Fortaleza de Bourtange
De Groningen fizemos um day trip para Bourtange, uns 60 Km em direção à fronteira com a Alemanha. Esta fortaleza foi construída no final do séc. XVI, permanecendo ativa até a metade do séc. XIX, quando foi abandonada.
Foto: Hannes, disponível aqui sob os termos da GNU Free Documentation License
A fortaleza impressiona pelo formato: um forte-estrela, forma desenvolvida em resposta às mudanças no campo de batalha causadas pelas armas de fogo. No seu interior, uma pequena vila, em grande parte reconstruída para ser um museu a céu aberto.
Você realmente parece voltar no tempo, não só pela reconstrução mas também pelas pessoas que andam por ali vestidas em trajes típicos de época (não sei se são atores, voluntários ou funcionários do museu). Aos domingos um dos canhões é disparado e em agosto uma batalha é re-encenada (mesma coisa que acontece em Waterloo, na Bélgica). Mais informações aqui.
Ainda dá para entrar no moinho funcionando (cuidado com a escada íngreme e com a muvuca causada pelo espaço restrito).
Resumindo: Bourtange é uma ótima sugestão de passeio se estiver visitando o norte da Holanda (ou da Alemanha, já que ela está na divisa). E aproveite para almoçar por ali mesmo – o restaurante parece ser bom e com sorte ainda arrumará uma mesa do lado de fora, voltada para a praça central da pequena vila.
De Molen Rook & Vuur
O que esperar de uma cerveja chamada “Fumaça & Fogo”? Não tinha a menor ideia, mas fiquei tão curioso que não deu para evitar comprar uma garrafa.
O rapaz da De Molen nos explicou que nesta cerveja eles procuraram balancear dois estilos: Smoke e Spice beers, e que tinham ficado muito satisfeitos com o resultado. O cada vez mais confiável beeradvocate a classifica como uma Rauchbier, explicando que este é um estilo antigo alemão, que usa fogueiras de faia (um tipo de árvore) para secar o malte ainda verde. É isto que confere a ela um “esfumaçado” único, tão forte e assertivo que você meio que tem que aprender a gostar do estilo.
Bem, digamos apenas que eu não passei em Rauchbier 101. No copo ela produz uma quantidade absurda de espuma, provavelmente muito mais do que seria necessário/desejável. Sua cor é bonita, marrom-para-preto, mas nada especial. A fumaça já dá as caras no olfato (junto com um toque de pimenta/especiarias), mas só aparece com toda a força quando você dá um gole. Primeiro você fica surpreso, pois é exatamente como se você estivesse “bebendo” fumaça. Logo em seguida, porém, tudo que eu sentia era aquele gosto de fumaça na boca, tão forte que se tornou desagradável. Engraçado foi ver a Fernanda (literalmente) torcendo o nariz depois de um pequeno e cauteloso gole.
Eu até tentei me acostumar ao estilo, mas esta foi uma das poucas cervejas até hoje que desisti de acabar. Pode ser que dê uma segunda chance às Rauchbiers, mas da próxima vez será com uma alemã. Ou, se estiver no Brasil, com uma Eisenbahn Rauchbier – muito bem posicionada entre as cervejas deste tipo.
Eindhoven um destino turístico?
Digamos que Eindhoven não é exatamente a primeira cidade que vem à mente quando pensamos em uma viagem para a Holanda (nem a segunda, terceira, quarta…).
Por isso foi uma surpresa quando vi Eindhoven na primeira página do Wikitravel – se você não conhece o site, ele funciona exatamente como a Wikipedia, mas apenas para destinos turísticos. Tem sido um ótimo ponto de partida quando queremos conhecer mais sobre alguma cidade. Mas como não podia deixar de ser, Eindhoven é um off the beaten path ![]()
Curioso para ver o que o WIkitravel tem a dizer sobre Eindhoven? Clique aqui ou na imagem acima.
Belle-Fleur IPA e Houblon Chouffe Dobbelen IPA Tripel
Estas duas estão no mesmo post porque tem algo marcante em comum – são do estilo IPA, ou India Pale Ale.
IPAs nasceram na Inglaterra mas ganharam força nos EUA. O que você ler/ouvir sobre elas vai indicar uma cerveja extremamente amarga, com o lúpulo bastante pronunciado. Não gosta muito do amargor tipicamente associado à cerveja? Fique longe destas, porque não existe a menor chance de você gostar de uma delas.
Eu estava curioso para experimentá-las; a Houblon Chouffe está na lista de melhores, enquanto a Belle-Fleur foi uma aposta – não encontrei outra da lista, a Duvel Tripel Hop, na nossa viagem à Dranken Geers. O beeradvocate diz que são Belgian IPAs, um estilo ainda em desenvolvimento (nos EUA as Double IPA, mais fortes, também são comuns).
A Belle-Fleur, da Brouwerij De Dochter van de Korenaar, foi a primeira que experimentamos. Relativamente leve, com 6% de álcool, realmente tem um amargor impressionante, até mesmo inesperado. Não é apenas isso – ela também é super seca: a cada gole você sentirá todo o amargor e sua boca secando de forma inusitada para uma cerveja aparentemente leve e refrescante. Como ela é carregada de lúpulo, este predomina tanto no aroma quanto no sabor. Resumindo, uma cerveja muito boa.
Da Brasserie d’Achouffe, a Houblon Chouffe é mais forte: 9% de álcool, bem comum para tripels. Também bastante amarga e seca, mas sem o mesmo equilíbrio da Belle-Fleur. Especialmente o aftertaste aponta para alguma coisa não tão redonda, prazerosa quanto a Belle-Fleur. Talvez seja o tal do “estilo em desenvolvimento”: ela “encalha” em algum lugar entre uma IPA e uma tripel, sem assumir de vez seu caráter IPA ao mesmo tempo em que se distancia de um tripel – pois é muito mais amarga. Temos mais uma garrafa desta – se minha impressão mudar atualizo o post.
Agora, curioso mesmo é que a Belle-Fleur não aparece no site da De Dochter e tem apenas 5(!) avaliações no BeerAdvocate. Teria sido uma edição limitada, ou talvez experimentação pura e simples? Pode ser que seja uma nova criação da cervejaria, que ainda não teve tempo de atualizar seu site (o que, aliás, seria muito bem-vindo
).
Feliz aniversário, rainha Beatrix!
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Hoje foi Koninginnedag, ou Queen’s Day, um dos feriados mais esperados da Holanda. Dia em que muitos se vestem de laranja, outros tantos criam um enorme flea market nas ruas vendendo seus bens usados e todo mundo parece ir para a rua festejar. Especialmente quando depois de várias semanas frias e sem sol – em [...]
A melhor cervejaria da Holanda
Estamos na fase de encarar de frente a dura tarefa de procurar e experimentar as melhores cervejas que temos à disposição
– mês passado foram cervejas da Bélgica e agora da Holanda.
E no melhor espírito prático holandês, encontrá-las não foi tão complicado desta vez – a Brouwerij de Molen (Cervejaria O Moinho) abocanhou nada menos do que 36 posições das 50 melhores cervejas holandesas – de acordo com este ranking do site Rate Beer. Eles deixaram até mesmo uma das minhas cervejas preferidas, a La Trappe Quadrupel, amargando a nada honrosa (para a única trapista destas terras) 14. posição… Então a busca se resumiu a imprimir esta lista e colocar o endereço desta micro-cervejaria no GPS.
Chegando lá vimos que ela está numa cidade pequena mas muito simpática; a cervejaria em si também está em um bonito e bem-conservado moinho. Perguntamos onde era a loja, para sermos conduzidos pelo meio do moinho até a pequena – mas muito bem sortida! – loja, onde nos aguardava um rapaz simpático e ávido para nos contar várias histórias sobre a cervejaria e sobre cerveja em geral.
Ele nos contou como a De Molen ficou famosa depois que uma de suas cervejas, a Rasputin, foi a primeira cerveja não-belga a vencer uma competição que acontece nos “países baixos” (Bélgica, Holanda e Luxemburgo). Nos contou a história de várias de suas cervejas, como a Fone50, cujo nome verdadeiro é V Years 20k e foi criada para um conhecido comemorar um evento organizado na própria De Molen! Ou a Vuur & Vlam (Fire & Flames), que continha uma pimenta fortíssima (!) na fórmula, para desespero dos incautos que a experimentavam nos tours – segundo ele, depois de um par de goles estavam todos vermelhos e suando… Também explicou que eles perderam posições no ranking das melhores micro-cervejarias do mundo depois que se mudaram para onde estão agora, pois não importa que as proporções estejam certas, o simples fato de estarem produzindo em volumes maiores altera o resultado final e ainda precisam se adaptar à nova escala. Ainda falou da surpresa que foi a Westvleteren12 ter perdido a primeira posição este ano – mas que o fato de isto ter acontecido por um tantinho, num ano em que todas as condições para a produção da agora campeã foram perfeitas, é quase que um elogio para a Westvleteren, pois eles tem produzido a melhor cerveja do mundo por décadas e apenas um ano perfeito consegue tirar dos monges da Sint-Sixtusabdij o primeiro lugar… Isto que é admiração ![]()
Bem, já dá para imaginar que a cada pergunta sobre uma cerveja específica vinha uma breve aula sobre o que esperar dela e o que ela tem de peculiar. Muito legal a atenção e a verdadeira paixão pela cerveja que eles fazem. O resultado final foi a escolha de 15 garrafas, sendo 14 diferentes cervejas. A única repetida é a de uma série especial que está em terceiro lugar no ranking (a primeira foi outra série especial que já não está mais à venda e a segunda é uma cerveja de produção regular – as três da De Molen).
É isso aí, nos próximos meses terei muito o que escrever sobre cerveja (depois de um período meio paradão…). Os primeiros posts já estão saindo do tanque de fermentação – aguardem!
E você? Está presente?
Esta semana participei do TEDx UtrechtUniversity. É um evento com a cara do TED, mas viabilizado por organizações independentes. O estilo e jeitão são os mesmos. Caso você não conheça, não perca tempo: dê um pulinho no site do TED, vasculhe, assista aos vídeos e veja, por você mesmo, quanta coisa boa tem por lá. Um excelente meio de aprender e se desenvolver na Internet.
O tema do TEDx UtrechtUniversity foi “Criando um Mundo Social” e para isso os palestrantes compartilharam suas experiências práticas, acadêmicas ou governamentais relacionadas ao desenvolvimento de um mundo mais social.
Duas apresentações me chamaram especial atenção, por motivos diferentes. A primeira foi da Thembi Tobi, fundadora do Thembi & Co, uma produtora de vinho da África do Sul. Sua apresentação não foi particularmente eloquente, mas foi de uma profundidade ímpar. Thembi contou sua trajetória, a dificuldade de abrir caminhos por ser sul africana, mulher e negra. Falou sobre seus sonhos e o que a fez seguir adiante e chegar onde chegou. Terminou falando que mesmo já tendo conquistado seu espaço quer mais, tem mais ambição. Ambição de ver seus filhos e netos dando continuidade ao seu trabalho, ambição de dar esperança e ser um exemplo a tantas outras mulheres, negras e sul africanas, ambição de ajudá-las a achar o seu caminho, abrir portas e se constituir num Mundo Social. Um verdadeiro exemplo de mulher. E seu nome, não por acaso, significa esperança.
A segunda apresentação que me acariciou o coração foi a do Patch Adams. Sua vitalidade, experiência, visão de um Mundo verdadeiramente Social, foi uma grande injeção de ânimo e até um tapa na cara. Como pode um cara que aos 66 anos de idade, viaja o mundo compartilhando amor, sorriso, otimismo e alegria, ser tão mais jovem que eu e muitos dos que ali o ouvia? Bom, acho que a descrição que fiz já explica o motivo de toda sua juventude, não?
Ao término do evento ele nos convidou para sentarmos no chão e continuarmos o bate-papo, a troca de amor (como ele mesmo diz). Ficamos mais 2 1/2 horas em sua companhia. Algumas das perguntas feitas a ele foram: Você nunca chora? Qual o segredo do seu eterno otimismo? Por que você escolheu essa vida? Você não sente falta de ficar em sua casa? Em linhas gerais suas respostas foram todas claramente pautadas no amor. “Amor por si mesmo. Sim, tudo começa quando nos amamos de verdade e se nos amamos como e pelo o que somos, os outros automaticamente nos amarão também e assim compartilhar o amor que você tem não será uma tarefa, será algo muito natural“. O sorriso. Esse é outro do seu segredo. Através do sorriso, compartilhamos amor. “Já experimentou entrar em um elevador e sorrir, genuinamente, para a pessoa ao seu lado? Essa pessoa não tem outra alternativa a não ser sorrir de volta. Esse não é um excelente exercício?” Acredite em sua causa. Ele luta e acredita que um sistema de saúde mais inclusivo é possível e essa tem sido sua luta há muitos anos nos Estados Unidos. Ele acorda feliz para lutar todo santo dia. Se ele chora? Bem, a história que ele contou me fez muito sentido, especialmente porque me lembrei de algumas situações em que me propus a ajudar uma pessoa/comunidade e ao invés de me penalizar com sua situação eu apenas estava lá. Estava presente. Estar presente é o que faz com que Patch não chore quando visita um hospital, campos de guerra, ou se vê em frente a uma pessoa que sofre muito. “Se eu chorar não estarei ajudando ninguém.” Por esse motivo ele fala do poder do estar presente. “Esteja lá, viva esse momento e dê o amor e a alegria que você tem ao outro. Nós temos muito amor para dar“.
Duas histórias muito diferentes. Duas personalidade ainda mais diferentes. Duas lições de vida lindas e muito intensas.
Obrigada meu Deus, por me permitir “estar presente”, apreciar o diferente, aprender com o diferente e me tornar uma pessoa diferente.
Ah! Quase ia me esquecendo: ganhei uma massagem ma-ra-vi-lho-sa do Patch. Virou amigo do peito!
Os vídeos ainda não estão disponíveis, mas assim que estiverem atualizo o post. Por enquanto inspirem-se nesse aqui! Louie Schwartzberg: Nature, Beauty and Gratitude (clique para assistir).
Eu sou grata pelo lindo dia que tenho hoje!
Cheesecake com calda de mirtilo e limão siciliano
Base - Receita adaptada daqui
- 2 1/2 xic. de Digestive Biscuits ou Graham Crackers – algum biscoito de farinha integral de sabor neutro, nem excessivamente doce nem com grãos de sal
- 1/4 xic. açúcar cristal orgânico (usei uns 30% menos açúcar e ainda diminuiria a proporção. Para mim ainda ficou muito doce.)
- 1/2 xic. (120g) manteiga sem sal derretida
Pré-aqueça o forno a 180ºC. Misture numa tigela o biscoito moído, o açúcar e a manteiga derretida, até que todo o farelo pareça úmido. Despeje numa forma de torta ou de bolo, de fundo removível, de cerca de 23cm de diâmetro. Aperte contra o fundo de forma uniforme. Leve ao forno por 5-7 minutos (no meu forno – convecção – foram 10 min), ou até que os farelos pareçam secos e dourado-escuro. Retire e deixe esfriar.
- 370g de ricota
- 370g de cream cheese
- 1 1/3 xícaras (267g) de açúcar refinado (usei demerara)
- 3 ovos
- 2 colheres (chá) de extrato de baunilha
Baixe o forno para 140°C. No processador (bati tudo na mão, a base é bem leve e não justificava sujar mais uma coisa), processe a ricota e o cream cheese até homogeneizar. Junte o açúcar, os ovos e a baunilha e processe novamente para incorporar. Despeje a mistura sobre a base de biscoito e leve ao forno por 55-60 (no meu forno -convecção- foram 1h 15min) minutos até firmar.
Calda de mirtilo e limão siciliano – receita adaptada daqui
- 1 xícara de mirtilos (blueberries), frescos ou congelados
- ¾ xícara (150g) de açúcar refinado (usei 2 colheres de sopa cheias de açúcar mascavo… gosto de geleias com gosto da fruta, azedinhas e não muito doces)
- 1 colher (sopa) de raspas de casca de limão siciliano
- 3 colheres (sopa) de suco de limão siciliano
- ¼ xícara (60ml) de água
- 1 colher (sopa) de amido de milho (não usei amido)
Misture os mirtilos, o açúcar, o suco e as raspas de limão siciliano numa panela pequena – não use panela de alumínio, cobre ou ferro. Numa tigelinha, dissolva o amido de milho na água, misturando bem com um garfo (eu não usei o amido e não fez a menor falta. Apenas adicionei a água e deixei em fogo baixo até adquirir a consistência que eu queria, uns 20min). Junte o amido dissolvido à panela. Leve ao fogo médio, misturando de vez em quando, até que comece a ferver e engrosse ligeiramente – quando mexer, amasse os mirtilos com um garfo para que eles dissolvam na geléia. Deixe esfriar completamente.
Retire o cheesecake do forno e deixe esfriar completamente na forma. Desinforme e sirva com a calda.
Fiz 2/3 da receita acima (da base e do cheesecake) e usei uma forma de bolo redonda de 20cm com fundo removível.
A geleia que sobrou deixei na mesa para os que quisessem mais, mas ela acabou cobrindo as fatias da torta de ricota também.
Primavera?
Será que alguém pode me dizer onde estão aqueles dias quentinhos, de céu azul e Sol brilhante?
Fonte: The Weather Channel
Há duas semanas os dias lindos de primavera haviam chegado à Holanda. Estávamos todos muito mais felizes e animados com dias lindos. Mas aí tudo muda. A temperatura cai drasticamente. O Sol some. O céu volta a ficar cinza o dia todo. E, é claro, volta a chover.
E o que é essa possibilidade de neve bem no domingo de Páscoa?
Ah Deus, dá uma mãozinha aí, vai?! Nós já trocamos os pneus de inverno pelos de verão!





