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De Molen Rook & Vuur

O que esperar de uma cerveja chamada “Fumaça & Fogo”? Não tinha a menor ideia, mas fiquei tão curioso que não deu para evitar comprar uma garrafa.

O rapaz da De Molen nos explicou que nesta cerveja eles procuraram balancear dois estilos: Smoke e Spice beers, e que tinham ficado muito satisfeitos com o resultado. O cada vez mais confiável beeradvocate a classifica como uma Rauchbier, explicando que este é um estilo antigo alemão, que usa fogueiras de faia (um tipo de árvore) para secar o malte ainda verde. É isto que confere a ela um “esfumaçado” único, tão forte e assertivo que você meio que tem que aprender a gostar do estilo.

rookvuurBem, digamos apenas que eu não passei em Rauchbier 101. No copo ela produz uma quantidade absurda de espuma, provavelmente muito mais do que seria necessário/desejável. Sua cor é bonita, marrom-para-preto, mas nada especial. A fumaça já dá as caras no olfato (junto com um toque de pimenta/especiarias), mas só aparece com toda a força quando você dá um gole. Primeiro você fica surpreso, pois é exatamente como se você estivesse “bebendo” fumaça. Logo em seguida, porém, tudo que eu sentia era aquele gosto de fumaça na boca, tão forte que se tornou desagradável. Engraçado foi ver a Fernanda (literalmente) torcendo o nariz depois de um pequeno e cauteloso gole.

Eu até tentei me acostumar ao estilo, mas esta foi uma das poucas cervejas até hoje que desisti de acabar. Pode ser que dê uma segunda chance às Rauchbiers, mas da próxima vez será com uma alemã. Ou, se estiver no Brasil, com uma Eisenbahn Rauchbier – muito bem posicionada entre as cervejas deste tipo.

Isto sim é que é loja!

Algum tempo atrás resolvi checar que cervejarias estão perto de casa – é um passeio normalmente interessante, com o bônus de te dar a chance de experimentar cervejas que não estão à venda em outros lugares.

Um link leva a outro e acabei descobrindo uma loja especializada em cervejas que todo mundo dizia ter uma variedade impressionante. Um dos comentários era hilário – “meu sonho de consumo é estacionar uma van na frente da loja e comprar com um cartão sem limite de crédito.” Smile

O problema é que esta loja fica na Bélgica, meio-que-bem-longe de casa. O negócio então foi esperar nosso estoque da máquina de lavar louça chegar a zero, aproveitar um dia cinza e chuvoso, encher-se de disposição e botar o pé na estrada. Ainda bem que as viagens de carro por aqui são tranquilas – e sem pedágio.

Difícil saber o que esperar de uma loja que lista em seu site mais de 1000 diferentes rótulos (não, não coloquei um zero a mais!), mas o resultado é um só: você fica totalmente perdido, olhando para todos aqueles rótulos desconhecidos e se perguntando quais vale a pena colocar no carrinho – afinal, será impossível comprar todas (a não ser que vá com o amigo da van ali de cima…).

loja01

loja02Ainda bem que me planejei um pouco e estava com A lista das melhores cervejas belgas, de acordo com o Rate Beer e o Beer Advocate. Começou então uma caçada para encontrá-las, o que demandou muita concentração para resistir à tentação de ir pegando garrafas a esmo. Smile O resultado? 26 cervejas diferentes, sendo apenas 4 já conhecidas e só umas 6 fora da lista das melhores cervejas belgas (mas estas estão quase todas na minha lista de cervejas preferidas).

Dentre as 26, algumas da De Struise Brouwers, micro-cervejaria que emplacou um número assustador de posições na lista das melhores e já foi eleita melhor cervejaria da Bélgica e do mundo (!). Alguns rótulos tem produção limitadíssima e venda restrita a 4 garrafas por pessoa…:

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E um punhado da Mikkeller, cervejaria “cigana” (eles não tem uma linha de produção própria) eleita cervejaria do ano na Dinamarca, que tem como objetivo criar cervejas que “desafiam o limite do que conhecemos como cerveja” (quando eu descobrir o que isto quer dizer eu conto aqui…):

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Claro que a loja também tem muita coisa regularmente encontrada em supermercados: Leffe, Duvel, etc., etc. Mas pra que comprar ali o que você encontra em (quase) qualquer lugar? E às vezes o preço também não compensava – mais um motivo para se concentrar no que você só vai encontrar lá. Mas para ser justo, apesar da variedade incrível, não dá para dizer que eles tem tudo – a DeuS, por exemplo, não está na lista de cervejas à venda. Ainda bem que a minha ainda está guardadinha, esperando o momento certo de ser aberta. Winking smile

Se estiver na Bélgica, próximo de Gent, não deixe de visitar a Dranken Geers.

Agora com licença; nos próximos meses estarei ocupado experimentando o que a Bélgica tem de melhor a oferecer em termos de cerveja. Open-mouthed smile

Como um país pequeno e de pouca expressão acabou dominando o mundo da cerveja? Como?

brewedforceÉ o que a Economist tenta responder nesta matéria: Brewed force.

Apesar de falar muito da Stella e da Westvleteren e quase nada sobre todas as outras excelentes cervejas produzidas na Bélgica, a matéria é muito interessante ao explicar como o país conhecido pelos seus “mussels and chips” (pelo menos o autor não usou French fries Smile with tongue out) se tornou o paraíso para quem gosta de uma boa cerveja.

Finalmente um dos meus colegas tem uma explicação para a dúvida que o atormentou durante todo o MBA: “por que a Bélgica tem tantas cervejas diferentes?” Antes tarde do que nunca Smile

Minhas cervejas belgas favoritas

Faz quase um ano que publiquei a lista das minhas cervejas belgas favoritas, então acho que este é um bom momento para atualizá-la.

Na verdade eu vou apenas aumentar a lista anterior – bebi recentemente quase todas aquelas cervejas (as exceções são as Chimay e a Tongerlo bruin) e continuo achando todas elas deliciosas. Mas como agora temos mais tempo para procurar cervejas que não havíamos experimentado antes, era de se esperar que encontrássemos outras cervejas tão – ou mais – deliciosas quanto aquelas. E todas estão devidamente acondicionadas na nossa máquina de lavar louça :)

Eis minhas novas favoritas:

  • Gulden Draak: quem vê cara não vê coração e a estranha garrafa branca com um dragão dourado (????) esconde uma tripel escura deliciosa e totalmente diferente das outras tripel
  • Hoegaarden Grand Cru: a Hoegaarden normal é um horror, mas esta strong pale (clara e forte) não deve ser subestimada
  • Val-Dieu Tripel: a melhor entre uma pequena seleção de tripels que comprei para experimentar
  • Straffe Hendrik Brugse Tripel: bastou uma garrafa para garantir sua presença nesta lista. Descobri que também é produzida uma Straffe Hendrik Quadrupel; quer motivo melhor para uma segunda visita a Bruges?
  • Bush Beer: eu havia experimentado esta cerveja antes (post!), mas não lembrava que era tão boa. Esta talvez seja a mais “moderna” de todas: só começou a ser produzida em 1933 :P
E aqui a lista original:

  • Westvleteren: todas (mais detalhes neste post)
  • Rochefort: todas
  • Westmalle: dubbel e tripel
  • Chimay: rótulos vermelho e branco
  • Tongerlo bruin
  • Affligem tripel
  • St-Bernardus ABT 12
  • Karmeliet Tripel
  • Hopus

Onde comprar boa cerveja belga?

Quem já leu outros posts sabe que gostamos de experimentar diferentes cervejas – e que este é um verdadeiro trabalho de Sísifo na Bélgica (felizmente sem nada de tedioso!), graças à enorme variedade de cervejas produzidas neste pequeno país.

Se você está visitando o país, nada mais natural do que se perguntar onde achá-las. Supermercados normais em geral tem uma variedade muito boa, mas é claro que não dá pra competir com as lojas especializadas. Em Gent descobrimos uma loja muito legal, a Beer and Ginhouse. Ela fica um pouco fora do centro da cidade, em uma área muito bacana e que vale a visita.

Em Bruxelas há várias no entorno da Grand Place e em Brugge há outra bem bacana exatamente no centro (não tenho os endereços para indicar). É claro que esta não é uma lista extensiva, então fique atento ou pesquise antes de ir! Minha sugestão é dar uma olhada nas cervejas disponíveis em um supermercado antes de visitar uma destas lojas – elas serão mais baratas – e aproveitar a variedade delas para comprar aquelas cervejas menos comuns, não as que são facilmente encontradas.

Para terminar, se estiver na Holanda vale a pena dar uma olhada em uma Mitra (vários endereços). Eles tem uma boa variedade de cervejas belgas, holandesas, inglesas e alemãs e muitas vezes o preço é apenas um pouquinho mais caro do que em um supermercado na Bélgica. Infelizmente os supermercados daqui tem uma seleção muito limitada e sem-graça de cervejas belgas, então não se espante se ficar decepcionado.

Trabalho duro

E esse é o marido na labuta em um supermercado na Bélgica… Tentando decidir quais cervejas comprar para recarregar o estoque da nossa máquina de lavar louças! :D

Nada melhor do que uma máquina de lavar louça…

… cheinha de cervejas belgas :)

A história é a seguinte: desde que compramos um carro a Fê e eu brincávamos que a gente tinha que ir até a Bélgica e voltar com o carro cheio de cerveja. Mas por que ir até a Bélgica ao invés de atravessar a rua e ir até o mercado mais próximo? Simplesmente porque, por mais estranho que seja, é muuuuuito difícil achar cervejas tão boas na Holanda quanto as que a gente achava na Bélgica. Em restaurantes então dá até depressão…. Quase nunca o menu lista as cervejas que o restaurante tem e quando perguntamos ouvimos sempre a mesma coisa: “Bavaria, Hoogaarden e Palm”. Quando o restaurante tem La Trappe ou Leffe é quase um presente :P

Voltando à história: algumas semanas atrás recebemos a visita do meu primo e no final de semana resolvemos visitar uma cervejaria que parecia muito bacana – adivinha onde? – na Bélgica. No caminho passamos exatamente pelo supermercado em que a Fê costumava comprar cervejas em Leuven! Na volta do passeio não tivemos dúvida: uma paradinha no mercado para abastecer nosso estoque :) E mesmo depois de morar 1 ano na Bélgica ainda é fácil achar várias que você não conhece. Então fiz o que de melhor podia fazer: um mix de algumas das minhas cervejas preferidas e algumas novas, só para não perder a prática de experimentar novos sabores :)

Mas por que na máquina de lavar louça? Porque a gente teria que ter uma geladeira ou um armário extra só para guardar estas cervejas. Então usamos o único lugar que estava mais ou menos disponível: a máquina de lavar louça :)

Abadia combina com cerveja

Domingo passado aproveitamos o belo dia de sol depois do Queen’s Day (assunto para outro post!) e resolvemos visitar a abadia O.L.V. Koningshoeven. Esta é a única abadia na Holanda que produz cervejas trapistas – sob o rótulo La Trappe – e, para nossa sorte, fica a apenas 30 minutos  do nosso apartamento. Bem diferente da longa viagem que enfrentamos até chegar à Westvleteren (que contei neste post).

A abadia e o “Tasting Room” (devem ter achado uma má ideia chamá-lo de “bar”, estando dentro de uma abadia…) anexo são muito bonitos e deu para perceber que muita gente que estava lá mora pelas redondezas e aproveita o lugar para comer alguma coisa ou passar algumas horas com a família. E nossos lanches estavam bem saborosos – eu comi um sanduíche pretensamente italiano e a Fê uma salada de atum, ambos com pães produzidos na própria abadia.

Mas eu estava interessado mesmo é na cerveja, até porque é da La Trappe uma das minhas favoritas, a Quadrupel. Aguçava ainda mais a minha curiosidade o fato da abadia produzir muitas cervejas – nada menos do que 8 tipos em produção regular, quando a “tradição” das cervejarias trapistas é produzir 3 tipos e às vezes mais uma cerveja mais leve consumida pelos próprios monges.

E dá para entender o porquê de tantos tipos quando você está lá: tudo, tudo mesmo, é claramente organizado como um negócio. Depois descobri que a cervejaria da abadia é uma subsidiária de uma grande cervejaria holandesa (a Bavaria, não a Heineken J) e que, exatamente por isto, eles perderam o direito de usar o logo Authentic Trappist Product por 6 anos, até que os monges re-assumiram o controle de forma mais ativa. Isto também deve explicar porque ela é a maior em termos de volume produzido, embora a Chimay e a Westmalle não estejam muito atrás.

Voltando para a cerveja, eu estava especialmente curioso para experimentar aquelas que não dá para encontrar no supermercado. Curiosamente, são as mais leves: a Blond, a Witte, a Puur e a Bock (talvez esta se encontre no inverno, vamos ver no final do ano). A boa notícia: nenhuma delas desaponta. A má notícia: para o meu gosto, elas não são as melhores produzidas pela La Trappe, então não adicionaram muito.

Mas justiça seja feita: tanto a Blond quanto a Puur (seria esta a única cerveja ecologicamente correta do mundo?) são muito boas. São leves, mas tem estrutura e sabor – não lembram em nada aquelas pilsen praticamente iguais umas às outras. A Witte me surpreendeu –esta manteve a sensação refrescante que todas as white beers tem e minimizou o que não me agrada, a sensação de um sabor meio azedo no retrogosto que simplesmente detesto. Só a Bock me pareceu um pouco pesada e enjoativa, mas tenho que experimentá-la de novo no inverno, não em um dia quente e ensolarado.

A Quadrupel continua sendo minha favorita, disparada. Com uma fermentação que continua após ser engarrafada, cor âmbar densa, encorpada, com um toque adocicado muito leve, cheia de sabor, é muito diferente de outras trapistas. A Isid’or é a segunda na lista, com sua cor um pouco mais avermelhada e sabor um tanto mais adocicado. O interessante é que esta é produzida com um lúpulo cultivado no local. Por fim, a Dubbel e a Tripel também são muito boas, mas ficam ofuscadas diante das primeiras – sem contar que eu prefiro estes tipos de outras abadias, como a Rochefort ou a Westmalle.

O passeio meio-que-guiado na cervejaria também foi interessante. Meio-que-guiado porque estávamos com um grupo de holandeses, então o guia não podia fazer o tour em inglês. Mas nos deu uma “apostila” que explicava tudo o que ele contava, então deu para aproveitar. E o guia estava sempre querendo saber se a gente tinha perguntas, muito simpático. Na verdade, foi meio estranho conhecê-la por dentro; apesar do processo de fermentação ser todo informatizado, o local onde a cerveja é produzida parece muito simples, quase artesanal. Só a linha de engarrafamento tem uma cara mais moderna. Apesar desta cara “artesanal”, a quantidade de pallets com garrafas vazias indicava que os monges não estão lá para brincadeira e levam a produção da La Trappe muito a sério. Só espero que nunca haja um incêndio lá, porque não tinha jeito do caminhão de bombeiros sair de onde estava :D

Estava quase esquecendo: eles também envelhecem a Quadrupel em barricas por 12 meses, para depois engarrafá-la em uma garrafa diferenciada. Você até consegue saber que tipo de barrica foi usada em cada lote, pois elas vão alterar o sabor da cerveja de forma diferente. Esta Quadrupel Oak Aged só está à  venda na própria abadia e é claro que não pude deixar de comprar uma garrafa (a 10 euros!!!), que está guardadinha na geladeira esperando o momento de ser degustada. Mas esta vai merecer um post dedicado só a ela :)

Uma brasileira belga?

Quando voltamos para o Brasil fiquei curioso para saber quais cervejas belgas conseguiria encontrar – além da Stella Artois, é claro. Aliás, apesar de ser uma boa cerveja, eu não consigo pensar em uma única boa razão para pagar o preço premium cobrado por ela nestas bandas.

Bom, devo dizer que fiquei duplamente surpreso. Primeiro porque até que encontramos uma seleção bem razoável – Duvel, Kwak, Leffe, Delirium Tremens, Chimay, Deus e Tripel Karmeliet. Segundo, pelos preços absurdos – uma cerveja que custa 3,5 euros em um bar caro na Bélgica você pagará facilmente R$ 30,00 – quase 4 vezes mais. A exceção é a Leffe, encontrada no Carrefour por menos de R$ 4,00. :) Mas não se engane com o preço “baixo”, porque ela é muito boa (mas não consegue competir com as melhores…). O curioso é que a que bebemos no Brasil parece ter mais gás do que a que bebíamos na Bélgica. “Tropicalizaram” a cerveja?

Mas não estou escrevendo para falar da diferença de preços, mas sim para falar de uma “descoberta” curiosa que fiz em um Pão de Açúcar.

Na Bélgica me acostumei a dar uma olhada nas diferentes cervejas disponíveis nos mercados; afinal, sempre tinha alguma coisa diferente para experimentar. É claro que achei curioso quando encontrei no Pão de Açúcar uma lata da DaDoBier que dizia “Belgian Ale”.

A primeira coisa que me passou pela cabeça foi “Que raio é uma Belgian Ale?”. Afinal, na Beer Fest que fomos em Bruxelas (leia neste post aqui!) havia mais de 10 estilos, mas nenhum “Belgian Ale” (e olha que eles entregaram os pontos criando uma categoria “Outras”  bem sem-vergonha). Dei uma fuçada na Wikipedia (Beer in Belgium) e lá são descritos 18 tipos, mas nenhum “Belgian Ale”. Aliás, o artigo adverte que “não há nenhum sistema definitivo para categorizar as cervejas belgas”. Por eliminação cheguei à conclusão que esta DaDoBier deve ser uma Brown Ale, mais escura do que as Amber Ale mas mais fraca do que as Dubbel (puts, não acredito que escrevi isto…).

A segunda coisa que pensei foi: “O que este selo ‘Lei de pureza da Baviera’ está fazendo em uma cerveja de estilo belga?”. A Alemanha e a Bélgica vivem disputando o “título” de quem produz as melhores cervejas e estas “leis de pureza” são muito mais para bloquear a entrada de produtos de outros países do que para garantir qualidade. No meio de toda esta esquizofrenia, a única coisa que me motivou a comprar uma lata foi a curiosidade pura e simples. :)

Mas agora ao que interessa: é boa ou não é?

Sim! :) E não… :( Vou explicar:

Quando você a coloca no copo tudo parece familiar… Uma cerveja mais escura (mas esta não é preta), mais turva, com um aroma marcante e diferente das pilsen tão comuns por aqui… O primeiro gole e… uau, não é que a danada é boa?

Mas aí vem o segundo, o terceiro, o quarto goles…. E algo estranho vai aparecendo no seu sabor. Na verdade é menos no sabor dela e mais na forma como você percebe a cerveja: ela vai ficando meio enjoativa, algo que nunca senti em uma belga legítima (não gostei nem um pouco de algumas, mas não lembro de ter sentido esta sensação enjoativa – especialmente numa cerveja que deu uma boa primeira impressão).

Eu diria que alguma coisa não está 100% equilibrada nesta cerveja. E o desequilíbrio vai se acumulando, no início de forma sutil, mas depois de forma bem clara. Mas ainda assim acho que vale a pena experimentá-la – divida a lata de quase 500ml com alguém e aproveite enquanto ela ainda deixa uma boa impressão :P

A primeira providência

Poucas horas depois de chegar em casa e sem absolutamente nada na geladeira saimos para jantar.

Que sensação boa! Andar pelas ruas que você conhece bem, ir ao restaurante que você conhece bem, pedir o belo steak que você conhece bem e a bela e inconfundível cerveja belga que você também conhece muito bem… Eu caí de cabeça em um conservadorismo doido! O Dú não foi tão conservador assim, mas dessa vez acabou se dando mal. Pediu uma das tantas cervejas belgas que ainda não experimentamos, Rodenbach Grand Cru, mas a danada, excepcionalmente, é muuuuito ruim… eca! :-(

Claro que não demorou muito para ele aderir fervorosamente ao conservadorismo gastronômico (pediu correndo uma Westmalle), o qual não nos é usual, mas depois de muito tempo longe de casa, nada melhor do que matar as saudades através do paladar que tanto nos agrada e nos é conhecido. :-)

Ai, ai…. Viajar, desbravar o mundo, novas culturas e costumes não tem preço, mas voltar para casa é tudo de bom! :-)

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