda são as belgas 😉

cafe_de_prins

Voltamos ao bairro da Luz Vermelha, pois eu queria tirar foto de uma obra de arte de autor desconhecido que fica no chão. Segundo a história ela foi encontrada um dia e a retiraram de lá, depois de algum tempo, julgaram que não havia problema e voltaram com a obra para a rua. 😉 O guia sempre repetia: “Aqui nessa cidade, tudo se aproveita.” 😉

red_lights

Outra curiosidade: os coffeeshops surgiram em uma época em que Amsterdam tinha mais que 20.000 viciados em heroína, o que os levou a pensar em uma forma de diferenciar as drogas leves das pesadas, resultando assim em uma tolerância maior às drogas leves. Mas as coisas têm mudado. De 600 coffeeshops, hoje existem apenas 200 e todo o cuidado é pouco atualmente. A polícia está muito mais atenta e restritiva. Qualquer apologia à “maconha” é proibida, por isso o nome de coffeeshop.

Visitar Amsterdam e não conhecer um coffeeshop me parece quase impossível, então convenci o Dú! Voltamos ao Dampkring e… entramos! Às 12h00, quando passamos por lá com o guia vimos um senhor de cabelos e barba compridos e grisalhos e ao voltar, às 16h30 aproximadamente, ele permanecia por lá! 😉

Entramos e nos sentamos no balcão. Demos uma olhada no cardápio, queríamos só beber uma cerveja e iríamos embora, mas aí só vimos café, suco e refrigerante. Olhamos ao redor e todos bebiam café, suco e refrigerante. Olhamos no fundo e tinha outro balcão com várias gavetinhas com “ervas”. Perguntamos para a atendente se não tinha cerveja e a resposta foi: “Só é permitida a venda de uma droga por porta. Aqui não vendemos álcool.” Ah! Por isso o nome coffeeshop! heheheh

dampkring

Pedimos cada um um capuccino e logo depois chegaram os colegas do Dú, o indiano e o esloveno. Não sei se eles se surpreenderam mais em nos ver lá, ou se eles se sentiram surpreendidos por nós os vermos lá… hahaha

O ambiente é bem legal, descontraído, cada um fica na sua e ninguém invade o espaço de ninguém, mas realmente o cheiro, ou a “marola”, é bem forte. Quando acabamos nossos capuccinos fomos embora para evitar qualquer “reação” e para deixar os meninos à vontade, vai saber. eheheh. Valeu a experiência!

anoitecendoFotos durante o anoitecer, enquanto voltávamos para o Hotel.

À noite fomos jantar em um restaurante indonésio (achamos a referência no blog Amsterdamned, blog de uma australiana que vive em Amsterdam. Definitivamente essa é a melhor forma de planejar as viagens: pesquisar em blogs!) e os dois colegas do Dú foram conosco. Um restaurante agradabilíssimo, ótimo atendimento, a comida é divinal, definitivamente o melhor restaurante que comemos em Amsterdam. Recomendamos de olhos fechados. O restaurante é Kantjil & de Tijger. Comemos um Rames, um prato que vem com pequenas porções de diversos pratos típicos. Maravilhoso!

rames

Depois fomos conhecer um bar, que não está no roteiro turístico, mas descobrimos a dica em outro blog. O Ducs Amsterdam é um blog de um brasileiro que vive com sua esposa em Amsterdam, também tem várias dicas, sobre o que fazer, onde comer e onde beber boas cervejas holandesas… fomos conferir.

O bar é o t’Arendsnest. Um ambiente delicioso, pequeno e cheio de coisas nas paredes, bem poluído e super legal. O cardápio é enorme só com cervejas holandesas. São mais de 30 cervejas na pressão e mais de 100 cervejas na garrafa. É uma infinidade. Experimentamos duas diferentes, uma foi a La Trappe, única trapista holandesa, as outras 6 são belgas, e a outra foi uma Stout (como a Guinnes), muito boas as duas, mas quem vai comentar sobre elas de verdade é o Dú ;-).

t'Arendsnest1

Definitivamente devíamos ter conhecido essa bar na primeira noite, assim teríamos mais tempo para experimentar mais variedade de cervejas ;-). Fica para a próxima visita à Amsterdam.

no_tramNós no Tram voltando para o Hotel.

É isso aí pessoal. Esses foram os nosso três dias em Amsterdam. Deliciosos por sinal. Uma viagem que recomendo e, havendo a oportunidade, repetiremos!

Amanhã voltamos à Leuven!

O segundo dia em Amsterdam

Tivemos mais um café da manhã gostoso e reforçado para dar pique às nossas andanças. 😉

Hoje além do frio também tivemos a companhia da chuva. No começo do dia estava fraca, não atrapalhou nossa ida ao Van Gogh Museum… ai que emoção!

Chegamos logo que abriu e já estava uma fila enorme. Mas não demorou muito e logo pudemos entrar… Me deu um aperto no coração que eu não sei explicar.

Meu Deus, o museu é a coisa mais impressionante. Aliás a arte de Van Gogh é impressionante. Esse é o museu que reúne o maior número de obras, nessa exposição (até 03 de Janeiro de 2010) são mais de 300 trabalhos entre pinturas, desenhos/rascunhos, cartas e cartas com os rascunhos de suas obras. É mágico perceber a sensibilidade de um artista e o cuidado que tinha com aquilo que planejava pintar.

Por vezes achamos que os grandes artistas simplesmente receberam um dom divino e que sentam em frente à uma tela e pronto a pintura deslumbrantemente é feita…. como um passe de mágica. Nessa exposição foi possível acompanhar o processo de criação de Van Gogh. Ele estudava as cores, escrevia ao irmão sobre seus pensamentos e intenções, fazia pequenos desenhos na carta demonstrando o que pensava fazer…

Além de todo esse cuidado, o que mais me emocionou, e emocionou de verdade (por vezes fiquei com os olhos cheios de lágrima), é a intensidade de sua obra: as cores, os contornos, as pinceladas grossas, as feições, sua letra nas cartas… foi muita emoção.

O ápice foi quando cheguei aos Girassóis. É lindo, intenso, marcante, genuíno, triste e puro (ao me lembrar desse momento para escrever esse post fico com os olhos marejados… Que delícia descobrir que algumas coisas são ainda mais importantes em nossas vidas do que imaginávamos que fossem).

Depois de algumas horas percorrendo o museu, chegamos à loja. Escolhemos a réplica da obra  Still life with quinces and lemons de 1887 (a que Van Gogh pintou para estudar as cores amarelo e ocre antes de pintar os Girassóis) e uma montagem com algumas de suas cartas.

Stilleven met kweeperen en citroenen

Para a minha surpresa o Dú não tinha visto duas de suas obras e… tivemos que voltar. O melhor é que a sessão que ele não viu estava bem pertinho dos Girassóis, conclusão: plantei novamente na frente e fiquei lá flutuando por mais alguns minutos 😉

van_gogh_museum

Tomamos um lanche na lojinha do museu mesmo e quando saímos começou uma chuva ainda mais forte. Mudamos de idéia e fomos para a fila do Rijksmuseum Museum… para fugir da chuva. É um museu enorme e todo mundo fala dele, mas não é muito o nosso estilo favorito de arte, então não curtimos muito.

rijksmuseum

O que valeu foi ver a tela The Night Watch de Rembrandt. Datada de 1642, Rembrandt levou um ano para concluir a obra de 363 x 437 cm… ela é realmente enorme. O triste da história é saber que em 1715 quando removeram a obra de lugar cortaram-na para que ela coubesse no novo lugar, dessa forma, duas pessoas foram cortadas! Rembrandt deve ter se revirado no caixão. 😦

the_night_watch

E a chuva? Só aumentava lá fora. Ficamos um tempão conversando em um dos bancos do museu para passar o tempo e ver se a chuva diminuia. Que nada. Tomamos coragem e corremos para achar um café, bar, restaurante, o que fosse. Na mesma rua achamos um Ristorant Italiano interessante. No cardápio só cortes argentinos de carne, de entrada empanadas, achamos estranho, mas tudo bem! heheh

Depois de um tempo três colegas da turma do Dú apareceram, um indiano, um macedônio e um esloveno. Rimos muito com eles. Depois fomos à uma casa que tocava Salsa. E não é que o povo dança mesmo. Foi divertido descobrir que quem dava aula eram brasileiros, no folder divulgavam até Samba de Gafieira. Pena que não tocou! 😉

Que dia longo. Amei. Ainda fecho os olhos e vejo as telas de Van Gogh…

O primeiro dia em Amsterdam

Acordamos cedo, tomamos um bom banho, um ótimo café-da-manhã com direito a dois ovos cozidos com a gema mole (comi o meu e o do Dú ^-^) e claro Gouda, yummy.

De 5 de Setembro a 31 de Outubro estava acontecendo o Elephant Parade – Amsterdam 2009, em que centenas de elefantes bebês pintados por artistas de todo o mundo estavam expostos pela cidade com o intuito de, não apenas chamar a atenção para a situação dos elefantes asiáticos que sofrem de quase extinção, como também de arrecadar fundos para a instituição:

It is Elephant Parade’s mission to become one of the world’s largest financial support organizations for elephants. At the same time Elephant Parade events will attract worldwide attention as well as much needed public awareness and support for the cause of elephant preservation: Elephant Parade elephants will not go unnoticed by the wider public!

Como tínhamos apenas um dia, identificamos no nosso mapa todos os pontos onde haviam elefantes bebês e procuramos por eles no decorrer da nossa andança por Amsterdam.

elephant1

O dia estava frio, mas pudemos aproveitar muito. Caminhamos no sentido do Vondelpark, um parque criado em 1864 lindíssimo. Ele é enorme, super bem cuidado e o outono é realmente uma estação especial. As folhas amarelas-alaranjadas dão um charme ainda maior ao parque e à cidade.

Vondelpark

Depois caminhamos no sentido do Museumplein, a praça onde estão o Van Gogh, o Rijksmuseum e o Stedelijk Museums e a famosa frase, onde todos tiram foto, I amsterdam.

I_amsterdam

Caminhamos mais um pouco e infelizmente presenciamos um acidente… Pois é, como dissemos antes, aqui é cada um por si, uma moto estava passando, em velocidade, na faixa de bicicletas e um taxi estava parado invadindo um pouco a faixa de bicicletas, na hora que o motoqueiro passou pelo taxi o passageiro abriu a porta do carro e só vimos o rapaz e a moto escorregando pela calçada derrubando as outras motos e bicicletas que estavam ali estacionadas. Que sensação horrível! Mas pudera… todos foram bem imprudente, o motoqueiro, o taxista e o passageiro… 😦

Depois de muitas fotos e muitos elefantinhos subimos a Leidsestraat, é uma rua bem comercial de Amsterdam. Tem tudo quanto é loja de tudo quanto é coisa. Além das lojas, tem muito pedestre, bicicleta, moto, carro e tram… tudo junto no mesmo lugar. É muito divertido ver essa dinâmica maluca!

Leidsestraat

Por ali fizemos um lanchinho rápido e barato e fomos em busca de mais elefantinhos… caminhamos no sentido do Begijnhof , que é um pouco para o centro. Passamos por uma feira de flores. Que delícia! As tulipas são as mais conhecidas, mas tem cada flor tão linda. Além das flores também tem muita semente e bulbo, mas é muito mesmo. Até a semente da maconha tem lá para vender. hehehe

feira_flores

Como já estava bem frio paramos para tomar uma cerveja (o Dú) e um capuccino (eu). Logo depois estávamos com o mapa aberto em um dos canais tentando nos localizar para voltarmos para o hotel quando um mendigo parou e apontou no mapa exatamente onde estávamos e nos explicou, com um inglês irritantemente invejável que caminho deveríamos pegar, que por sinal seria o mais charmoso… é a vida!!!

noite

Fizemos um pit stop em um supermercado (adoro explorar supermercados em viagens e ver o que tem de diferente) e encontramos mais dois brasileiros por lá! Compramos uns chocolates e uma cerveja… o único problema é que não temos frigobar no quarto, mas depois eu conto o que fizemos!

À noite caminhamos mais um pouco pela parte mais movimentada e decidimos comer no Royal Thai, um restaurante tailandês bem simpático, mas a comida só era apimentada, nada de mais… esse ficou devendo.

royal_thai

Na hora de dormir trocamos de cama, o meu colchão era visivelmente menos pior que o do Dú… Quem sabe assim ele não dorme melhor! 😉

Ah!… e amanhã… tem Van Gogh Museum! EBA!!!!